Festival de Cannes 2015 : Cinema para Paris
Festival de Cannes 2015 : Cinema para Paris
Dizia-se em Portugal, a partir dos anos 70, que muitos dos nossos cineastas faziam filmes para mostrar em Paris em vez do nosso país. A expressão foi cunhada para definir, ironicamente, o cinema português que recebia influências da nova vaga francesa e de outras tendências que se seguiram.
O cinema português era acusado – depois de ter sido popular e orientado para o público – de produzir filmes que tinham por objectivo agradar aos festivais.
Portugal produziu muitos filmes de sucesso e o cinema luso continuaria a ter presença mais marcante nos festivais do que no mercado se não fossem as televisões. Tanto a RTP como os canais privados apostaram, a partir da década de 90, na produção ou no apoio a projectos de cinema destinado a um grande público e, obviamente, ao pequeno ecrã.
Nos festivais, Manoel de Oliveira foi o primeiro a conhecer o êxito internacional, seguindo-se outros nomes como João César Monteiro, Teresa Villaverde, Pedro Costa e mais recentemente Miguel Gomes.
Este último tornou-se um ’habitué’ de Cannes e um favorito em Berlim com ’Meu querido mês de Agosto’ e ’Tabu’. Este ano, Gomes vai até à Quinzena dos Realizadores, em Cannes, para apresentar o seu novo trabalho ’Mil e uma noites’.
Miguel Gomes, apesar de ser um novo cineasta, já tem lugar cativo nos festivais, sendo sobretudo um dos meninos queridos de Cannes.
Todos os festivais têm os seus favoritos e Cannes é talvez o certame mais fiel aos seus cineastas. A selecção de 2015 confirma essa tendência com um ramalhete de autores que passam pela ’Croisette’ sempre que fazem um filme ou que, inclusivamente, lançaram a sua carreira graças a uma presença em Cannes.
Talvez não seja exacto que alguns dos realizadores e produtores tenham apenas em mente a presença nos festivais quando lançam um projecto, mas é natural que essa tendência se acentue, já que os grandes festivais são uma excelente forma de promoção de um filme, ultrapassada apenas pelos Óscares. Assim, dizer hoje que se faz cinema para Paris pode ser uma boa maneira de também criar películas para serem vistas em Lisboa.
Este festival de Cannes vai ter Joel e Ethan Coen como presidentes do júri. Sienna Miller, Jake Gyllenhaal, Sophie Marceau e Rossy de Palma são os actores que participarão no júri, que conta ainda com dois realizadores, Xavier Dolan e Guillermo del Toro, e um compositor, o maliano Rokia Traoré.
Veja aqui a selecção oficial do 68° festival de cinema de Cannes:
– “La Tête Haute”, de Emmanuelle Bercot (Fora de competição e filme de abertura)
– “Dheepan”, de Jacques Audiard
– “La Loi du Marché”, de Stéphane Brizé
– “Marguerite et Julien”, de Valérie Donzelli
– “The Tale of Tales”, de Matteo Garrone
– “Carol”, de Todd Haynes
– “The Assassin”, de Hou Hsiao-Hsien
– “Mountains May Depart”, de Jia Zhang-ke
– “Umimachi Diary”, de Hirokazu Kore-Eda
– “Macbeth”, de Justin Kurzel
– ”The Lobster”, de Yorgos Lanthimos
– “Mon Roi”, de Maïwenn
– “Mia Madre”, de Nanni Moretti
– “Son of Saul”, de László Nemes
– “Youth”, de Paolo Sorrentino
– “Louder than Bombs”, de Joachim Trier
– “The Sea of Trees”, de Gus Van Sant
– “Sicario”, de Dennis Villeneuve
– “Chronic”, de Michel Franco
– “Valley of Love”, de Guillaume Nicloux
– “Irrational Man”, de Woody Allen (fora de competição)
– “Divertida Mente”, de Pete Docter e Ronaldo Del Carmen (fora de competição)
– “Mad Max: Estrada da Fúria”, de George Miller (fora de competição)
– “O Pequeno Príncipe”, de Mark Osborne (fora de competição)
Raul Reis
