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Crítica de cinema: “La La Land” : Deixem-me confessar uma coisa...
O filme “La La Land” arrecadou 14 nomeações para os Óscares

Crítica de cinema: “La La Land” : Deixem-me confessar uma coisa...

O filme “La La Land” arrecadou 14 nomeações para os Óscares
Cultura 01.02.2017

Crítica de cinema: “La La Land” : Deixem-me confessar uma coisa...

Deixem-me dizer que a minha paixão pelo cinema começou aos domingos à tarde, na RTP, quando os filmes de matinée televisiva eram musicais, quase sempre com Fred Astaire no papel principal, acompanhado de Ginger Rogers ou de Cyd Charisse.

Deixem-me dizer que a minha paixão pelo cinema começou aos domingos à tarde, na RTP, quando os filmes de matinée televisiva eram musicais, quase sempre com Fred Astaire no papel principal, acompanhado de Ginger Rogers ou de Cyd Charisse; filmes que tinham muito som, muita cor, apesar de serem a preto e branco, porque a televisão a cores chegou anos mais tarde quando eu já não gostava de musicais porque então me parecia que a música servia para encher chouriças; mas apesar de a fase passar, o gosto pela música no cinema ficou e adorei descobrir “Flashdance” ou outros musicais para o grande público que os anos 80 trouxeram e que nunca conseguiram fazer reviver a magia dos velhos filmes dos anos 50 que tinham ficado gravados na minha mente, tal como na de um senhor chamado Damien Chazelle, o realizador de “La La Land”, o filme que arrecadou 14 nomeações para os Óscares e que provavelmente vai acumular estatuetas douradas, porque “La La Land” é um filme brilhante, de luz e de som, de cor e de música, de atores brilhantes e de uma história simples que afinal é surpreendente, um filme que tem princípio, meio e fim e que até propõe diferentes opções para deixar sonhar os espetadores, como se eu fosse a personagem encarnada por Ryan Gosling e ela fosse Emma Stone, como se toda a plateia fosse transportada até aos despreocupados anos 50 sem sair do século XXI, contrastando tanto com os tempos que vivemos; e é por isso que este filme de Chazelle tem ainda mais valor, porque este realizador entrou na máquina do tempo para reproduzir o estilo, as cores e o trabalho de câmara para nos levar com ele até um momento em que um engarrafamento se transformava em dança criando felicidade, e esta fábula funciona porque Chazelle teve uma visão e foi-lhe fiel até ao final, porque antes de contar uma história decidiu oferecer um momento de prazer visual e sonoro, um regresso a esse passado em que todos gostaríamos de ter sido Fredes Astaires ou Gingeres Rogeres.

“La La Land” de Damien Chazelle, com Ryan Gosling, Emma Stone e John Legend.

Raúl Reis

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