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Broken Secrets. A liberdade fotografada
Cultura 4 3 min. 20.06.2021
Exposições

Broken Secrets. A liberdade fotografada

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Broken Secrets. A liberdade fotografada

Foto: DR
Cultura 4 3 min. 20.06.2021
Exposições

Broken Secrets. A liberdade fotografada

Vanessa CASTANHEIRA
Vanessa CASTANHEIRA
Quatro histórias fotografadas a partir da premissa do que seria a liberdade, para ver até dia 11 de julho na Abadia de Neumünster.

Há uma ligação e interação entre uma família deportada, usuários das redes sociais, uma comunidade iraniana emigrante e os arquivos da Escola das Américas. Têm segredos agora revelados e sentido de liberdade. Esta é a história de Broken Secrets, a exposição patente até dia 11 de julho na Abadia de Neumünster. 

O fotógrafo Georgs Avetsjans fez o percurso de deportação dos avós no transiberiano. Pelo caminho registou fotograficamente os locais por onde os avós passaram. Com uma fotografia mais clássica, a iraniana Negar Yaghmaian registou uma comunidade iraniana emigrante no sul da India e o seu quotidiano. Fotografou não apenas a comunidade, mas também o visível aos seus olhos. Já George Selley, num registo de fotografia diferente e de arquivo, mostra documentos da Escola das Américas, um estabelecimento de ensino conhecido pelo seu treino militar e de radicalização, onde estudaram alguns ditadores sul-americanos do século XX como Manuel Noriega e Omar Torrijos do Panamá ou o equatoriano Guillermo Rodriguez, entre outros. Com um registo mais contemporâneo, Yuxin Jiang procurou fotografias partilhadas nas redes com a particularidade de selecionar apenas imagens com mensagens adjacentes. 

Se à partida as quatro histórias nada têm em comum, certo é que foram fotografadas a partir da premissa do que seria a liberdade. A visão e entendimento e histórias jamais reveladas de cada um dos fotógrafos foi o objeto principal para “Broken Secrets”, a exposição de fotografia da curadora chilena Javiera Cadiz. 

As histórias independentes nasceram do diálogo com a Cadiz, onde cada um dos artistas, de diferentes cidades do mundo, tiveram a oportunidade de trabalhar as suas ideias sob um tema comum. 

Mais que a consciência e perceção individual de liberdade de cada um dos fotógrafos, “Broken Secrets” toca em questões coletivas como a migração, a radicalização ideológica e a opressão. São trabalhos atuais com temas atuais. São segredos escondidos que agora são partilhados e denunciados. 

Para Nuno Salgado, diretor artístico da Parallel, a plataforma organizadora de “Broken Secrets”, “a exposição desnuda histórias e momentos privados, segredos e anseios ao mesmo tempo que dá espaço para o pensamento livre dos fotógrafos”. “Como artistas de diferentes nacionalidades e com diferentes experiências, cada um tem a sua perceção, abordagem e visão, “Broken” acaba por ser uma exposição abrangente com diferentes expressões artísticas e olhar criativo de cada um deles”, explicou. 

A Parallel é uma plataforma, financiada por fundos europeus, que reúne cerca de 100 fotógrafos. 

Questionado sobre a importância deste tipo de organização no meio, Nuno Salgado é perentório em afirmar que “o objetivo principal é trazer sangue novo ao mesmo tempo que dá espaço aos novos artistas que sentem a necessidade de expôr e que não têm espaço”. Num momento em que a imagem ganha nova importância e populariza-se, sendo inclusive uma arte de massas e de utilização massiva com a incorporação de câmaras fotográficas nos telefones, Nuno Salgado assume que “há altualmente uma valorização das artes visuais”. 

Com registos fotográficos únicos e originais para a “Broken Secrets”, a exposição pode ser vista até dia 11 de Julho, na Abadia de Neumünster, o centro cultural na cidade do Luxemburgo que apresenta sempre uma agenda cultural baseada no espírito crítico, de manifesto e de igualdade.

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A sua obra tem sido exposta um pouco por todo o mundo e esteve em várias Bienais (São Paulo, Veneza, Berlim e Sydney). Radicado em Londres há mais de quatro décadas, João Penalva recorda os tempos de bailarino, como foi trabalhar com Pina Bausch e Gerhard Bohner, mas também a transição para as artes visuais. Aos 69 anos tem a primeira exposição individual no Luxemburgo com obras que ficam até setembro no Mudam. E fala do regresso à dança como diretor artístico e da relação com Portugal.
Jãao Penalva.