Escolha as suas informações

Crítica de cinema – “La Belle Époque”. Regresso ao passado à moda francesa
Cultura 2 min. 16.11.2019

Crítica de cinema – “La Belle Époque”. Regresso ao passado à moda francesa

Crítica de cinema – “La Belle Époque”. Regresso ao passado à moda francesa

Cultura 2 min. 16.11.2019

Crítica de cinema – “La Belle Époque”. Regresso ao passado à moda francesa

Um filme francês em Cannes vive sempre uma “belle époque”.

Victor vive momentos de desmotivação e de tristeza na sua vida pessoal. Mas um empresário bastante original propõe-lhe uma atração inédita: viver de novo uma época da vida à sua escolha. E Victor não hesita: quer ser muito mais jovem e reviver a altura em que se apaixonou pela sua atual esposa Marianne, 40 anos atrás...

É estranho ver cinema europeu, e sobretudo francês, sobre viagens no tempo. O desafio é lançado por Nicolas Bedos, que assina com “La Belle Époque” a sua segunda longa metragem.

O elemento de viagem no tempo não é fundamental neste filme. Estamos sobretudo perante uma comédia romântica que satiriza a vida de um casal que se foi afastando. O marido vai poder reviver a semana mágica dos anos 70 em que se apaixonou pela mulher.

O filme de Bedos caracteriza-se por um ritmo surpreendente que, aliás, identifica a forma de escrever deste ensaísta reconvertido em cineasta. A velocidade que o autor impõe ao filme talvez tenha prejudicado um pouco a coerência pois “La Belle Époque” acaba por não seguir sempre e bem a ideia de fantasia temporal.

O filme chega às salas seis meses depois de ter sido muito apreciado pela crítica francesa no festival de Cannes, mas sem ter merecido presença no palmarés. “La Belle Époque” vive da ideia que é, sem dúvida, original mas também de um ramalhete de atores de peso: Daniel Auteuil, Fanny Ardant e Guillaume Canet.

Exagerados e com excessos de nacionalismo, alguns críticos afirmaram que “se sai da sala em plena reviravolta emocional, mas feliz, com um sorriso nos lábios e alegria no coração”, enquanto que outros se concentraram na prestação de Daniel Auteil que a revista Première define como “acertada, apaixonada pelo papel, pela história e pela ideia de se divertir com os seus amigos dos anos 90”. Outras análises da obra de Nicolas Bedos vão ao ponto de dizer que “La Belle Époque” tem “o charme absoluto dos grandes filmes da idade de ouro da Sétima Arte”.

Mais contidos, os críticos dos Cahiers du Cinéma consideraram que “o filme se refugia numa nostalgia de pacotilha”. E essa é a impressão que me parece deixar esta obra que nunca é fiel à época da juventude do protagonista.

Comecei esta crítica a falar da surpresa que é ver um filme com esta premissa de viagem no tempo no cinema francês e vou ter de acabar nesse contexto. Imaginemos esta ideia na mão de alguns cineastas americanas com provas dadas no domínio das fantasias deste género: “La Belle Époque” podia ser genial. O filme de Bedos é apenas giro, divertido e agradável de ver mas nunca se perde na sua própria fantasia como se nela não acreditasse. E isso é uma pena.

“La Belle Époque” de Nicolas Bedos, com Daniel Auteuil, Guillaume Canet, Doria Tillier, Fanny Ardant, Pierre Arditi e Denis Podalydès. 

Raul Reis