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Escolha de Marco Godinho para Bienal de Veneza "é boa notícia" para portugueses
Cultura 2 min. 08.06.2018 Do nosso arquivo online

Escolha de Marco Godinho para Bienal de Veneza "é boa notícia" para portugueses

Marco Godinho

Escolha de Marco Godinho para Bienal de Veneza "é boa notícia" para portugueses

Marco Godinho
Foto: Paulo Lobo
Cultura 2 min. 08.06.2018 Do nosso arquivo online

Escolha de Marco Godinho para Bienal de Veneza "é boa notícia" para portugueses

O artista português Marco Godinho, escolhido para representar o Luxemburgo na Bienal de Veneza em 2019, disse à Lusa que a nomeação "é o reconhecimento" do seu trabalho e "uma boa notícia para os portugueses".

"Soube há pouco, e estou tão contente que nem sei o que dizer", começou por admitir o artista plástico à Lusa, ao telefone, entre o Luxemburgo e Bruxelas, onde hoje inaugurou uma exposição na galeria LMNO.

"Para mim é um bom momento: abri hoje uma exposição em Bruxelas, vou para o Canadá na terça, e [Veneza] é uma oportunidade para dar a conhecer o meu trabalho a uma escala mais internacional", afirmou.

Filho de imigrantes no Grão-Ducado, com dupla nacionalidade, Marco Godinho considerou também que a sua nomeação "é uma boa notícia para os portugueses no Luxemburgo, porque é uma forma também de integração".

Marco Godinho
Marco Godinho
Foto:Guy Jallay

O artista plástico afirmou ainda estar "muito satisfeito" com o reconhecimento do seu trabalho, que procura "defender valores" e "uma certa ideia poética e política sobre a imigração".

O projeto para o pavilhão do Luxemburgo na Bienal de Veneza, no próximo ano, vai prosseguir estas ideias, "à volta de como nos movemos na Europa, e na divisão Norte-Sul", adiantou.

Nascido em 1978, em Salvaterra de Magos, Marco Godinho chegou ao Grão-Ducado com nove anos.

Filho de uma costureira e de um trabalhador da construção, os pais sempre o encorajaram, desde que, aos 17 anos, fez a primeira exposição e optou pela arte, uma escolha profissional pouco convencional.

"Tive sempre o apoio dos meus pais: estiveram sempre presentes e foram à aventura comigo", contou.

Uma das suas obras, um verso de "A Tabacaria", de Álvaro de Campos, heterónimo de Pessoa, recriado com fio e alfinetes, foi adquirida pela Lotaria Nacional do Luxemburgo, e decora agora a sede nos arredores da capital luxemburguesa, com palavras em português: "Tenho em mim todos os sonhos do mundo".

O verso podia servir de mote a Marco Godinho, que já expôs em quase todo o mundo, de Beirute a Nova Iorque.

Em 2016, participou na feira de arte contemporânea Art Central de Hong Kong com uma performance em que leu e rasgou páginas de "Os Lusíadas", de Luiz Vaz de Camões.

Em "Forever Immigrant", uma obra apresentada em 2015 no Museu Nacional de Arte Contemporânea - Museu do Chiado, em Lisboa, formada pela inscrição sobreposta de centenas de carimbos, evocava o calvário burocrático dos imigrantes.

Em Palermo e Lampedusa, também em 2015, apresentou a "Declaração Universal dos Direitos Humanos", um texto escrito em sobreposição (um método utilizado no séc. XIX, para economizar papel) que faz lembrar arame farpado - uma alusão à chegada de milhares de refugiados à costa italiana.

O Ministério da Cultura do Grão-Ducado anunciou hoje que Marco Godinho foi escolhido para representar o Luxemburgo na Bienal de arte contemporânea de Veneza em 2019.

Em comunicado, o júri explicou que a escolha permite "honrar o trabalho prolífico de Marco Godinho e a sua presença notada na cena artística nacional e internacional na última década".

O júri, composto por especialistas de três países, incluía Suzanne Cotter, ex-diretora do Museu de Serralves e atual responsável do Museu de Arte Moderna (Mudam) no Luxemburgo, a diretora do Centro Pompidou em Metz (França), Emma Lavigne, e o diretor do IKOB Eupen, na Bélgica, Frank-Thorsten Moll, tendo analisado 20 candidatos.

A Bienal de Arte de Veneza 2019 decorre de 11 de maio a 24 de novembro de 2019.

P.T.A c/ Lusa

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