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"Dune". Uma viagem ao futuro passado
Opinião Cultura 1 3 min. 26.09.2021
Crítica de cinema

"Dune". Uma viagem ao futuro passado

Esta versão de "Dune", além de ser muito pessoal, não vai agradar a todos.
Crítica de cinema

"Dune". Uma viagem ao futuro passado

Esta versão de "Dune", além de ser muito pessoal, não vai agradar a todos.
Foto: DR
Opinião Cultura 1 3 min. 26.09.2021
Crítica de cinema

"Dune". Uma viagem ao futuro passado

António Raúl VAZ PINTO DA CUNHA REIS
António Raúl VAZ PINTO DA CUNHA REIS
"Dune" pode até ter um certo estatuto de filme amaldiçoado, mas em Hollywood há sempre quem esteja disposto a tentar novamente e a perder muitos milhões; que na maior parte dos casos não são de quem os gasta.

O romance de Frank Herbert regressa ao cinema pela mão de Denis Villeneuve, com um elenco atraente: Timothée Chalamet, Zendaya, Oscar Isaac, Javier Bardem, Josh Brolin, entre outros e a promessa de fazer justiça a um dos mais influentes e os adorados romances de ficção científica do século XX.

Até hoje só uma tentativa de adaptação chegou ao grande ecrã. Trata-se de "Dune" de David Lynch, lançado em 1984, e que foi um imenso fracasso de bilheteira mas também destruído pela crítica. Mas isto foi naqueles idos de 80. O tempo passou e o filme do mestre Lynch descobriu fãs, defensores e um público que o considera obra de culto.

A história de "Dune", que também pôde ser vista numa minissérie da SyFy dos anos 2000, tem por personagem central Paul Atreides, o herdeiro da dinastia encarregada da exploração do planeta Arrakis , também conhecido como Dune. Este astro é muito especial, porque é o único lugar da galáxia onde se pode obter uma substância poderosa que atua como combustível para viagens espaciais e outras utilizações de ordem “psíquica”. Em última análise, esta droga representa poder e pode permitir o controlo do império.

Denis Villeneuve não é um realizador convencional. E esta versão de "Dune", além de ser muito pessoal, não vai agradar a todos. E muitos espetadores não entenderão, sobretudo se não forem fãs da história ou de ficção científica em geral.

A obra trata de vários temas e, por isso, revolucionou o gênero e foi uma grande influência para romances e filmes muitas décadas depois, incluindo "Star Wars".

"Dune" adapta o romance de mesmo título de Frank Herbert e a ação decorre milhares de anos no futuro. A personagem central é Paul Atreides, um jovem que o destino empurra para uma luta de poder intergalática. Paul é filho do amado e sitiado governante duque Leto, e da poderosa sacerdotisa guerreira Lady Jessica. O jovem Atreides enfrentará o teste de superar os seus medos enquanto o destino e poderosas forças o empurram inexoravelmente para os desertos do remoto planeta Arrakis.

O romance original, escrito em 1965, ganhou imediatamente vários prémios, dando início a uma das sagas mais importantes da literatura de ficção científica. A obra trata de vários temas e, por isso, revolucionou o gênero e foi uma grande influência para romances e filmes muitas décadas depois, incluindo "Star Wars".

Sem entrar em detalhes, "Dune" é uma obra muito difícil de se adaptar, e Villeneuve sabia disso. Ele e os seus argumentistas concentraram-se no drama emocional de um filho com seu pai e sua mãe, centrando-se na família Atreides e desenvolvendo a história do ponto de vista de cada um de seus membros diante de problemas emocionais e políticos.

"Dune" é um filme lento, que leva o seu tempo, mas um tempo que é necessário para apresentar as personagens principais e Arrakis, para que nos sintamos dentro do ambiente desse mundo. Villeneuve quer levar o espetador numa jornada e uma grande experiência audiovisual, que convém ver no cinema (repito, no cinema), conseguindo um difícil equilíbrio entre a grandeza e o pomposo, sem cair neste último.

O elenco faz o seu trabalho com maestria, sobretudo o jovem protagonista, Timothée Chalamet, interpretando um Paul magnífico, um tanto estóico e quase insensível até perceber o seu poder e o seu destino.

"Dune" é um espetáculo majestoso, avassalador, no qual viveremos guerras entre clãs, um vilão grotesco, naves de imensas dimensões e um estilo cinematográfico que vai desde vastas planícies ao deserto para quartos sombrios. Não é um filme perfeito mas, claro, é uma experiência que não deve perder se gosta de cinema.

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