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Differdange: Os mundos de Rita Ribeiro
Cultura 7 3 min. 26.09.2016

Differdange: Os mundos de Rita Ribeiro

Cultura 7 3 min. 26.09.2016

Differdange: Os mundos de Rita Ribeiro

A actriz e cantora Rita Ribeiro e a filha, Maria Curado Ribeiro, apresentaram no sábado o álbum “Mundos em Nós” em Differdange.

A actriz e cantora Rita Ribeiro e a filha, Maria Curado Ribeiro, apresentaram no sábado o álbum “Mundos em Nós” em Differdange.

O público, entre os quais havia muitos não lusófonos, emocionou-se com o retraçar da carreira da cantora e actriz, e com os fados, as mornas e o semba angolano, tocados ao som da guitarra portuguesa e da viola.

No final do espectáculo, Rita Ribeiro falou ao CONTACTO.

CONTACTO: Lançado em conjunto com a sua filha em 2015, ano em que festejou 40 anos de carreira, este álbum tem um significado especial?

Rita Ribeiro: É. Eu não consigo desligar as coisas. Recordarmos o nosso trajecto, os nossos pais, estarmos gratos, penso que é o caminho para que as portas se abram e para continuarmos a ter outros projectos. Ter convidado a minha filha fazia todo o sentido, porque ela quer seguir esta profissão. E ninguém melhor que a mãe para lhe poder dar esse apoio, esse conforto. Somos mãe e filha mas também somos muito cúmplices e amigas. É uma grande companheira.

Celebra sua carreira e passa, à sua filha, um testemunho…

Exactamente. Até porque ela não conheceu o meu pai [o actor Fernando Curado Ribeiro], não conheceu o avô. Também é passar um pouco desse amor, desse afecto que ficou para trás mas que nunca morre, e lembrá-lo, e vivê-lo, e celebrar, porque a vida é curta e a morte é comprida.

Não se trata só de Fado, há outros mundos dentro desse universo?

Sim, sim. Há vários mundos. Por exemplo, a música africana que tem muito a ver com o Fado. O Fado também vem de África e, portanto, neste piano tocam-se também as teclas de Angola, de Cabo Verde… ’Mundos em Nós’, o CD, também tem músicas brasileiras, porque a música brasileira, às vezes, também parece um Fado.

Eu sempre fiz isto. Ainda o Fado não estava nesta efervescência toda e eu sempre cantei, com viola e guitarra, músicas de todo o mundo. A guitarra lembra a nossa alma. Em qualquer sítio, quando ouve uma guitarra, o coração português estremece. Foi um pouco esta a ideia: unir, num só projecto, os portugueses espalhados pelo mundo. E daí o título, ’Mundos em Nós’. Porque nós demos novos mundos ao mundo, e o mundo deu-nos de volta essa nossa presença.

E também é o mundo que foi passando pela minha vida e que eu fui passando à Maria. E ela também já me está a passar os mundos dela! Eu dei-lhe essa liberdade, de ela escolher certos temas para este projecto.

Apresentar este álbum pela primeira vez no estrangeiro aqui no Luxemburgo, onde existem várias comunidades de língua portuguesa, foi uma escolha deliberada?

Não, não…

Foi um feliz acaso?

Eu acho que não existem acasos, acho que tudo está organizado. Aconteceu. Não acho que tenha sido por acaso. Estou muito grata por isso.

Gostou de como foi acolhida no Luxemburgo e a forma como o público a recebeu?

Muito, muito! Tenho imensa pena por não ter tido tempo para conhecer o país e as suas gentes. Mas aquilo que senti é que se vive aqui com muita doçura, com muita organização. Senti bem-estar em todos os portugueses com quem lidei. Estão felizes. São pessoas que se dão bem consigo próprias e isso é uma energia fundamental na vida. Foram muito amáveis, de uma amabilidade extrema e isso tem a ver, com certeza, com a maneira como se vive neste país. Agradou-me imenso. Tenho pena de não ter visto mais, mas tenho a esperança de voltar.

Sara Ferreira

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