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"Eiffel". Com 'A' grande
Opinião Cultura 1 3 min. 06.11.2021
Crítica de cinema

"Eiffel". Com 'A' grande

Crítica de cinema

"Eiffel". Com 'A' grande

Foto: DR
Opinião Cultura 1 3 min. 06.11.2021
Crítica de cinema

"Eiffel". Com 'A' grande

António Raúl VAZ PINTO DA CUNHA REIS
António Raúl VAZ PINTO DA CUNHA REIS
A produção do filme "Eiffel" é quase tão épica como a construção da torre que tornou Gustave Eiffel famoso. O projeto cinematográfico estende-se por 24 anos entre Hollywood e Paris, antes de finalmente ver a luz do dia sob a liderança da produtora Vanessa Van Zuylen.

A produção do filme "Eiffel" é quase tão épica como a construção da torre que tornou Gustave Eiffel famoso. O projeto cinematográfico estende-se por 24 anos entre Hollywood e Paris, antes de finalmente ver a luz do dia sob a liderança da produtora Vanessa Van Zuylen.

Apesar de em 24 anos muitos argumentistas se terem sucedido e adaptado a história, a sua coluna vertebral, imaginada por Caroline Bongrand, permaneceu intacta. Uma mistura entre factos históricos e a inventividade que o cinema permite, mas com o objetivo de não trair a realidade.

O filme começa no final da década de 1880. Gustave Eiffel estava então no auge de sua carreira e o governo francês ofereceu-lhe a criação de um monumento espetacular para a Exposição Universal de 1889. Para surpresa de todos, Eiffel recusa porque se quer dedicar à sua nova obsessão: o projeto de metropolitano para a capital francesa.

Só que essa recusa vai ser revisitada no dia em que Eiffel se cruza por acaso com um amor de juventude, de quem se distanciou brutalmente, a bela Adrienne.

O engenheiro, que tinha acabado de participar na criação da Estátua da Liberdade, acaba por ceder às propostas tentadoras do governo francês, que lhe solicita que faça um monumento único e surpreendente para a Exposição Universal de 1899, que terá lugar em Paris.

Nomeado cidadão honorário dos Estados Unidos por causa da sua colaboração na Estátua da Liberdade, Eiffel corresponde aquilo que hoje em dia se chama um workaholic. O projeto da torre de 300 metros de altura é o resultado do facto de Gustave Eiffel se deixar levar pelos sentimentos, pela vontade de arranhar o céu, subir aos céus, cada vez mais alto, preencher um vazio.

Foto: DR

O filme "Eiffel" aborda sobretudo as dores do desespero amoroso: a alma perdida de Gustave e o seu coração que bate apenas por Adrienne. É esta obsessão que o leva a assinar a sua obra em forma de 'A', uma declaração de amor que fica para a eternidade no horizonte da capital francesa.

... talvez falte em "Eiffel" um pouco mais de vertigem, algo que poderia parecer adquirido quando o assunto é a construção de uma torre gigantesca, mas nem por isso...

O realizador Martin Bourboulon quis claramente fazer um filme biográfico de qualidade, bem auxiliado por uma bela fotografia e uma sedosa banda sonora do grande Alexandre Desplat. Mas talvez falte em "Eiffel" um pouco mais de vertigem, algo que poderia parecer adquirido quando o assunto é a construção de uma torre gigantesca, mas nem por isso... Numa Paris industrializada, o amor é a pedra angular, a construção é a cura para a dor de Gustave Eiffel. E barricado nos cânones do filme biográfico, Martin Bourboulon não consegue elevar a película aos píncaros de uma torre.


Série "Glória".
"Glória". Primeira produção portuguesa para a Netflix estreia esta sexta-feira
Este 'thriller' de espionagem passa-se em Portugal, durante o Estado Novo e a Guerra Fria. A ação é inspirada em alguns factos reais e o cenário é a aldeia da Glória do Ribatejo, onde funcionava o centro de transmissões americano RARET.

O enredo baseia-se na modernidade e na obsessão, mas fica atolado num romance com pouca química entre as personagens de Romain Duris e Emma Mackey. E ainda que o ator francês e a atriz franco-inglesa sejam interessantes, elegantes, e mesmo por vezes poéticos e sensuais, falta um toque de intensidade, uma chama.

"Eiffel" é uma história de amor e ambição, que sofre com um ritmo irregular, tal como a construção da famosa torre. Ainda assim, este filme recorda que o cinema francês também pode parecer-se com Hollywood, e ter fantasia e orçamentos faraónicos.

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