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Festival MeYouZik traz forró à capital
Cultura 3 4 min. 14.08.2019

Festival MeYouZik traz forró à capital

O forró do brasileiro Fabiano Santana vai-se ouvir na rue de Saint Esprit

Festival MeYouZik traz forró à capital

O forró do brasileiro Fabiano Santana vai-se ouvir na rue de Saint Esprit
Foto: Promo
Cultura 3 4 min. 14.08.2019

Festival MeYouZik traz forró à capital

Arranca hoje o MeYouzik, o festival urbano de músicas do mundo, que este ano conta com um concerto de forró com o brasileiro Fabiano Santana no segundo e último dia de festival. Mais uma vez há uma panóplia de artistas de diversas nacionalidades e de estilos mais ou menos tradicionais, mas que são hoje estilos além-fronteiras e que se transformam de música de todos e para todos.

Amanhã, quinta-feira, cabe a Fabiano Santana a abertura do icónico palco Holy Ghost, situado na rue du Saint Esprit. Este brasileiro radicado na vizinha Alemanha tem feito do forró o seu estilo de vida e de  acordeão em riste já viajou por 17 países e quatro continentes. Por amor mudou-se para a Europa e por cá tem sido um embaixador do estilo.

Em conversa com o Contacto, Fabiano garante que “o forró está conquistar o mundo e hoje não se limita apenas aos limites do Nordeste brasileiro. É música convidativa, contagiante, dançante e para todos”. Por ser para todos é que o músico tem uma visão romântica da sua origem e defende que o forró nasceu dos bailes ingleses no Brasil que por vezes eram “for all”, ou seja  os bailes eram abertos a toda a população e juntos faziam a festa popular em torno da música e da dança”. A outra versão é que o ritmo têm origem africana e que o nome é uma abreviação de forróbodó, palavra associada a festa, alegria e festa.

 “O forró é mesmo música, dança, festa, baile e contacto entre as pessoas, que dançam pertinho e agarradinho”, diz entre risos o músico, que também acha que essa é a razão do súbito interesse pelo estilo. “Há pessoas que descobrem o forró porque estão a aprender a dançar e deparam-se com a música, há outros que gostam da música e querem aprender a dançar, mas isso só mostra que há um público estrangeiro interessado e com disposição para descobrir e aprender”, diz o músico, justificando assim porque 90% do seu público é estrangeiro. Certo é que há também quem vá aos seus concertos porque acredita que hoje não há música tradicional, mas que há música do mundo para ser conhecida e sobretudo apreciada.

Fabiano Santana anda nesta vida de baile em baile há 15 anos e garante que “daqui a 15 anos quer continuar no forró” com a sua visão peculiar sobre fusões musicais. Se o acordeão, zabumba e triângulo são a base primitiva do forró, o músico mantém a sua convicção e tem sempre espaço para a liberdade criativa de cada artista convidado.

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Prova desta dedicação ao estilo nascido no Nordeste é o documentário Estradar coproduzido com Mestre Gennaro, que conta a história do forró na Europa. De salientar que o documentário foi já lançado no Japão, país que tem festivais dedicados ao estilo. 

Em jeito de despedida, Fabiano Santana lança um desafio para conhecermos a dimensão real do forró: “basta escrever a palavra “forró” e o nome de uma cidade e vão aparecer grupos em todo o mundo, uns com brasileiros e outros só com estrangeiros”.

Amanhã, pelas 17h15, além do forró, vai ouvir-se xaxado , xote, baião e até samba, num concerto que é um reflexo do último trabalho do brasileiro, ou seja  uma miscelânea de ritmos nordestinos da sua autoria.

Música dos quatro cantos do mundo

O MeYouZik arranca hoje e como cabeça de cartaz tem Seun Kuti & Egypt 80. Talvez o sobrenome Kuti seja familiar, aliás Seun Kuti é filho de Fela Kuti, considerado o pai do afrobeat. E como Seun Kuti herdou o legado da família, espera para o concerto de hoje uma fusão de ritmos africanos com funk e salsa à mistura e com uma forte componente de resistência. Seun Kuti é um músico contestatário, delator das desigualdades sociais em África e sobretudo na Nigéria. Com um grande discurso político nas suas letras, Seun Kuti não tem qualquer pudor em apontar o dedo à corrupção. O concerto é esta noite às 22h, na Knuedler.

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Para amanhã, o destaque vai para a haitiana Moonlight Benjamin, uma cantora que junta ritmos tradicionais africanos e caribenhos com um toque de rock e blues. Aliás, Moonlight é uma artista que nos atira para o universo do transcendente e do vodu, não fosse ela sacerdotiza da religião proveniente de África. Sem dúvida que este é um concerto a não perder e que tem lugar também no palco principal no festival, no Knuedler, às 18h15.

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Além do brasileiro Fabiano Santano, há outro lusófono na programação: o dj Mokambo proveniente da Bélgica é de origem portuguesa e compete-lhe a ele dar música ao público entre os intervalos dos concertos. Espera-se mais afrobeat. 

O festival MeYouZik insere-se no programa Summer in The City dinamizado pela cidade do Luxemburgo. 

O programa completo pode ser visto aqui.

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