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Crítica de cinema: Silence : O silêncio é de ouro
"Silence" de Martin Scorcese

Crítica de cinema: Silence : O silêncio é de ouro

"Silence" de Martin Scorcese
Cultura 23.02.2017

Crítica de cinema: Silence : O silêncio é de ouro

Um dia, ao fazer o “check in” num hotel de Sapporo, na ilha de Hokkaido, a rececionista, surpreendida, diz-me: “Acho que é o primeiro português no nosso hotel!”. Decidi recordar-lhe a História e respondi, quase espontaneamente: “Mas olhe que não sou o primeiro nesta ilha!”.

Um dia, ao fazer o “check in” num hotel de Sapporo, na ilha de Hokkaido, a rececionista, surpreendida, diz-me: “Acho que é o primeiro português no nosso hotel!”. Decidi recordar-lhe a História e respondi, quase espontaneamente: “Mas olhe que não sou o primeiro nesta ilha!”.

A presença portuguesa no Japão é pouco conhecida, inclusivamente dos japoneses que ignoram que muitas palavras que utilizam no dia-a-dia têm origem na língua portuguesa.

Martin Scorsese assinou um filme que está a fazer mais pelas relações luso-japonesas que todos os manuais de História e todas as minhas visitas ao país do Sol Nascente.

O filme “Silence” é inspirado num livro do escritor japonês católico (adjetivos que raramente aparecem juntos) Shusaku Endo. Este autor contou, em 1966, a história de missionários portugueses que no Japão evangelizavam as populações locais séculos antes. O trabalho destes homens foi tudo menos fácil. As autoridades japonesas tentaram limitar a expansão do catolicismo e expulsaram os estrangeiros (na altura portugueses, espanhóis e indianos) que eram acusados de promover religiões estranhas à cultura do arquipélago. Os holandeses escaparam então ao “boicote” porque – consideravam os “shoguns” – pretendiam apenas negociar.

“Silence” conta a história de dois jovens jesuítas portugueses, Rodrigues e Garupe, que vão ao Japão para averiguar do destino do padre Ferreira. Este clérigo tinha sido professor dos dois jovens e os seus pares questionavam-se sobre a sua situação.

O filme de Scorsese centra-se na questão da (in)tolerância, mas vai mais longe, coloca questões sobre o sofrimento e a capacidade que cada um tem para o suportar. A fé dos padres é posta à prova e o posicionamento dos protagonistas não parece ser nobre.

Os atores são extraordinários, com destaque para Andrew Garfield que é o grande protagonista do filme, ajudado pelo habitual brilhantismo do realizador que assina momentos de beleza inesquecíveis.

“Silence” de Martin Scorsese, com Andrew Garfield, Liam Neeson, Adam Driver, Tadanobu Asano e Ciaran Hinds.

Raúl Reis

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