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Festival do Filme Brasileiro traz Johnny Massaro ao Grão-Ducado
Pieca Levy, presidente da organização, fala ainda da presença do ator João Pedro Zappa e sobre a “preocupante situação” no Brasil.

Festival do Filme Brasileiro traz Johnny Massaro ao Grão-Ducado

Foto: Laurent Ludwig
Pieca Levy, presidente da organização, fala ainda da presença do ator João Pedro Zappa e sobre a “preocupante situação” no Brasil.
Cultura 3 min. 02.05.2018

Festival do Filme Brasileiro traz Johnny Massaro ao Grão-Ducado

A presidente do Festival do Filme Brasileiro, que começa hoje e termina no dia 9, revela otimismo para esta edição 7 e destaca dois convidados. “Hoje à noite, na abertura, no Kinepolis Kirchberg, vai estar o ator Johnny Massaro que contracena com Bruna Linzmeyer, em O Filme da Minha Vida, dirigido por Selton Mello. Vai conversar com o público após a projeção do filme e, durante o cocktail logo a seguir, estará acessível para uma abordagem mais próxima. Massaro hoje é uma grande estrela no Brasil, encarnando Rodolfo na novela da Globo ’Deus Salve o Rei’”, explica.

No encerramento do festival, dia 9, no CNA em Dudelange, “o ator João Pedro Zappa apresentará o filme Gabriel e a Montanha, dirigido por Felipe Gamarano Barbosa, no qual vive o personagem central. Também neste caso os espectadores podem conversar com o convidado num debate após a exibição e também durante o cocktail que se seguirá”.

Para lá dos convidados que chegam do Brasil, artistas brasileiros radicados no Luxemburgo vão marcar presença. “É o caso por exemplo dos músicos de ’A Trupe’, um grupo que fará apresentações na abertura e no encerramento, trazendo o melhor da música brasileira para o evento”, acrescenta.

Este ano, Pieca também gostaria de ter “Selton Mello, que é um grande diretor, mas infelizmente as obrigações de filmagem impediram-no de se deslocar”. Mas o seu maior sonho é trazer a atriz Fernanda Montenegro. “Acho que vou continuar sonhando”, admite com humor.

Sobre as expetativas para esta edição, Pieca Levy refere: “Até 2016 o festival acontecia no outono, sempre em novembro, a meio de uma série de outros bons festivais de cinema aqui. Desta vez apostamos na primavera, nos dias mais longos e cheios de energia. Esperamos que o público continue fiel como tem sido desde 2011. E esperamos igualmente que o público lusófono continue a crescer”.

E constata: “No princípio o público lusófono quase não vinha. A partir de 2015 percebe-se um nítido crescimento, em especial de brasileiros e portugueses. Mas ainda é minoria e temos investido muito na publicidade nessas comunidades”.

Na experiência da presidente do festival estão “salas esgotadas logo na edição inaugural com apenas quatro filmes numa sala”, sessões de abertura e fecho “mais procuradas e esgotando depressa” e até já aconteceu “recusar espectadores por falta de lugares disponíveis”.

Diversidade e divulgação

Quanto às motivações que a levaram a organizar o evento, Levy explica: “Sou muito interessada por cinema. Depois de tantos anos no Luxemburgo, senti que havia uma lacuna na divulgação da cultura brasileira. Percebi que a imagem do Brasil veiculada aqui fora era muito restrita e estereotipada. O Brasil tem o tamanho de um continente, cada região com características culturais próprias, o que resulta num dos países de maior diversidade cultural e social do planeta”, indica.

“Mas essa diversidade é pouco difundida. Pouco se conhece das diversas realidades do povo brasileiro, pouco se fala da literatura e da produção cultural e intelectual do nosso vasto país. Organizar um festival de cinema implica abrir as portas para que a nossa cultura seja valorizada”, diz.

Na questão dos apoios, a responsável admite que, “todos os anos, trava-se uma dura batalha”. Porém, “a construção de uma imagem de marca, graças ao trabalho transparente, ao profissionalismo e à seriedade, permitiu uma relação de confiança entre os parceiros mais fiéis e a equipa do festival”.

Em termos gerais, “o Grão-Ducado ocupa um lugar importante no mundo da produção audiovisual, a julgar pelos muitos prémios nos principais festivais internacionais pelos cineastas luxemburgueses. Há mais ou menos 20 empresas produtoras locais, das quais muitas produzem longas metragens e alguns estúdios de animação que levaram o país até ao tapete vermelho de Hollywood. Nada mal para um pequeno país de 600 mil habitantes”.

Voluntária ha 17 anos na ASTM, Levy trabalha “no setor de projetos de solidariedade, fazendo a gestão dos projetos sociais desenvolvidos no Brasil”. Agora acompanha o Movimento das Comunidades Populares, presente em 14 estados do Brasil e considera-o “um trabalho enriquecedor sob o ponto de vista humano, em especial nas missões de acompanhamento às comunidades in loco”.

Apesar da distância, Pieca Levy confessa-se preocupada com a situação social e política no Brasil. “É uma crise sem precedentes. O ano de 2015 foi marcado pela crise económica, mas há sinais de ligeira recuperação. Só que a situação política do país é catastrófica. Há 33 anos, quando saímos de um regime ditatorial militar, estávamos movidos por ideais de liberdade e de democracia. A minha geração foi para as ruas e lutávamos pelos direitos fundamentais para todos. Hoje só se fala em corrupção, os políticos só visam o lucro pessoal e os movimentos sociais esvaziaram-se. Faltam líderes, força popular, políticos sérios e valores de honestidade e respeito”, comenta.

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