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Fast & Furious 7: Venha o próximo
Cultura 4 min. 15.04.2015 Do nosso arquivo online

Fast & Furious 7: Venha o próximo

Meninos e meninas: Não façam isso em casa!

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Cultura 4 min. 15.04.2015 Do nosso arquivo online

Fast & Furious 7: Venha o próximo

Por Raúl Reis - A sétima tirada de “Fast & Furious” é uma porcaria. Eu sei que os recordes de bilheteira dizem que há milhões de pessoas que não estão de acordo comigo, mas eu insisto: há muito tempo que não via um filme tão mau.

Por Raúl Reis - A sétima tirada de “Fast & Furious” é uma porcaria. Eu sei que os recordes de bilheteira dizem que há milhões de pessoas que não estão de acordo comigo, mas eu insisto: há muito tempo que não via um filme tão mau.

No momento em que escrevo, a facturação nas bilheteiras de cinema de todo o planeta já ultrapassou os 800 milhões de dólares, mas eu continuo na minha: o filme é péssimo.

Antes de os fãs da saga se zangarem comigo, deixem-me explicar as minhas razões.

Quero dizer que gosto muito de carros e que acho que os automóveis tornam o cinema mais belo e interessante. Há filmes que nunca teriam ficado para a História sem os protagonistas motorizados e ninguém aprecia mais uma perseguição automóvel do que eu.

“Fast & Furious 7” tem como estrelas muitos e belíssimos carros. A lista é infindável e de sonho. Mas os abusos a que sujeitam os veículos são demasiado violentos para o meu sensível coração.

Há carros a saltar de pára-quedas. Há carros a levarem com uma centena de balázios e a continuar a andar sem qualquer perturbação. Há carros a descerem encostas de montanhas a pique. Há mesmo carros a saltarem de penhascos, lançando-se no vazio. E, acreditem, há um carro que salta de uma torre de apartamentos no Médio Oriente para aterrar noutro arranha-céus ao lado. Esta última cena faz pensar no 11 de Setembro, ou mesmo numa espécie de vingança desse episódio macabro da História. Em Abu Dhabi, os protagonistas de “Fast & Furious 7” destroem um belíssimo automóvel que vale milhões fazendo-o atravessar três edifícios como se se tratasse de um avião pilotado por jihadistas.

As personagens do filme são ainda mais resistentes do que os automóveis em que circulam. Tombos, explosões, rajadas de metralhadora não chegam para parar os heróis de “Fast & Furious 7”. Se nas anteriores tiradas da saga os heróis eram fortes, nesta sétima edição todos os homens – e mesmo as mulheres – resistem a tudo. Levar com uma barra de metal na cabeça é perfeitamente normal e parece não provocar dores. Os pontapés nas pernas e nos joelhos dos protagonistas já nem sequer surtem efeito e então dos socos na cara nem se fala.

As emoções das personagens também são caricaturadas a um tal ponto que é difícil compreendê-las. A principal carga emocional vem da amnésia de Letty (Michelle Rodriguez) que, apesar de não saber quem é e o que faz ali, decide bater-se pelo grupo de amigos de Dominic Toretto (Vin Diesel). As motivações das diferentes personagens resumem-se com uma palavra: vingança.

A personagem interpretada por Jason Statham, o britânico Deckard Shaw, quer vingar o seu irmão. Os amigos de Dominic Toretto deixaram-no em coma no final de “Fast & Furious 6”. E Dominic quer vingar o facto de o britânico ter morto o seu amigo japonês, para além de parecer decidido a arrumar definitivamente com a família Shaw.

É muito difícil saber o que pensa a personagem interpretada por Vin Diesel porque ele não sabe falar. Cada vez que Dominic diz alguma coisa somos obrigados a ler as legendas. Vin Diesel é um péssimo actor quando tem de falar e quando não fala tem uma expressão idêntica para todas as suas emoções. Diesel consegue o feito de deixar o espectador com a impressão de que Dwayne Johnson – por comparação – é um bom actor.

“Fast & Furious 7” acumula nomes importantes e acolhe, além de Jason Statham, a novidade Kurt Russell. O actor é uma lufada de ar fresco no meio de tanta gente com ar aborrecido.

Este sétimo filme da saga “Fast & Furious” é, inevitavelmente, uma homenagem póstuma a Paul Walker. O destino quis que, ironicamente, o actor morresse dentro de um carro ainda antes de terminar a rodagem de “Fast & Furious 7”. O público não consegue alhear-se desta realidade e os criadores da película não resistiram a fazer uma homenagem final ao malogrado actor.

“Fast & Furious 7” é um mau filme mas não senti o tempo passar. Ri-me com as incoerências e sorri com os muitos excessos que fazem pensar que estamos perante um realismo de cinema de animação. Alguém comparou as personagens deste filme ao coiote da série “Road Runner”: depois de cair num abismo e levar com um peso de uma tonelada em cima, o pobre coiote levanta-se e volta a perseguir o “bip bip”. As personagens de “Fast & Furious 7” são iguais, e tal como nos desenhos animados do coiote, o público acaba por desenvolver uma certa empatia com os bonecos.

Reconheço que temi pelo bem-estar de Dom, Letty, e da “hacker” Ramsey. Admito que me agarrei à cadeira quando os protagonistas se lançaram da janela do arranha-céus ao volante do Lykan HyperSport. Confesso que saí da sala com vontade de fazer passagens de caixa a martelo e de ir acelerar para as estradas perdidas do norte. Já agora, quando é que sai o “Fast & Furious 8”?

Raúl Reis

“Fast & Furious 7” de James Wan, com Vin Diesel, Paul Walker, Dwayne Johnson, Michelle Rodriguez, Jordana Brewster, Tyrese Gibson, Chris “Ludacris” Bridges, Elsa Pataky, Lucas Black, Jason Statham, Djimon Hounsou, Tony Jaa, Ronda Rousey e Kurt Russell.


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