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Depois do trauma, Bataclan "fecha" à sombra da pandemia
Cultura 13.11.2020

Depois do trauma, Bataclan "fecha" à sombra da pandemia

Depois do trauma, Bataclan "fecha" à sombra da pandemia

AFP
Cultura 13.11.2020

Depois do trauma, Bataclan "fecha" à sombra da pandemia

De luto há 5 anos, a sala de espetáculos parisiense mantém o pano fechado num país consumido pela covid-19.

Encerrado desde março, logo no primeiro confinamento francês, o Bataclan não se livra da memória do ataque que, faz esta sexta-feira cinco anos, matou 130 pessoas com centenas de tiros que, inicialmente, o público confundiu com os acordes dos Eagles of Death Metal. A placa que assinala o 13 de novembro de 2015 continua à esquerda das letras pretas que identificam a sala de espetáculos de Paris. Sem concertos ou a habitual movida das plateias, o Grand Café Bataclan também está fechado.

Em entrevista ao Le Monde, a diretora Florence Jeux culpa a pandemia pela paralisação da cultura. Para a sala de concertos, a covid-19 cortou a lenta e difícil retomada da atividade após o choque do ataque terrorista. "A dinâmica que tinha começado a ser estabelecida foi interrompida", lamenta a responsável de 37 anos, nomeada em dezembro de 2018 como chefe do estabelecimento pelo grupo Lagardère, que se tornou 100% proprietário após a partida dos dois anteriores co-accionistas. 

Ferida aberta

Depois do massacre, o Bataclan permaneceu fechado durante um ano para mudar de cara com obras de remodelação. O salão de 1.700 lugares reabriu a 13 de setembro de 2016 com o cantor britânico Sting. O concerto, para o qual os sobreviventes do ataque e as famílias do falecido tinham sido convidados, teve lugar numa atmosfera emocionalmente carregada. 

Como sinal de que a ferida levaria tempo a sarar, o anúncio, em outubro de 2018, de um concerto do rapper Médine, um dos quais se intitula Jihad e cuja canção apela à "crucificação de leigos", tinha suscitado forte indignação. Por "respeito pelas vítimas" e "num desejo de apaziguar", o cantor viu-se obrigado a cancelar o concerto. 

Antigo acionista, Jules Frutos recorda que, apesar das adversidades o objetivo foi sempre renimar o espaço sem ceder ao horror. "Em 2017, embora a taxa de participação tenha atingido 90%, o número de eventos programados diminuiu 30% em comparação com o período anterior ao ataque. Em 2018, foram realizados 100 espectáculos, em comparação com os 80 do ano anterior". 

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