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Crítica de cinema: The Big Sick
Um paquistanês chofer da Uber? Os clichés já não são o que eram

Crítica de cinema: The Big Sick

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Um paquistanês chofer da Uber? Os clichés já não são o que eram
Cultura 2 min. 30.08.2017

Crítica de cinema: The Big Sick

Dizer que “The Big Sick” é uma autobiografia é verdade mas não chega. Trata-se da história de um momento preciso na vida de um cómico que se apaixona pela sua atual mulher enquanto esta estava em estado de coma.

Dizer que “The Big Sick” é uma autobiografia é verdade mas não chega. Trata-se da história de um momento preciso na vida de um cómico que se apaixona pela sua atual mulher enquanto esta estava em estado de coma.

O argumento foi escrito pelo casal Emily Gordon e Kumail Nanjiani com base na história de amor que ambos viveram. Sem estragar o prazer de ver “The Big Sick” pode dizer-se que Kumail é um jovem paquistanês que emigrou muito pequeno para os Estados Unidos com os pais. Estes mantêm as tradições do país de origem, entre as quais está o casamento arranjado. Para quem não sabe, no Paquistão pratica-se a mesma tradição que na Índia: os pais tentam encontrar entre eles cônjuges para os seus rebentos.

Kumail, que pretende ser cómico de “stand up” e não advogado tal como os seus pais desejariam, conforma-se com o ritual organizado pela sua mãe que, regularmente convida jovens casadoiras para jantar tentando assim levar o filho ao casamento. Kumail não conta aos pais que encontrou uma americana – não paquistanesa e não muçulmana – com quem tem uma tumultuosa relação.

Um dia, e sem aviso, Emily é internada de urgência no hospital e os médicos colocam-na em coma devido à gravidade do seu estado de saúde. O filme, uma simples história de amor num contexto de intolerância, ganha velocidade com este acontecimento mas, sobretudo, com a aparição dos pais de Emily, interpretados por Ray Romano e Holly Hunter.

Os progenitores não percebem o interesse de Kumail em acompanhar o estado de Emily já que os dois não namoram na sequência de uma malentendido resultante das tentativas de arranjar uma noiva pela parte da mãe de Kumail. Quando Emily entra em coma a situação é estranha mas Kumail acaba por tomar conta dos assuntos da sua ex-namorada como também se torna no maior apoio para os pais dela.

O filme é uma tragicomédia simpática que tem a curiosidade de ser baseada numa história verdadeira (por muito incrível que pareça). Humor e drama misturam-se bem criando uma obra simples mas deliciosa. Além disto, «The Big Sick» é também uma película sobre coisas tão sérias como as dificuldades das segundas e terceiras gerações de emigrantes em conjugarem os costumes da terra de origem com os do país de acolhimento. Com uma mensagem final positiva e bem humorada, “The Big Sick” é um filme indicado para todos os emigrantes do mundo.

“The Big Sick” de Michael Showalter, com Kumail Nanjiani, Zoe Kazan, Holly Hunter, Ray Romano, Anupam Kher e Zenobia Shroff.

por Raúl Reis

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