Entrevista a Carminho

“Os fadistas estão na moda”

Carminho encerra o Festival Atlântico com fado, uma das tradições musicais lusófonas mais fortes.
Carminho encerra o Festival Atlântico com fado, uma das tradições musicais lusófonas mais fortes.
Foto: Leo Aversa

Carminho tem uma voz única e carrega em si o fado mais genuíno, mas isso não a impede de se aventurar por outros mundos musicais. Ao Contacto, falou da sua compreensão do fado, da relação entre fadistas e, sobretudo, entre mãe e filha com Teresa Siqueira e da viagem pelo mundo antes de decidir o futuro. Cabe à jovem fadista o encerramento do Festival Atlântico, dia 14, na Philharmonie.

Tem um novo álbum com músicas de Tom Jobim, mas regressa ao Luxemburgo para um concerto mais tradicional.

O fado é o meu grande amor, por isso é sempre especial regressar ao Luxemburgo com um fado mais tradicional e mostrar o lado que sei fazer melhor. Penso que a minha formação tradicional é o que sei fazer de melhor dentro do fado.

O fado continua a ser uma das maiores tradições portuguesas?

A língua portuguesa é um fio condutor da cultura lusófona e a música em geral continua a ter a capacidade de aproximar pessoas e ultrapassar barreiras. Obviamente, o fado é o que tem maior expressão e tradição dentro da música portuguesa. Ele passou de geração em geração até hoje e está de boa saúde com os novos intérpretes. Embora haja inovação continua-se a preservar a tradição e raízes com quase 200 anos.

É a fadista mais tradicional da atual geração?

Cabe ao público dizer. Quanto a mim, só posso dizer o quanto gosto do fado. Nasci no meio do fado, a minha mãe sempre me cantou fado e ouço guitarra portuguesa desde os meus dois ou três anos de idade. Não é um estilo, é uma cultura, e eu estive dentro dela desde cedo.

Mas há outros fadistas com outras visões e incursões?

Há intérpretes que vieram de outros estilos, mas apaixonaram-se e hoje fazem fusões. No fundo não se pode criar ou cantar o que o público quer, mas o que gostamos. É essencial sermos fiéis ao nosso trabalho.

Embora o fado tenha estado sempre presente na sua vida, quando decidiu que queria fazer carreira?

Quando acabei o curso de Marketing e Publicidade e tive noção de que não era aquilo que queria na minha vida. Senti-me perdida e não me revi no que estava a fazer. Optei por viajar pelo mundo, com a mochila às costas, fazer voluntariado e procurar-me.

Viajar foi uma busca?

Viajar foi ultrapassar algumas barreiras, conhecer pessoas e sair da minha zona de conforto. Passei por vários locais como Índia, Camboja e Peru e isso deu-me força para procurar a minha verdadeira vocação.

Vanessa Castanheira

(Leia a entrevista na íntegra na edição do jornal contacto desta quarta-feira)

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