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Exposição sobre Aristides Sousa Mendes inaugura no Luxemburgo
Cultura 3 min. 28.11.2019

Exposição sobre Aristides Sousa Mendes inaugura no Luxemburgo

Exposição sobre Aristides Sousa Mendes inaugura no Luxemburgo

Foto: Wikipédia
Cultura 3 min. 28.11.2019

Exposição sobre Aristides Sousa Mendes inaugura no Luxemburgo

Henrique DE BURGO
Henrique DE BURGO
O antigo cônsul português de Bordéus ajudou a salvar milhares de pessoas do Holocausto, incluindo a família grã-ducal.

O antigo cônsul português de Bordéus, Aristides de Sousa Mendes, que ajudou a salvar milhares de pessoas do Holocausto e a família grã-ducal do regime nazi, vai ser relembrado numa exposição inaugurada esta quarta-feira, 28 de novembro, nos Arquivos Nacionais do Luxemburgo, na capital.

A exposição, que conta com o alto patrocínio do casal Grão-Ducal e do Presidente da República portuguesa, vai estar patente ao público entre 28 de novembro e 22 de fevereiro de 2020.  

A mostra acontece no âmbito da presidência luxemburguesa da Aliança Internacional para a Memória do Holocausto e da recente integração de Portugal neste organismo. Segundo o organizador, os Arquivos Nacionais do Luxemburgo, o objetivo passa por "destacar as relações entre o Luxemburgo e Portugal", através de uma exposição consagrada ao herói português.

Em plena Segunda Guerra Mundial, Aristides de Sousa Mendes (1885-1954) emitiu em Bordéus, França, vistos sem autorização do governo português, na altura dirigido por António de Oliveira Salazar. A sua atitude corajosa e desafiadora permitiu salvar milhares refugiados de guerra, bem como milhares de judeus do Holocausto. Entre essas pessoas encontram-se vários membros da  família grã-ducal, depois de o Luxemburgo ter sido ocupado pelos alemães.

Em 1940, entre os "fugitivos" que receberam em Bordéus um visto para chegar a Lisboa estava a Grã-Duquesa Charlotte, o seu marido, o príncipe Félix, e os filhos, entre eles o futuro Grão-Duque Jean (falecido a 23 de abril deste ano), além de membros do governo luxemburguês de então, que procuravam exílio.

A família grã-ducal entrou em Portugal no dia 23 de junho desse ano, através da fronteira de Vilar Formoso, rumo a Coimbra, Buçaco e mais tarde a Cascais. Depois seguiria a viagem até ao Canadá, passando por Londres e pelos Estados Unidos.


Jean do Luxemburgo, o bisneto de um rei português que foi herói nacional
Neto de Maria Ana de Bragança, filha do rei português D. Miguel, Jean do Luxemburgo assistiu aos acontecimentos mais importantes do seu país durante os seus 98 anos de vida. E não foi apenas uma testemunha passiva da História. O ex-soberano, falecido na madrugada de terça-feira, lutou para libertar o Grão-Ducado junto do Exército britânico, depois de uma fuga para o exílio que passou por Portugal.

A Grã-Duquesa Charlotte agradeceu em 1968, a título póstumo, a ação de Aristides de Sousa Mendes, através de uma carta: "Será para sempre lembrado pelos refugiados luxemburgueses e a minha própria família, que foram salvos, pela sua iniciativa, de uma perseguição certa e puderam assim chegar a países livres", como documentam os Arquivos Nacionais.

Além da família grã-ducal, milhares de refugiados de guerra e judeus luxemburgueses conseguiram entrar em Portugal através de Vilar Formoso, fronteira que ficou também conhecida pelo bloqueio da passagem a um comboio com 293 refugiados judeus provenientes do Luxemburgo, a 11 de novembro de 1940.

Cinquenta desses passageiros acabariam por morrer em Auschwitz, uma história publicada pelo Contacto em 2016, à margem da apresentação do livro "O Comboio do Luxemburgo", das investigadoras Irene Flunser Pimentel e Margarida Ramalho.

Questão parlamentar sobre homenagem sem resposta

A questão da homenagem ao cônsul português foi retomada em 2013, com um grupo de portugueses e luxemburgueses a fundar o "Cercle Culturel Aristides de Sousa Mendes", precisamente com esse fim. Cinco ano depois, em outubro do ano passado, o deputado Fernand Kartheiser, do ADR, dirigiu uma questão parlamentar ao primeiro-ministro e ministro de Estado Xavier Bettel, defendendo que o Luxemburgo pode fazer ainda mais para honrar e perpetuar a memória de Sousa Mendes, por ter salvo a família grã-ducal.

"Se ele não tivesse ajudado a família grã-ducal, o governo no exílio e numerosos cidadãos luxemburgueses, a história do Luxemburgo poderia ter tomado outra viragem", disse na altura o deputado do ADR. "Espero que ruas ou praças tenham o seu nome, que receba uma importante homenagem póstuma e que o seu nome figure nos nossos livros de história", propôs Kartheiser. Mas as propostas do deputado não tiveram resposta do governo.


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