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Crítica de cinema: “Fences” : O racismo de ontem e de hoje
"Fences", avec Denzel Washington

Crítica de cinema: “Fences” : O racismo de ontem e de hoje

"Fences", avec Denzel Washington
Cultura 08.03.2017

Crítica de cinema: “Fences” : O racismo de ontem e de hoje

Denzel Washington está no coração deste filme e é o veterano ator que o transporta em braços, mas com uma grande ajuda de Viola Davis, que obteve o Óscar para a atriz secundária pelo seu brilhante desempenho.

Denzel Washington está no coração deste filme e é o veterano ator que o transporta em braços, mas com uma grande ajuda de Viola Davis, que obteve o Óscar para a atriz secundária pelo seu brilhante desempenho.

“Fences” é um filme baseado numa peça de teatro que foi protagonizada nos palcos da Broadway pelos mesmos atores. Conta a história de um homem negro que foi um excelente jogador de basebol, mas que durante toda a vida teve de se confrontar com o racismo, que o impediu de ir mais longe na carreira desportiva. Agora mais velho, o jogador já fez de tudo para sobreviver e, ainda por cima, tem dificuldades familiares. O filme, que começa num tom mais ou menos despreocupado, vai-se tornando mais dramático. A personagem interpretada por Washington é um homem ambíguo, cinzento, cheio de remorsos e tenta preencher o vazio que sente com álcool e outros métodos. Esse homem, violento e tantas vezes parvalhão, consegue manter a simpatia dos público, que nunca consegue odiá-lo verdadeiramente.

Washington não ganhou o Óscar, nem como realizador nem como ator, mas pelo segundo feito o galardão seria merecido. Viola Davis, que é também protagonista, concorreu ao Óscar para atriz secundária o que, sabemos agora, foi uma “jogada” inteligente que lhe facilitou a conquista da estatueta dourada. Os restantes atores de “Fences” parecem motivados pelas prestações de Washington e Davis e encontram o seu lugar neste forte drama que sofre apenas pela consanguinidade teatral. O realizador deixa-se influenciar pelo trabalho feito no teatro ao ponto de dar a impressão que tudo se passa num palco. Apesar deste defeito de “encenação”, “Fences” é um drama energético, frontal, poderoso e detentor de um ritmo surpreendente, baseado num argumento bastante inteligente e sem pontas soltas. Trata-se de um filme sobre pessoas que deixa lições e, sobretudo, pistas de reflexão nestes tempos tão conturbados.

“Fences” de e com Denzel Washington, com Viola Davis, Stephen Henderson e Jovan Adepo.

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