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"Été 85". Verões à moda antiga
Cultura 2 min. 25.07.2020

"Été 85". Verões à moda antiga

"Été 85". Verões à moda antiga

Foto: Divulgação
Cultura 2 min. 25.07.2020

"Été 85". Verões à moda antiga

António Raúl VAZ PINTO DA CUNHA REIS
António Raúl VAZ PINTO DA CUNHA REIS
Depois de encenar um caso verídico de pedofilia protagonizado por um padre católico, François Ozon regressou com “Été 85”, filme selecionado para o Festival de Cinema de Cannes, que escolheu a película para a seleção oficial virtual do evento, que este ano foi cancelado por causa da pandemia de covid-19. O filme de Ozon é também o primeiro filme de Cannes 2020 a ser lançado nos cinemas franceses.

Na apresentação do filme nas salas o realizador francês confessou que depois de todo este período de confinamento tinha vontade de regressar às salas de cinema. Disse que estava cansado de ver um filme no pequeno ecrã, num computador, ou em plataformas de streaming. Por isso aguardava com expectativa o momento em que fosse possível voltar às salas.

Antes disso, quando Ozon soube que Cannes queria dar ao filme o selo do festival, o realizador e escritor não hesitou em programar imediatamente a saída para o momento em que os cinemas abrissem, estando assim entre as poucas estreias do pós-confinamento.

“Été 85” baseia-se no livro de culto “Dance on my Grave” do escritor britânico Aidan Chambers. François Ozon diz ter lido o romance quando foi lançado na década de 80, ao som dos The Cure.

A história de amor que conta o livro e o filme passa-se entre dois rapazes mas é uma história universal. São dois rapazes, mas podiam ser duas raparigas, ou um rapaz e uma rapariga. Ozon considera a história especial porque – insistiu em todas as entrevistas que deu -, nos anos 80, o livro foi bastante moderno para a época porque, nessa altura, era complicado assumir uma relação homossexual.

O filme é fiel ao livro. Parece que essa foi uma das preocupações do realizador que quis reproduzir o espírito do romance de iniciação, de aprendizagem, assim como o ambiente pictórico dos anos 80. Ozon, um realizador sempre surpreendente, adota em “Été 85” os códigos dos “teen movies”, abertamente à americana, e filma com uma simplicidade clássica que acaba por reforçar o impacto da obra.

Ozon admitiu mais do que uma vez que, além do respeito pelo livro, queria fazer um filme agradável de ver. O realizador queixou-se repetidas vezes de que o cinema da época retratava a homossexualidade de forma pesada, dolorosa e sombria. Mas não é por ser um filme “agradável de ver” que “Été 85” é um filme simples ou ligeiro. A película começa com imagens quase estereotipadas da adolescência para gradualmente aprofundar sentimentos e as próprias personagens, para um resultado final de grande qualidade.

Além das qualidades de realização de Ozon, os dois jovens atores que encarnam as personagens principais têm uma enorme influência no resultado final de “Été 85”. Félix Lefebvre e Benjamin Voisin assinam belíssimas prestações mas demonstram sobretudo uma cumplicidade rara.

O filme, que está neste momento nas salas luxemburguesas, foi lançado a 14 de julho em França, dia de feriado nacional, como forma de comemoração do regresso ao cinema. Em setembro será apresentado na seleção oficial do Festival de Cinema de San Sebastián.

“Été 85” de François Ozon, com Félix Lefebvre, Benjamin Voisin, Philippine Velge, Valeria Bruni-Tedeschi, Melvil Poupaud e Isabelle Nanty. 

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