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"Emily in Paris". Ninguém gosta mas toda a gente vê
Opinião Cultura 3 min. 08.01.2022
Crítica de cinema

"Emily in Paris". Ninguém gosta mas toda a gente vê

"Emily in Paris" não é uma série de terror, mas para alguns é pior do que isso porque mostra os franceses de forma estereotipada.
Crítica de cinema

"Emily in Paris". Ninguém gosta mas toda a gente vê

"Emily in Paris" não é uma série de terror, mas para alguns é pior do que isso porque mostra os franceses de forma estereotipada.
Foto: DR
Opinião Cultura 3 min. 08.01.2022
Crítica de cinema

"Emily in Paris". Ninguém gosta mas toda a gente vê

António Raúl VAZ PINTO DA CUNHA REIS
António Raúl VAZ PINTO DA CUNHA REIS
"Emily in Paris" não é uma série de terror, mas para alguns é pior do que isso porque mostra os franceses de forma estereotipada.

Quem acha “Emily in Paris” uma má série, mas continuou a ver a segunda temporada, mesmo depois de ter dito maldades sobre a primeira? Quase todos aqueles que estão a ler estas linhas, não é? Eu também. Claro que eu tenho uma desculpa: escrevo aqui estas críticas e tenho de ver até ao fim as séries e os filmes, mesmo que não me agradem.

“Emily in Paris” não é uma série de terror, mas para alguns é pior do que isso porque mostra os franceses de forma estereotipada, e os ingleses de forma estereotipada, os ucranianos de forma estereotipada... e até os americanos levam pela medida grande. Este tipo de abordagem é comum para fazer rir e para simplificar um argumento ou uma mensagem. Nem sempre os estereótipos são maus: aceitam-se quando são usados com inteligência ou com verdadeiro humor. Aceito-os quase sempre, mas quando dizem respeito ao meu país há casos em que me chateiam mesmo...

O criador de “Emily in Paris” é Darren Star, o mesmo de “Sex and The City” e “Younger”. Não havia clichés nestas séries? Claro que sim, mas esta nova produção constrói-se totalmente com base numa imagem estereotipada de Paris e dos franceses.“Emily in Paris” narra as desventuras profissionais e pessoais de Emily Cooper, uma ambiciosa executiva de marketing que é enviada de Chicago para trabalhar numa pequena mas prestigiosa agência parisiense. O pessoal da Savoir não fica muito contente por ter Emily na equipa, especialmente a sua nova chefe, Sylvie Grateau. Contra Emily está ainda o facto de a jovem norte-americana não falar francês.

Se os maiores críticos da série na primeira temporada foram os franceses, a segunda foi formalmente atacada por representar os ucranianos de forma estereotipada.

Entre desafios profissionais e paixões complicadas, Emily vai descobrindo a cultura e as tradições francesas, enquanto passeia pelos sítios mais conhecidos de Paris, vestindo as melhores marcas de ‘haute couture’. Mas estou certamente a ensinar o Padre Nosso ao vigário porque o êxito da série da Netflix é tal que é muito provável que quem me está a ler já tenha visto as duas temporadas.

A meio da segunda temporada, Emily tenta convencer Alfie, o belo britânico que com ela frequenta um curso de francês, sobre a magia e a admiração de viver em Paris. Alfie não entende a fascinação de Emily pela capital francesa e afirma que Paris foi construída com base em “fantasias e marketing”. Alfie insiste que é capaz de ver o que está por trás das aparências parisienses. Curiosamente, pode dizer-se que os criadores de “Emily in Paris” resumem, pela boca de uma das suas personagens, a própria série.

Se os maiores críticos da série na primeira temporada foram os franceses, a segunda foi formalmente atacada por representar os ucranianos de forma estereotipada. Desta vez as reclamações não tiveram origem apenas nos textos dos críticos ou nas redes sociais, mas vieram diretamente do Ministro da Cultura da Ucrânia, Oleksandr Tkachenko. O governante revelou ter enviado uma carta à Netflix, reclamando contra a personagem de Petra, uma ucraniana, que tem uma breve aparição na série. Além de muito pirosa, a jovem ucraniana rouba roupas de uma loja.

Ao longo da série, Sylvie, a chefe de Emily, repete que Paris é o lugar ideal para se apaixonar e cometer erros, e que o verdadeiro crescimento resulta de sermos responsáveis por esses erros e fazer as pazes com eles. Infelizmente para o público, os argumentistas de “Emily in Paris” não estão minimamente interessados em mergulhar em qualquer análise cuidadosa do que vai na cabeça da sua protagonista nem querem saber dos seus motivos. A maneira como Emily tenta esconder a noite de amor com o namorado de Camille enquanto continua a ser sua amiga é realmente digna de menção, até porque dura vários episódios.

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