Festival de Cannes: O maior festival de amigos no mundo
O Festival Internacional do Filme foi criado por iniciativa de Jean Zay, ministro da Instrução Pública e das Belas Artes francês, que desejava implantar em França um evento cultural internacional capaz de rivalizar com a Mostra de Veneza.
Embora as primeiras edições do Festival façam dele um evento mundano durante o qual quase todos os filmes levam um prémio, a chegada de estrelas de todo o mundo aos seus degraus e a sua mediatização incessante forjam-lhe rapidamente uma fama internacional e lendária.
Desde então a atração do festival tem sido construída, junto do público, com base na presença de celebridades e, junto da crítica, como uma mostra do novo cinema.
“O Festival de Cannes é um festival de arte cinematográfica. Todos os anos, no mês de maio, tiramos uma espécie de fotografia, ao mesmo tempo efémera e duradoura, quando adicionamos os anos, daquilo que é a Arte do Cinema”, disse Thierry Frémaux, o patrão artístico, nomeado em 2007.
Apesar de mudarem os nomes, o festival manteve a mesma abordagem no que diz respeito à forma como encara as questões artísticas e os mesmos realizadores repetem-se ao longo dos anos.
Alguém fez as contas e afirma que nos últimos 20 anos de seleção oficial, repetem-se os nomes de menos de 70 realizadores. Esta abordagem fechada de que o festival de Cannes é acusado parece não prejudicar a imagem do evento.
A missão definida pelos seus dirigentes não é respeitada por funcionar em circuito fechado, pelo menos no que respeita aos nomes que participam nos dois grandes concursos que são a seleção oficial e a secção Un Certain Regard.
A edição de 2017, que começa daqui a um mês, volta a trazer sobretudo nomes “repetidos”.
Veja aqui a lista de filmes em competição (com asterisco os realizadores que já estiveram em Cannes):
- Loveless, de Andrey Zvyagintsev*;
- Good Time, des frères Safdie;
- You Were Never Really Here, de Lynne Ramsay*;
- L’amant double, de François Ozon*;
- Jupiter’s Moon, de Kornel Mundruczo*;
- A Gentle Creature, de Sergei Loznitsa*;
- Mise à mort du cerf sacré, de Yorgos Lanthimos*;
- Radiance, de Naomi Kawase*;
- The Day After, de Hong Sangsoo*;
- Le redoutable, de Michel Hazanavicius*;
- Wonderstruck, de Todd Haynes*;
- Happy End, de Michael Haneke*;
- Rodin, de Jacques Doillon*;
- The Beguiled, de Sofia Coppola*;
- 120 battements par minutes, de Robin Campillo; Okja, de Bong Joon-Ho;
- In The Fade, de Fatih Akin*;
- The Meyrowitz Stories, de Noah Baumbach*.
Raúl Reis
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