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Esch-sur-Alzette : Cassandra Lobo Group actua no sábado na Kulturfabrik
Cultura 4 min. 25.03.2015

Esch-sur-Alzette : Cassandra Lobo Group actua no sábado na Kulturfabrik

Da esquerda para a direita: Bebé Serra, Cassandra Lobo e Joaquim Rodrigues

Esch-sur-Alzette : Cassandra Lobo Group actua no sábado na Kulturfabrik

Da esquerda para a direita: Bebé Serra, Cassandra Lobo e Joaquim Rodrigues
Cultura 4 min. 25.03.2015

Esch-sur-Alzette : Cassandra Lobo Group actua no sábado na Kulturfabrik

O grupo Cassandra Lobo actua no próximo sábado na Kulturfabrik, em Esch-sur Alzette. Pela primeira vez, o grupo vai ser a única banda a subir ao palco.

O grupo Cassandra Lobo actua no próximo sábado na Kulturfabrik, em Esch-sur Alzette. Pela primeira vez, o grupo vai ser a única banda a subir ao palco.

“Sentimos que chegou o momento de arriscarmos a esse nível. Nesse dia, vamos saber quem temos do nosso lado”, explicam os músicos, entusiasmados. “Quem estiver lá, é porque foi por nós”.

Com mais de 16 temas originais no mercado, o grupo garante que tocar ao vivo é “a sua praia”.

Cassandra Lobo Group nasceu em 2013, mas a história do grupo vem de longe. “Teríamos de recuar dez anos para descobrirmos a origem deste grupo”, explica Joaquim Rodrigues, ou Jack, como é carinhosamente chamado pelos músicos. A banda nasce de uma amizade entre Jack e Cassandra Lobo e de Jack e João Serra (conhecido por Bebé).

“Há dez anos conheci o Bebé através de um anúncio que fiz a pedir um baterista para uma futura colaboração, mas constrangimentos profissionais não permitiram, na altura, seguir com o projecto. Na mesma altura, mas num outro contexto, conheci a Cassandra Lobo, no âmbito do concurso Todo o Mundo Canta. Convidei-a para vir ao meu estúdio fazer uns testes e sentimos uma empatia artística imediata. Eu tinha o melhor baterista e a melhor voz do Luxemburgo”, conta Joaquim Rodrigues.

Mas a vida voltou novamente a pregar das suas e as coisas não avançaram. Dez anos depois, em 2013, o cineasta Felix Andrade convida Jack para participar no projecto “Djar Fogo Coffee Spirit”, um documentário sobre o café da ilha do Fogo, e é aí que a ocasião de juntar os três se materializa.

Jack contacta os restantes músicos, que abraçam o projecto mesmo sem ouvir a música.

“Pedi-lhe para não me mostrar os acordes de bateria para não me influenciar. Eu quis mostrar-lhe como eu tinha sentido o projecto”, diz João Serra. Já Cassandra, mal ouviu os primeiros sons, exclamou “é isto!”.

“Era disto que eu precisava. Senti que estava a chegar àquilo que sempre sonhei como identidade musical e artística”, conta a cantora.

Desde então, o trio tem vindo a desbravar as terras luxemburguesas.

A banda, formada por dois cabo-verdianos e um português, aposta nas histórias de Cabo Verde e relata-as através dos ritmos tradicionais, mas de forma “actualizada”.

“Nasci num meio em que a música sempre esteve presente. Admiro os grandes nomes da nossa cultura musical, mas penso que eles viveram o tempo deles e nós estamos no nosso tempo”, explica Jack, sublinhando que o grupo sente a necessidade de interpretar essa tradição cultural e evoluir para algo novo.

“Muitos puristas, quando nos ouvem, pensam que nos enganámos na forma como introduzimos cada instrumento na música. Num concerto no Centro Cultural de Mamer, o técnico de som disse-nos que havia um erro na sequência dos instrumentos. Olhámos uns para os outros e dissemos que era mesmo assim. A resposta que tivemos foi que “éramos estranhos”, recorda João Serra (“Bebé”), baterista há mais de 35 anos.

E é exactamente esse o objectivo da banda: ser diferente. “Fazer música é deixar a pessoa exprimir-se livremente”, defendem os três integrantes do Cassandra Lobo Group.

Nos últimos dois anos, a banda garante que tem trabalhado para que “a evolução seja firme e sustentada”. “O CD virá quando a nossa identidade musical for aceite e reconhecida”, dizem, garantindo que já têm material para gravar dois álbuns com temas inéditos.

Quem ouve as músicas da banda é automaticamente transportado para as vivências do arquipélago cabo-verdiano. Mas à primeira, estranha-se. Há algo que não bate certo. A banda explica que não segue normas.

“Fazemos a nossa música. Não copiamos. Quem gosta de nós, primeiro teve um gosto amargo na boca. Confessamos que não é fácil gostar-se à primeira. É como comer açúcar e sentir o gosto do vinagre”, brinca o baterista.

O grupo quer revolucionar a “world music” no Luxemburgo.

Jack é o mestre, formado em engenharia de som, em Bruxelas. “Não seguimos estereótipos: na nossa música a bateria não cola com o baixo, como manda a regra”, explica.

E a receita parece resultar. “Num concerto no Conservatório de Música no Luxemburgo, os grandes professores perguntaram-nos como fazíamos música, com esta qualidade, sem saber ler a pauta”, lembra Bebé.

O concerto da banda na Kulturfabrik é a 28 de Março. As portas abrem a partir das 19h30. Os bilhetes custam 10 euros em pré-venda e 14 euros na bilheteira, podendo ser adquiridos Luxembourg Ticket Office.

Aleida Vieira


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