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Dark Skies: Nuvens negras
Será que já me estão outra vez a assaltar o frigorífico?

Dark Skies: Nuvens negras

Será que já me estão outra vez a assaltar o frigorífico?
Cultura 3 min. 10.09.2013

Dark Skies: Nuvens negras

"Dark Skies", de Scott Stewart, com Keri Russell, J. K. Simmons, Josh Hamilton, Dakota Goyo e Kaden Rockett.

A pior coisa que um crítico pode fazer é dizer logo nas primeiras linhas se um filme é bom ou não. Apesar deste mandamento, vou cometer este pecado capital.

Se "Dark Skies" fosse uma série televisiva ou um telefilme de quinta à noite até tinha pernas para andar. Este filme de terror e ficção científica poderia ser bom com uma hora de duração e outro contexto, mas como longa metragem passa a ser uma obra limitada, com momentos a roçar o aborrecimento.

Pior. O filme acaba de forma muito rápida, deixando desesperados os espectadores que possam ter aguentado o filme todo na esperança de serem surpreendidos no final.

Lacy (Keri Russell) e Daniel Barrett (Josh Hamilton) são um casal do Arizona com dois filhos a braços com problemas de dinheiro. Ela é agente imobiliária e tem práticas por vezes duvidosas. É neste ambiente que, uma noite, Lacy descobre que alguém "atacou" o frigorífico. Mas este não é o único evento estranho.

A comida está ligada aos acontecimentos inexplicáveis, mas quando vários bandos de pássaros se esbarram contra a casa, a família começa a ficar inquieta.

Os quatro vão passar da preocupação ao desespero muito rapidamente. Feridas, transes e hemorragias começam a tornar impossível a vida dos Barrett, que passam a ser também detestados pela vizinhança. Quem é que quer ter como vizinhos uma família de possessos?

Os Barrett vão encontrar apoio junto de uma espécie de guru chamado Edwin Allard (J.K. Simmons) que lhes explica que os culpados são extraterrestres. Os ET em questão poderão estar a fazer experiências com eles. Allard avisa ainda a família que é muito provável que um deles seja raptado pelos "cinzentos", como o especialista chama aos "aliens".

A família Barrett não hesita: fecha-se em casa e tenta proteger o filho Sam (Kadan Rockett), porque este parece ser o objecto de desejo dos invasores.

"Dark Skies" é uma mistura de géneros – ficção científica e terror – mas, para permitir descrever melhor o filme, pode dizer-se que estamos perante uma obra inspirada livremente em "Poltergeist", com umas pitadas de "The Invasion of the Body Snatchers" ou mesmo "Paranormal Activity", e de tantos outros filmes do género.

O argumentista e realizador Scott Stewart – culpado de barbaridades cinematográficas como "Legion" ou "Priest" – até consegue criar um ambiente de tensão no início. Nesta tarefa é ajudado por Keri Russell, que desempenha o papel de mãe com uma presença acima da média para este tipo de filme.

Do lado dos actores, a contribuição de J. K. Simmons é também muito importante: os poucos momentos de que dispõe em frente às câmaras são benesses para o filme e para o público.

Na generalidade, "Dark Skies" é uma seca que mesmo os maduros apaixonados por este tipo de obra vão ter dificuldade em levar até ao fim.

Scott Stewart parece ter apostado em acrescentar pequenos enredos paralelos para entreter o povão, mas acaba por distrair os espectadores com historietas que não levam a lado nenhum nem têm relevância para a acção principal.

E depois é o final. Sem estragar o prazer de ver "Dark Skies", pode dizer-se que o realizador – que está claramente armado em Night Shyamalan – falha completamente a conclusão e deixa os espectadores plantados à espera do verdadeiro final. 

"Dark Skies", de Scott Stewart, com Keri Russell, J. K. Simmons, Josh Hamilton, Dakota Goyo e Kaden Rockett. 

Raúl Reis

Publicado no CONTACTO em 03.07.2013