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E o Capitani acabou num cabaré
Opinião Cultura 1 4 min. 31.07.2022
Crítica de cinema

E o Capitani acabou num cabaré

Crítica de cinema

E o Capitani acabou num cabaré

Foto: Samsa Films
Opinião Cultura 1 4 min. 31.07.2022
Crítica de cinema

E o Capitani acabou num cabaré

António Raúl VAZ PINTO DA CUNHA REIS
António Raúl VAZ PINTO DA CUNHA REIS
Uma primeira temporada excelente pode ter uma irmã feiosa, apesar de os ingredientes serem os mesmos; e depois não há cromossoma que a salve.

Diz quem sabe que há um problema com as sequelas. Que a segunda temporada de uma série será sempre pior do que a primeira e que o segundo filme de uma saga nunca atingirá o nível do inicial.

Eu não acredito em predestinações. Se acreditasse deitava-me a dormir à espera do Euromilhões porque sei que é para vencedor do jackpot de sexta-feira que estou destinado.

Uma primeira temporada excelente pode ter uma irmã feiosa, apesar de os ingredientes serem os mesmos; e depois não há cromossoma que a salve.

Por não acreditar nessas generalizações é que apanho muitas vezes grandes barretes. Costumo ir ver os filmes todos que têm um '2' a seguir ao título e não hesito lançar-me nas mais longas séries com quatro ou cinco temporadas. Há quem lhe chame insónia, eu prefiro acreditar que é persistência.

Qualquer série que convença e decida abrir caminho para uma segunda temporada é como quem faz um filho que sai bonito e diz prá mulher: vamos lá fazer mais um que ainda vão ser todos estrelas de cinema ou modelos. Só que nada garante que a combinação de dois ADNs produza resultados iguais de cada vez que se misturam.

É a mesma coisa com as séries. Uma primeira temporada excelente pode ter uma irmã feiosa, apesar de os ingredientes serem os mesmos; e depois não há cromossoma que a salve.

Aconteceu isso com "Capitani", a série com mais êxito da história do Luxemburgo. Ela foi RTL. Ela foi Netflix. Ela foi recordes internacionais. Ela foi um êxito! E ainda o ferro estava quente quando os produtores decidiram lançar-se na segunda temporada.

Se a primeira tirada era claramente um thriller policial rural (com umas veleidades psicadélicas no final), "Capitani 2" muda-se para a cidade, ou seja, para a capital luxemburguesa onde grassa a prostituição (em duas ruas) e os dealers nigerianos (três) ameaçam o doce equilíbrio da vida na capital.

Os mais perturbados com isto parecem ser os donos dos cabarés e, sobretudo, o rei da noite luxemburguesa que não quer meter-se em drogas e outros cambalachos, ficando-se pelo tráfico de mulheres de leste e africanas.

"Capitani 2" é um regresso ao passado porque o mundo dos cabarés que ali é retratado já quase não existe. Nos idos de 2004, uma alteração legislativa acabou com as "bailarinas" que chegavam da Rússia, Ucrânia e Polónia transformando definitivamente a cena noturna luxemburguesa. Mas os argumentistas da série não querem saber disso: os reis da noite continuam a ser os donos dos cabarés e a ameaça vem da Nigéria (e do Brasil) com um crescente narcotráfico.

Luc Capitani, saidinho da prisão porque teve cunhas (é tão bom viver num país onde toda a gente se conhece), dedica-se a descobrir, para depois desmantelar, o tráfico de droga e de mulheres (e carros de coleção) basicamente nas duas ruas que acima referi. Essas ruas conheço-as bem, por isso não consegui desgrudar do ecrã. Vi sítios que frequento, vi alguns figurantes que conheço e tive imenso gosto em voltar a ver as nossas duas vedetas lusas locais: Magaly Teixeira e Nilton Martins, entre outros luxotugas.

Mas custa muito ver que Capitani já não dá gozo ao homem que encarna o protagonista. Luc Schiltz oscila entre o aborrecido e o muito aborrecido e mesmo dois socos nas trombas não o tiram do sério. Parece cansado o rapaz que, disseram-me ontem, é mais velho do que eu pensava. Talvez seja o peso dos anos ou o muito trabalho que apareceu graças à primeira temporada de "Capitani"...

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Sophie Mousel continua gira, mas também ela parece padecer da maleita que afeta o seu colega. Acho que de tanto lhes pedirem para se parecerem com um polícia norte-americano, os daquelas séries que estamos fartos de ver, os próprios atores devem ter-se aborrecido e decidiram fazer greve de expressões: só tenho esta, e quem não gostar que não olhe!

Ver a segunda temporada de "Capitani" ainda vai sendo giro para quem por cá vive. Olha a gare! Olha o café da Fernanda! Olha a escola do Pedro! Mas custa-me a crer que alguém, sei lá... na Tailândia, esteja neste momento a dizer prá mulher: liga aí a televisão e vamos ver mais dois episódios de "Capitani" que eu quero saber o que aconteceu com o filho do rei da noite luxemburguesa!

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