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Shoot the cameraman. A profundidade da dança e o peso da imagem em palco
Cultura 2 min. 01.07.2021
Dança

Shoot the cameraman. A profundidade da dança e o peso da imagem em palco

Dança

Shoot the cameraman. A profundidade da dança e o peso da imagem em palco

Cultura 2 min. 01.07.2021
Dança

Shoot the cameraman. A profundidade da dança e o peso da imagem em palco

Vanessa CASTANHEIRA
Vanessa CASTANHEIRA
Catarina Barbosa subiu ao palco do Grand Théâtre du Luxembourg com “Shoot the cameraman”, um espetáculo de dança contemporânea criado pela As We Are, a companhia da bailarina portuguesa com o marido, o coreógrafo belga Baptiste Hilbert. Uma peça viva e densa numa miscelânia entre a espontaneidade da dança com a dinâmica da sétima arte.

 A narrativa centra-se na relação, sentimentos e comportamentos de um casal, marido e a esposa. Em cena, os dois protagonizam momentos densos e íntimos. “Shoot de cameraman” é um drama passional dançado e filmado criando-se um ambiente complexo em palco. Com os dois dançarinos, que interpretam a esposa e o marido, estão dois cameramen que presenciam e captam o relacionamento dos dois. Mais que espetadores, os dois interagem.

À medida que a história evolui, cresce no marido “uma ânsia de poder e de domínio”, disse ao Contacto o coreógrafo Baptiste Hilbert. “Essa fome de poder cresce de tal forma que o marido transforma-se num tirano e essa evolução é acompanhada pelos próprios gestos e expressão corporal”, continuou o coreográfo que ainda garantiu que “não é apenas uma violência contra a esposa, mas contra o mundo”. No drama, o marido tem vários ataques psicóticos e gestos violentos também para com a camerawoman. “Há a consciência da presença dos dois cameramen”, explicou.

A exploração visual é projetada num ecrã em palco, que dá dinamismo e diferentes pontos de densidade à interpretação dos dois bailarinos. Torna-se intrusiva. Criam-se vários ambientes e cenários que dão liberdade de escolha ao espetador. Há cenas mais ou menos profundas dependendo da interação entre a câmara de vídeo e os bailarinos.

“Shoot de cameraman” é um espetáculo vivo, de interação e espontâneo. A liberdade de captação, de seleção de imagens projetadas e de escolha transformam cada momento. Explora a intensidade do movimento do corpo do tecido coreográfico com o poder da imagem.

O espetáculo esteve agendado inicialmente para a temporada passada, tendo sido adiado por causa do encerramento dos espaços culturais do país. Depois de um primeiro feedback e questionado se um ano de paragem fez Catarina Barbosa e Baptiste Hilbert, que além de coreógrafo ainda escolhe as gravações projetadas na tela, repensarem o tecido coreográfico, o coreógrafo assumiu que “mudou-se o ritmo, mas não a essência. Também se mudou a intérprete de camarawoman. A quatro dias da apresentação no Grand Théâtre, Catherine Dauphin viu-se impedida de viajar para o Luxemburo, tendo sido substítuida pela bailarina Ileana Orofino, a quem Catarina Barbosa teceu elogios por ter tido “uma adaptação rápida”. “É bailarina, mas gosta de vídeo e conseguiu rapidamente enquadrar-se”, concluiu. O segundo videógrafo continua a ser Pedro Barbosa, que já participou em projetos anteriores da As We Are (AWA)

De recordar que “Shoot de Cameraman” é um conceito da companhia AWA, a bailarina portuguesa radicada no Luxemburgo Catarina Barbosa, e o coreógrafo belga Baptiste Hilbert. Ambos conheceram-se na Ballet Júnior de Genebra, a escola de dança na Suíça, onde Catarina concluiu a sua formação. Com AWA, a bailarina e o coreógrafo têm apresentados vários projetos da sua autoria e têm organizado festivais, encontros e workshops. Além da liberdade de trabalhar nos próprios projetos, querem também que a dança se popularize.

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