Escolha as suas informações

Crítica de cinema: “Es war einmal in Deutschland” : A guerra também pode ser divertida
“Es war einmal in Deutschland” de Sam Garbarski, com Moritz Bleibtreu, Antje Traue, Mark Ivanir, Anatole Taubman e Hans Löw.

Crítica de cinema: “Es war einmal in Deutschland” : A guerra também pode ser divertida

“Es war einmal in Deutschland” de Sam Garbarski, com Moritz Bleibtreu, Antje Traue, Mark Ivanir, Anatole Taubman e Hans Löw.
Cultura 12.04.2017

Crítica de cinema: “Es war einmal in Deutschland” : A guerra também pode ser divertida

Comecemos pelo título. É natural que encontrem este filme com nome alemão (“Es war einmal in Deutschland”) ou em inglês (“Bye Bye Germany”) ou ainda numa segunda versão alemã (“Auf Wiedersehen Deutschland”).

Comecemos pelo título. É natural que encontrem este filme com nome alemão (“Es war einmal in Deutschland”) ou em inglês (“Bye Bye Germany”) ou ainda numa segunda versão alemã (“Auf Wiedersehen Deutschland”).

Como se trata de uma coprodução belgo-germanico-luxemburguesa todos os títulos são válidos mas manifesto a minha clara preferência pelo primeiro. O realizador belga Sam Garbarski assina quase uma história da carochinha, cheia de ternura, humor e, no fundo no fundo, dramática.

A ação decorre no final da Segunda Grande Guerra. As hostilidades acabaram mas nada se estabilizou ainda, sobretudo no que respeita a milhares de judeus e outros prisioneiros dos nazis que esperam pelo próximo capítulo das suas vidas em campos onde vivem amontoados e na miséria.

David Bermann (Moritz Bleibtreu) é o protagonista; um judeu que sonha com um passaporte para os Estados Unidos que tarda porque as autoridades norte-americanas suspeitam o protagonista de ter colaborado com os alemães durante a guerra.

Enquanto responde aos inquéritos e espera pela autorização para partir, David lança um negócio de venda de atoalhados, mostrando bem os desenrascanços do pós-guerra e como muitos empresários fizeram fortuna muito depressa nesse período tão conturbado.

O assunto não é novo, mas o realizador belga opta por uma abordagem cómica que nunca falta ao respeito a ninguém, exceto talvez aos militares nazis. E quando é necessário, Garbarski adota um tom mais sério. Esta mistura de tons transforma “Es war einmal in Deutschland” numa obra bastante original.

Os criadores da obra decidem “dar o tom” começando por mostrar um cão com três patas que vagueia no campo de refugiados. Tal como esse pobre animal, todos os protagonistas têm uma deficiência, um ferimento, um empecilho. É Garbarski a dar uma de Kusturica, mas com muito mais comedimento e subtileza. Sem nunca revelar o que vai acontecer a seguir, o realizador surpreende, saltando do dramático para o cómico e propondo um final tão inesperado como plausível.

“Es war einmal in Deutschland” de Sam Garbarski, com Moritz Bleibtreu, Antje Traue, Mark Ivanir, Anatole Taubman e Hans Löw.

Raúl Reis

Siga-nos no Facebook, Twitter e receba a nossa newsletter das 17h30.