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Festival de Cannes. Don Quixote, The Man
 “The Man Who Killed Don Quixote”, o filme que Paulo Branco diz ser seu, pode causar escândalo na Croisette.

Festival de Cannes. Don Quixote, The Man

“The Man Who Killed Don Quixote”, o filme que Paulo Branco diz ser seu, pode causar escândalo na Croisette.
Cultura 2 min. 09.05.2018

Festival de Cannes. Don Quixote, The Man

António Raúl VAZ PINTO DA CUNHA REIS
António Raúl VAZ PINTO DA CUNHA REIS
Quando, em março, começaram a descobrir-se os filmes presentes no Festival de Cannes de 2018, lamentou-se a falta de obras portuguesas. Hoje sabemos que Portugal está bem representado no festival que ontem começou e até pode estragar a festa.

O filme de encerramento do festival é “The Man Who Killed Don Quixote” de Terry Gilliam. Uma obra dita maldita e que está na origem de uma disputa entre o produtor português Paulo Branco e o realizador. O português anunciou que vai impedir a projeção em Cannes através dos tribunais. O projeto esteve para ser uma produção de Paulo Branco, que não avançou por problemas de financiamento, o que levou a uma zanga pública com o realizador norte-americano Terry Gilliam, que o tenta fazer há quase 20 anos.

O filme de Terry Gilliam está agendado para o dia 19 de maio, devendo ser projetado após a cerimónia de entrega dos prémios. “O Homem que Matou Dom Quixote” foi o primeiro a beneficiar, no início de 2017, do sistema de incentivos fiscais criado pelo governo para atrair produções cinematográficas. Nas rodagens em Portugal houve polémica, pois os produtores foram acusados de ter feito estragos no Convento de Cristo em Tomar.

Os programadores da secção paralela do festival da ACID levam à Croisette três obras portuguesas: “Colo”, de Teresa Villaverde, “Terra Franca”, de Leonor Teles, e “Verão Danado”, de Pedro Cabeleira.

Os filmes “Diamantino”, de Gabriel Abrantes e Daniel Schmidt, e “Amor, Avenidas Novas”, de Duarte Coimbra, foram selecionados para a Semana da Crítica do Festival. Criada em 1962 para revelar novos talentos, é uma iniciativa do Sindicato Francês dos Críticos de Cinema.

João Salaviza, que já conheceu o prazer de ganhar uma Palma de Ouro em 2009, levou até França o filme “Chuva é cantoria na aldeia dos mortos”, co-realizado com Renée Nader Messora. O documentário de Salaviza, rodado numa comunidade indígena no Brasil, integra a secção Un Certain Regard.

No âmbito das projeções de clássicos, o festival escolheu uma obra portuguesa velhinha de 36 anos. “A Ilha dos Amores” de Paulo Rocha é projetada hoje, quarta-feira.

Mas a maior surpresa da “seleção nacional” aparece com uma coprodução entre Portugal e o Brasil. “O grande circo místico”, do realizador Cacá Diegues, é produzido pela lisboeta Fado Filmes, de Luís Galvão Teles. O realizador e produtor português trabalhou durante duas décadas no Luxemburgo, onde assinou algumas produções com a Samsa Films. O filme, rodado em Portugal com o apoio do Circo Vítor Cardinali e a construção de uma aldeia e tenda de circo para as filmagens, é uma das projeções especiais da seleção.

“O grande circo místico” conta com um elenco internacional de atores franceses (Vincent Cassel, Catherine Mouchet), portugueses (Nuno Lopes, Luísa Cruz, Albano Jerónimo, David Almeida), brasileiros (António Fagundes, Mariana Ximenes, Juliano Cazarré, Jesuíta Barbosa, Bruna Linzmeyer, Luiza Mariani) e um polaco (Dawid Ogrodnike).


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