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Darkest Hour. O síndroma Titanic
Não me lembro se é possível publicar fotos com gente a fumar ou se já há uma lei contra isso...

Darkest Hour. O síndroma Titanic

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Cultura 2 min. 15.03.2018

Darkest Hour. O síndroma Titanic

Óscar de melhor ator para Gary Oldman foi toda a publicidade de que precisou “Darkest Hour” para passar do estatuto de “mais um filme histórico” a uma obra sobre Churchill que toda a gente quer ver.

Por Raúl Reis - Oldman – completamente coberto por camadas de maquilhagem e outros produtos que não fazem bem à pele – encarna o primeiro-ministro britânico, com pronúncia perfeita e tudo.

A ação de “Darkest Hour” desenrola-se no mês de maio de 1940, na altura em que Churchill se torna primeiro-ministro. Os alemães estão “à porta” da Grã-Bretanha e só não entraram porque os ingleses têm a sorte de viver numa ilha.

Curiosamente, o posicionamento do Reino Unido no contexto da Segunda Guerra Mundial não está ainda definido. “Darkest Hour” revela um aceso debate sobre qual deverá ser o papel dos britânicos e do seu império: se a melhor ideia será negociar com a Alemanha de Hitler ou contra-atacar.

Winston Churchill opõe-se a qualquer tipo de negociações, mas os avanços alemães na Europa colocam o político sob pressão...

“Darkest Hour” mostra, como poucos filmes, a rapidez da invasão germânica e a necessidade que tem o Reino Unido de se apoiar sobre um líder que motive a população. Churchill vai ser o homem da situação, apesar de ter dificuldades para obter a confiança de muitos políticos e, inclusivamente, do rei. Defrontado com o fracasso de Dunquerque, um dos primeiros testes de Churchill é resgatar os milhares de homens que estão isolados na costa francesa.

Obviamente, “Darkest Hour” inspira-se em factos reais, o que implica que sofre do síndroma Titanic, ou seja, como no filme “Titanic” já sabemos que o barco afunda, neste caso sabemos o que se vai passar com Churchill.

É necessária grande maestria de argumento para lograr criar um ambiente de tensão suficientemente elevado quando o espectador conhece o final. Este é um aspeto que “Darkest Hour” só consegue parcialmente. O argumento demonstra, antes de mais nada, muita indecisão. Os desentendimentos entre Churchill e o resto das personagens desenvolvem-se e resolvem-se frequentemente de forma arbitrária, por exemplo.

E Gary Oldman mereceu o Óscar? Claro que sim. A concorrência era de alta qualidade (recordemos Daniel Day-Lewis em “Phantom Thread”), mas o papel que Oldman desempenhou dá habitualmente direito a galardões internacionais e agrada sobretudo aos senhores mais conservadores da Academia de Hollywood. Mas o ator mereceu o Óscar sobretudo porque – além do trabalho de interpretação brilhante – acaba por ter o filme todo “às costas”. Kristin Scott Thomas, na personagem da esposa de Churchill, assina também um belíssimo trabalho, mas sem as dificuldades do protagonista.

“Darkest Hour”, de Joe Wright, com Gary Oldman, Kristin Scott Thomas, Lily James, Ben Mendelsohn e Stephen Dillane.