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Festival de Cannes. Tapete sem selfies
Cultura 2 min. 18.04.2018 Do nosso arquivo online

Festival de Cannes. Tapete sem selfies

Festival de Cannes. Tapete sem selfies

Cultura 2 min. 18.04.2018 Do nosso arquivo online

Festival de Cannes. Tapete sem selfies

António Raúl VAZ PINTO DA CUNHA REIS
António Raúl VAZ PINTO DA CUNHA REIS
Os títulos da seleção oficial da 71ª edição do Festival Internacional de Cinema de Cannes foram revelados na semana passada durante a conferência de imprensa conduzida pelo diretor artístico do certame, Thierry Frémaux, e Pierre Lescure, presidente do festival.

Mais do que sobre os filmes selecionados, os jornalistas “obrigaram” os responsáveis do festival a falarem mais de meia hora sobre a proibição de tirar selfies no tapete vermelho. A decisão fora tomada e divulgada dias antes. Os jornalistas fizeram-se porta-vozes da surpresa que houve, sobretudo nas redes sociais. Frémaux e Lescure defenderam a interdição de selfies, justificando a posição com “questões de segurança”, “para evitar perder tempo no tapete vermelho e não atrasar as projeções” e mesmo por “questão de classe”. Frémaux acha que selfies não correspondem ao “nível” do festival de Cannes.

Os jornalistas não ficaram contentes com outra novidade: o fim das projeções destinadas à imprensa horas antes, ou na véspera, das oficiais. Parece que as opiniões dos críticos, publicadas cada vez mais depressa, podem influenciar o público da projeção da competição e até (que horror!) aborrecer os cineastas e as suas equipas.

Voltemos ao que conta: os filmes que vão disputar a Palma de Ouro. Entre os mais conhecidos na corrida encontram-se, entre outros, Spike Lee, com “Blackkklansman”, o italiano, habitual convidado do festival, Matteo Garrone com “Dogman”, Pawel Pawlikowski com “Cold War” ou Jean-Luc Godard com “Le Livre d’images”. “Everybody Knows”, do iraniano Asghar Farhadi, será o filme de abertura e outro iraniano, Jafar Panahi, está nos selecionados oficiais. Como nas edições transatas a lista de filmes a concurso (ver caixa) pode aumentar.

Seria ótima uma “surpresa portuguesa” mas será pouco provável. Em 2018 os portugueses terão de se contentar com a presença no evento paralelo da ACID (estrutura que apoia o cinema independente) e que propõe uma “ACID trip” a Portugal para mostrar o cinema luso. Os filmes selecionados pela associação portuguesa de realizadores para esta viagem cinematográfica a Portugal foram “Colo”, de Teresa Villaverde, “Terra Franca”, de Leonor Teles, e “Verão Danado”, de Pedro Cabeleira. E a organização prevê uma mesa redonda sobre cinema português. Também os filmes “Diamantino”, de Gabriel Abrantes e Daniel Schmidt, e “Amor, Avenidas Novas”, de Duarte Coimbra, foram selecionados para a Semana da Crítica, um dos programas paralelos do festival francês que decorre de 8 a 19 de maio.


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