Escolha as suas informações

Delfim Sardo diz que “não faz sentido” Portugal manter colecção de Miró
Cultura 3 min. 22.04.2015 Do nosso arquivo online
Curador de arte contemporânea português no Luxemburgo

Delfim Sardo diz que “não faz sentido” Portugal manter colecção de Miró

Delfim Sardo
Curador de arte contemporânea português no Luxemburgo

Delfim Sardo diz que “não faz sentido” Portugal manter colecção de Miró

Delfim Sardo
Foto: Lex Kleren
Cultura 3 min. 22.04.2015 Do nosso arquivo online
Curador de arte contemporânea português no Luxemburgo

Delfim Sardo diz que “não faz sentido” Portugal manter colecção de Miró

O curador de arte contemporânea Delfim Sardo defendeu no Luxemburgo que “não faz sentido” o Estado português manter a totalidade dos quadros de Miró que pertenciam ao BPN, um total de 85 telas do artista catalão.

O curador de arte contemporânea Delfim Sardo defendeu no Luxemburgo que “não faz sentido” o Estado português manter a totalidade dos quadros de Miró que pertenciam ao BPN, um total de 85 telas do artista catalão.

A questão surgiu no período dedicado a perguntas do público, durante uma conferência sobre arte moderna e contemporânea em Portugal, organizada pelo Museu Nacional de História e Arte (MNHA) do Grão-Ducado. “Se o Estado Português quer vender os quadros de Miró que pertenciam ao BPN, tem esperança que compre a colecção Berardo e o acervo da Fundação Elipse para garantir a permanência destas duas colecções em Portugal?”, perguntou um elemento do público.

Em resposta, Delfim Sardo defendeu que a questão tem de ser abordada “de um ponto de vista mais técnico e político e menos apaixonado”, admitindo que “há quatro ou cinco obras [de Miró] de grande qualidade que seria interessante reter, mas sempre integradas numa colecção de arte moderna e contemporânea”. Para o comissário, manter a totalidade dos quadros de Miró “não faz sentido”.

Delfim Sardo destacou ainda “o carácter marcadamente internacional” de duas colecções privadas, a de Joe Berardo e a da entretanto extinta Fundação Elipse. O Museu Berardo, instalado no Centro Cultural de Belém (CCB), “tem uma escala que Portugal até aqui não tinha conhecido, com obras de artistas como Andy Warhol ou Anish Kapoor”, defendeu o crítico de arte. Para que a colecção permaneça em Portugal, o Estado português terá de a comprar em 2016.

Também a colecção da Fundação Elipse do agora extinto Banco Privado Português tem neste momento destino incerto.

“Juntamente com as obras da Culturgest/CGD, estas duas colecções formariam um acervo que poderia ombrear com outras colecções internacionais”, sublinhou.

Delfim Sardo esteve no Luxemburgo na quarta-feira para apresentar uma conferência integrada no ciclo “Radiografia às colecções de arte portuguesas”, organizada pelo MNHA no âmbito da permuta de obras com o Museu Nacional de Arte Antiga em Lisboa.

O antigo director do Centro de Exposições do Centro Cultural de Belém (hoje Museu Berardo) abriu a palestra com a imagem de um painel da auto-estrada A23 que liga Lisboa à Guarda, para sublinhar que “Portugal tem uma condição simultaneamente de periferia e cosmopolita”.

Para o especialista e crítico de arte, o país sofreu uma transformação radical nos últimos 40 anos. Delfim Sardo ilustrou essa modificação com uma imagem de um painel da série “Dead End – Highway Panels”, de João Louro, que reflecte “o salto que Portugal deu da pré-modernidade directamente para a pós-modernidade, sem passar pela modernidade”, explicou. Para Delfim Sardo, essa evolução encontra-se inscrita “na paisagem do país, bem como na sua paisagem cultural”.

Apesar da existência de um movimento modernista, essas obras, e mais tarde as das diferentes vanguardas, não eram adquiridas de forma consistente pelos museus até aos anos 80.

“O Museu Nacional de Arte Contemporânea [MNAC], criado em 1911, foi o primeiro no mundo com esse nome”, sublinhou. Apesar disso, as posições conservadoras das sucessivas direcções do museu impediram a aquisição e exposição de obras modernistas ou de vanguarda.

“Desde a reabertura, em 1994, tem uma colecção e exposições interessantes”, ressalvou.

Nas décadas de 60 e 70, só a Fundação Gulbenkian se dedicou à arte moderna e contemporânea, “apoiando artistas portugueses com bolsas de estudo e de trabalho, e comprando obras de forma consistente”, explicou.

A colecção resultante foi instalada no Centro de Arte Moderna (CAM), inaugurado em 1983.

Além disso, a Gulbenkian também resgatou do esquecimento o pintor Amadeo de Souza Cardoso, comprando muitas das suas obras. A sua morte prematura, aliada à posição retrógrada do MNAC, e o posterior esquecimento, impediram a sua inscrição na história da arte moderna, “apesar de em 1913 ter sido cabeça de cartaz no famoso Armory Show em Nova Iorque, juntamente com Picasso, Braque ou Matisse”, revelou.

Dez anos depois do CAM, foram inaugurados o Centro Cultural de Belém, com o seu Centro de Exposições, e a Culturgest da Caixa Geral de Depósitos, um importante centro de criação artística. Em 1999, o Museu de Serralves abre as portas com a exposição “Circa 1968”, dedicada a essa década de criação artística.

Vera Herold


Notícias relacionadas

Exposição “Para Sempre”
Stéphanie de Lannoy, a grã-duquesa herdeira do Luxemburgo, visitou esta segunda-feira a exposição “Para Sempre”, no Instituto Camões, na presença do artista plástico Miguel Branco.
Stéphanie visitou o Centro Cultural Português acompanhada pelo autor da exposição, Miguel Branco.
Entrevista com António Filipe Pimentel, director do Museu Nacional de Arte Antiga
O director do Museu Nacional de Arte Antiga em Lisboa vai estar no Luxemburgo na quinta-feira para falar sobre o museu que dirige, numa conferência organizada pelo Museu de História e Arte do Luxemburgo. Antecipando a palestra, António Filipe Pimentel levanta o véu sobre o futuro do museu lisboeta.
António Filipe Pimentel, director do Museu Nacional de Arte Antiga em Lisboa, vai estar no Luxemburgo na quinta-feira para falar sobre o museu que dirige há cinco anos
O Museu Nacional de História e Arte do Luxemburgo vai ter patente a partir de 29 de Janeiro uma pintura do Museu de Arte Antiga em Lisboa, no âmbito da iniciativa “Obra Convidada”, que vai levar uma tela do museu luxemburguês também a Portugal.
O Museu Nacional de História e Arte do Luxemburgo, na capital, vai acolher uma obra do Museu de Arte antiga, em Lisboa