Escolha as suas informações

"Don’t Look Up". O melhor é fazer como a avestruz
Opinião Cultura 3 min. 01.01.2022
Crítica de cinema

"Don’t Look Up". O melhor é fazer como a avestruz

Jennifer Lawrence e Leonardo DiCaprio são os protagonistas do filme.
Crítica de cinema

"Don’t Look Up". O melhor é fazer como a avestruz

Jennifer Lawrence e Leonardo DiCaprio são os protagonistas do filme.
Foto: Niko Tavernise / Netflix
Opinião Cultura 3 min. 01.01.2022
Crítica de cinema

"Don’t Look Up". O melhor é fazer como a avestruz

António Raúl VAZ PINTO DA CUNHA REIS
António Raúl VAZ PINTO DA CUNHA REIS
Imaginem algo improvável: um vírus novo aparece no mundo e começa a matar pessoas. Logo que o vírus é identificado e isolado, toda a Humanidade começa a defender-se com confinamentos, máscaras, enquanto os cientistas de todo o mundo procuram tratamentos, curas e vacinas.

Um ano depois de o vírus ser descoberto e de ter provocado muitas vítimas mortais, começa a vacinação para nos proteger do bicho. Mas há pessoas que não querem, que acham que a doença nem sempre é fatal, que é como uma gripezinha, e preferem apostar em medicamentos alternativos ainda que a ciência não tenha comprovado a sua eficácia.

Se este fosse o argumento de um filme rodado há uns anos atrás, muitos de nós o acusaríamos de ser irreal, mas tudo isto está a acontecer debaixo dos nossos olhos.

Será que se substituirmos o vírus por um cometa que coloca em risco toda a vida no planeta Terra seria provável que as pessoas reagissem da mesma forma? Será que haveria quem não acreditasse nos cientistas e nos nossos líderes?

Em “Don’t Look Up” falta claramente empatia. Empatia entre os atores e o público e entre as personagens e as suas crenças.

O realizador Adam McKay está convencido que o mundo está perdido e que as pessoas já não acreditem em nada, nem sequer naquilo que vêm com os seus próprios olhos.

“Don’t Look Up” conta a história de um cientista e da sua assistente que descobrem um enorme cometa prestes a embater contra a Terra. O evento provocará a extinção da Humanidade; ou pelo menos é o que pensam os especialistas. Astrónomos, NASA, cientistas de vários pontos do mundo, todos concordam que o choque do cometa com a Terra vai provocar a morte de todos nós, mas a opinião pública – aquilo a que agora se chama redes sociais e “mainstream media” – duvidam.

Os cientistas são gozados, inclusivamente pela presidente dos Estados Unidos, uma espécie de Trump em versão feminina, interpretada por uma inspirada Meryl Streep.

O elenco de “Don’t Look Up” talvez seja o que de mais impressionante o filme tem. Além da ‘uberatriz’, o filme conta com Leonardo DiCaprio como protagonista, contracenando com Jennifer Lawrence. E desengane-se quem pensa que a lista fica por aqui. Há nomes para todos os gostos, de Jonah Hill a Cate Blanchett passando pela coqueluche franco-americana Timothée Chalamet. E para um público menos cinematográfico, temos Ariana Grande num papel que é quase um ‘cameo’, cheio de bom humor.

O filme é um insulto direto a negacionistas, populistas, antivacinas e outros seres que pululam nas nossas sociedades de hoje. E é ainda uma forte crítica aos meios de comunicação e à influência que as redes sociais têm nas nossas vidas.

Todas as críticas que esta obra faz são justificadas, mas a simplificação um pouco tonta do argumento (às vezes improvável), não é uma virtude. “Don’t Look Up” diz-nos coisas que são óbvias para qualquer espetador normalmente constituído, mas ao fazê-lo de forma sobranceira e evidente não vai fazer mudar de ideias quem nega a ciência ou quem duvida dos jornais e das televisões que considera manipulados ou ao serviço de qualquer complô.

Siga-nos no Facebook, Twitter e receba as nossas newsletters diárias.