Escolha as suas informações

"Cult Night": A noite em que o fado foi rei em Echternach
Cultura 8 3 min. 23.11.2015 Do nosso arquivo online

"Cult Night": A noite em que o fado foi rei em Echternach

Cultura 8 3 min. 23.11.2015 Do nosso arquivo online

"Cult Night": A noite em que o fado foi rei em Echternach

A cidade de Echternach foi palco este fim-de-semana do primeiro festival de Fado no Grão-Ducado, no âmbito da iniciativa “Cult Night”. Veja aqui a nossa fotogaleira.

A cidade de Echternach foi palco no fim-de-semana do primeiro festival de Fado no Grão-Ducado, no âmbito da iniciativa "Cult Night".

Foram vários os concertos de fado que tiveram lugar no sábado à noite em quatro cafés espalhados pela cidade, como nos contou o músico luxemburguês e organizador da iniciativa, Marc Demuth, da Escola de Música de Echternach.

"Este é o quarto ano consecutivo que organizamos a 'Cult Night', uma iniciativa que se assemelha à 'Noite dos Museus' mas neste caso é a 'Noite musical', evento que permite anualmente que os alunos da escola de música de Echternach possam tocar em vários locais da cidade. Este ano decidimos fazer algo diferente até porque 30% da comunidade em Echternach é portuguesa, são cerca de 1.700 portugueses. Daí a ideia de organizar este ano a iniciativa ‘Echternach goes Fado´. Pretendemos recriar o ambiente de Alfama e no próximo ano pretendemos dar continuidade à iniciativa promovendo o fado".

O impulsionador da iniciativa e responsável pelo programa do festival convidou as fadistas Raquel Barreira e Paula de Oliveira, já bem conhecidas do Luxemburgo. De Portugal veio propositadamente a fadista Isa de Castro e o guitarrista Miguel Silva.

O Café de la Culture, no centro da cidade, teve casa cheia para "abrir" a noite do Fado e escutar a voz da fadista Raquel Barreira. Mais de uma dezena de pessoas aguardavam ansiosamente para escutar a bela voz da fadista de origem lisboeta.

No dia seguinte ao concerto, a fadista revelou na sua página oficial do Facebook o que sentiu nessa noite. "Foi uma noite a não esquecer, a de ontem [sábado], em Echternach! Foram 2 concertos das 20h30 até quase à meia-noite! O público foi magnífico, muitos portugueses e muitos estrangeiros... e o FADO! Echternach parecia ter acordado!", escreveu Raquel Barreira.

A fadista e conhecida locutora da Rádio Latina interpretou fados de Lisboa acompanhada por João Godinho na guitarra portuguesa e Paulo Levi na guitarra acústica.

Raquel Barreira revelou ao CONTACTO que sentiu "muito orgulho" em ser convidada para este primeiro Festival e de poder participar numa noite inteiramente dedicada ao fado, o que para ela é "pouco comum no Luxemburgo".

"Tenho pena que não existam mais manifestações deste género no país porque há tanto público, quer luxemburguês, quer português que pede para ouvir cantar o fado. O problema é que não existem locais apropriados para se cantar o fado nem alturas do ano em que haja um festival em que se pode enquadrar o fado, por isso fico muito contente que Echternach tome esta iniciativa de organizar esta noite com quatro músicos diferentes em quatro locais distintos. Para mim é uma estreia porque nunca dei dois concertos numa noite só".

A fadista e os seus músicos actuaram igualmente no Café Virus em Echternach, sábado à noite.

Simultaneamente, no Café Dikkrecher Stuff, a fadista Paula Oliveira surpreendia o público com fados tradicionais, acompanhada à guitarra portuguesa por Miguel Silva e na viola por Joaquim Caniço.

Ovacionada várias vezes pelo público após temas como "Aquela rua", "Britinho", ou quando cantou "Maria Lisboa", a fadista que vive há mais de 30 anos no Luxemburgo, falou ao CONTACTO.

"Quando fui convidada para participar não percebi que seriam vários artistas a actuar em vários locais da cidade. Acho simplesmente genial a ideia de organizar este Festival e era bom que se estendesse a outras cidades".

O tributo ao fado teve início na sexta-feira, com a sala de cinema Sura a apresentar o filme "Fados" do realizador espanhol Carlos Saura e prolongou-se pelo sábado à noite com os vários concertos espalhados por vários cafés. A iniciativa teve a colaboração da Comissão de Integração e do Sindicato de Iniciativa de Echternach.

Patrícia Marques


Notícias relacionadas