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"Elvis". O rei foi a Cannes pela primeira vez
Opinião Cultura 3 min. 24.06.2022
Crítica de cinema

"Elvis". O rei foi a Cannes pela primeira vez

O filme "Elvis" não teria sido uma má escolha para a abertura de Cannes, mas desembarcou no final e passou fora da competição principal.
Crítica de cinema

"Elvis". O rei foi a Cannes pela primeira vez

O filme "Elvis" não teria sido uma má escolha para a abertura de Cannes, mas desembarcou no final e passou fora da competição principal.
Opinião Cultura 3 min. 24.06.2022
Crítica de cinema

"Elvis". O rei foi a Cannes pela primeira vez

António Raúl VAZ PINTO DA CUNHA REIS
António Raúl VAZ PINTO DA CUNHA REIS
O filme "Elvis" não teria sido uma má escolha para a abertura de Cannes, mas desembarcou no final e passou fora da competição principal.

Elvis Presley nunca fez os concertos que merecia fora dos Estados Unidos. Parece que, fora dos States, tocou apenas duas ou três vezes no Canadá, muito antes de atingir o clímax da sua carreira. Em vez de se tornar uma vedeta internacional, Elvis permaneceu em Las Vegas de 1969 a 1976, a dar concertos que esgotaram uns atrás dos outros até perto da sua morte.

Parece que manter o artista em Las Vegas foi uma das muitas maquinações do seu gerente, o coronel Tom Parker. Há elementos que parecem demonstrar que o homem tinha receio de deixar os EUA porque poderia acontecer que não o deixassem regressar. Parker tinha imigrado ilegalmente da Holanda para a América uns anos antes...

Essa história é revelada em "Elvis", o novo filme de Baz Luhrmann sobre a vida e a carreira de Presley. A obra teve honras de estreia mundial no 75º festival de cinema de Cannes, ainda que fora de competição. Presley nunca tocou para os seus fãs em França, mas Cannes estendeu o tapete vermelho ao realizador Baz Luhrmann e às suas estrelas, nomeadamente Austin Butler, que interpreta um Elvis carismático. Tom Hanks, no papel do coronel Parker, usa todo o seu talento para mostrar um homem egoísta com pena de si mesmo.

"Elvis" revela os grandes triunfos da carreira do cantor, a sua ascensão meteórica ao topo dos tops e a sua postura desafiante diante da América mais conservadora que tentava controlar a sua dança de ancas diabólica.

O filme mostra como o coronel Parker percebe o potencial comercial de um artista que poderia "vender um som negro com um rosto branco", como Presley foi descrito no excelente documentário de Eugene Jarecki, "The King". "Elvis" revela os grandes triunfos da carreira do cantor, a sua ascensão meteórica ao topo dos tops e a sua postura desafiante diante da América mais conservadora que tentava controlar a sua dança de ancas diabólica. Vemos ainda o casamento tempestuoso com Priscilla (interpretada por uma simpática Olivia DeJonge); a sua negligência com a filha, Lisa Marie, e os anos de luta contra o vício e a depressão, a maioria dos quais se desenrolam numa ampla suite em Las Vegas que mais parece uma prisão.

Apesar de Parker ser o mau desta fita, Luhrmann também se esforçou para que ele fosse um verdadeiro co-protagonista. Esta opção, infelizmente, adiciona narrativa desnecessária a um filme que dura mais de duas horas e meia. É uma pena, porque em muitos outros aspectos, "Elvis" parece uma combinação intuitiva, e às vezes até ideal, entre um cineasta e um tema. Baz Luhrmann nunca faz as coisas de forma simples e as suas extravagâncias e excessos estilísticos são muito parecidos com os de Elvis.

As sequências relativas aos espetáculos estão cheiíssimas de energia e transbordam de luz e cor, mesmo quando Luhrmann baixa o ritmo. Às vezes, Luhrmann filma a preto e branco, mas até a ausência de cor é quente.Austin Butler é uma excelente escolha para encarnar Elvis e, se calhar, até canta melhor do que o King. Embora – desculpem o spoiler – muitas vezes seja a voz do verdadeiro Presley que ouvimos no filme. A banda sonora está repleta de "covers" gravados por Butler de "I’ll Fly Away", "Blue Suede Shoes", "Heartbreak Hotel", "Hound Dog" e "Can’t Help Falling in Love", entre outros.

Há quem não tenha gostado do filme. Dizem que "Elvis" é basicamente uma compilação de convenções musico-biográficas; mas isso seria como reclamar sobre o conteúdo redutor de um álbum de "greatest hits".

"Elvis" não teria sido uma má escolha para a abertura de Cannes mas desembarcou no final e passou fora da competição principal, deixando um cheiro a Hollywood que não fez mal nenhum ao festival.

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