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"OSS 117". Muito humor para poucas gargalhadas
Opinião Cultura 2 min. 16.08.2021
Crítica de cinema

"OSS 117". Muito humor para poucas gargalhadas

Crítica de cinema

"OSS 117". Muito humor para poucas gargalhadas

Foto: Divulgação
Opinião Cultura 2 min. 16.08.2021
Crítica de cinema

"OSS 117". Muito humor para poucas gargalhadas

António Raúl VAZ PINTO DA CUNHA REIS
António Raúl VAZ PINTO DA CUNHA REIS
Na verdade o grande problema deste filme não são os atores; é a escrita.

Foram 10 anos de espera para podermos ver esta terceira parte da saga OSS 117. O James Bond francês em versão cómica fez-se desejar, mas regressou com honras de festival de Cannes, um novo realizador e um título que já anuncia a cor do filme: "OSS 117: Alerte rouge en Afrique noire".

A primeira questão que se coloca é: por que razão substituíram Michel Hazanavicius por Nicolas Bedos? Não que este último seja um mau realizador, mas trocar alguém que conhece perfeitamente a receita por um novo homem do leme é um risco enorme.

No que respeita aos atores, Jean Dujardin continua a personificar brilhantemente uma personagem que é tão estúpida que custa a crer, mas o ator consegue convencer-nos e torna credível o impossível.

Na verdade o grande problema deste filme não são os atores; é a escrita. Nicolas Bedos tem por objetivo claro falar do nosso tempo através de outra época para criticar a atualidade. E porque não? A ideia de que o ser humano pode ser estúpido em qualquer época é real, e é muito fácil traçar o paralelo entre dois momentos diferentes.

Bedos quer gozar com os críticos das redes sociais, sobretudo aqueles que se mobilizam mal surge uma nádega ou um mamilo, e quer esmagar os aiatolás do politicamente correto. Tudo bem! Qualquer pessoa normalmente constituída pode alinhar nesta missão e apoiá-la, mas é porque o objetivo se torna uma obsessão que a construção de um verdadeiro argumento é relegada para segundo plano.

Foto: Divulgação

A personagem interpretada por Pierre Niney é o sintoma mais visível. O ator incorpora o tipo branco, suave e perfeito que todas as mães gostariam de ter como genro. Contudo, a sua personagem só causa aborrecimento no espectador. Ressalva: a interpretação dos vários atores de "OSS 117: Alerte rouge en Afrique noire" é excelente, mas o material que lhes colocaram à disposição é francamente... fraco.

A dupla Dujardin-Niney acaba por ser decepcionante. Podemos sentir a hesitação dos autores sobre o lugar da personagem de OSS 1001, um geek metrossexual e progressista, em desacordo com seu antecessor. Entre o omnipresente palhaço branco e o icónico papel de coadjuvante, os argumentistas optaram pela segunda escolha, que é confirmada pelo poster e pelos créditos. No entanto, é precisamente a oposição entre os dois espiões que deveria ser mais explorada.

Estamos, portanto, diante de um produto agradável, mas superficial. Nicolas Bedos, que adaptou e dirigiu o filme, deveria ter-se envolvido mais no argumento e nos diálogos. O dramaturgo, colunista e humorista foi mordaz nas duas produções cinematográficas que realizou até este OSS e certamente que poderia fazer mais, Bedos deixou-se confinar no papel de coordenador - que desempenha com profissionalismo, mas sem brilhantismo – assegurando serviços mínimos.

Mas talvez este terceiro episódio da saga OSS seja apenas um episódio de transição, antes de outra tirada da franquia.

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