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Conselho de Imprensa diz que os apoios do Estado "não garantem a sobrevivência de ninguém"
Cultura 2 min. 14.12.2020

Conselho de Imprensa diz que os apoios do Estado "não garantem a sobrevivência de ninguém"

Conselho de Imprensa diz que os apoios do Estado "não garantem a sobrevivência de ninguém"

Wort
Cultura 2 min. 14.12.2020

Conselho de Imprensa diz que os apoios do Estado "não garantem a sobrevivência de ninguém"

Só um novo pacote de apoio à comunicação social pode evitar o pior. Quem o diz é Jean-Lou Siweck, Presidente do Conselho de Imprensa.

Com quedas publicitárias milionárias, o setor da imprensa está pelas ruas da amargura como evidenciam o cada vez menor número de páginas dos jornais, as vendas de ativos e os planos sociais que têm culminado na reestruturação dos quadros das diferentes empresas da comunicação social no Grão-Ducado. A solução, diz o líder do Conselho de Imprensa, é a repetição da terapêutica da primeira vaga da pandemia: mais apoios. 

Confrontadas com a digitalização da informação, cada vez mais consumida através dos aparelhos móveis e dos computadores, as redações estão numa luta contra o tempo, agravada ainda mais pelos efeitos da pandemia. 

Discutido desde 2014, o plano de apoio ao setor deverá entrar em vigor já no próximo ano. Introduzido em julho, o projeto de lei 7631 prevê uma "mudança de paradigma" na forma como a ajuda aos meios de comunicação social é calculada. Agora, a poucos dias do fim de 2020, o Conselho de Imprensa vem validar as linhas principais do texto.

Como está não pode ficar 

"O esquema, tal como atualmente proposto, não garante a sobrevivência de ninguém", começa o Presidente do orgão que representa os orgãos de comunicação do país. "Isto deve ficar muito claro. Pois pode muito bem haver uma situação em que os editores não serão capazes de encontrar o suficiente dos seus próprios rendimentos para beneficiarem da ajuda como um todo. Isto levanta a questão da sobrevivência. Mas este esquema, em virtude da sua existência, permite a sobrevivência de títulos que, puramente deixados nas mãos do mercado, não o fariam", faz a comparação. 

Questionado pela edição francesa do Wort, esta segunda-feira, Jean-Lou Siweck defende que o novo regime não vai ter qualquer impacto a nível da concentração dos meios." Tal como no regime introduzido em 1974, o futuro prevê a concessão de montantes maiores a gabinetes editoriais maiores. Mas com tetos. Com salvaguardas para garantir que um título não vive apenas desta ajuda", esclarece. 

Num balanço feito pelo jornal do grupo Saint Paul os montantes que os cofres do Estado pretendem atribuir a cada uma das publicações são: 

Os montantes são atribuídos de acordo com o número de trabalhadores. No caso do Contacto, por exemplo, o montante estimado pela lei tem em conta uma redação com oito elementos. Num ano marcado pela pandemia, pelas entradas e saídas e pelo plano social que levou a uma reestruturação do grupo Saint Paul, a redação ficou reduzida a cinco.  

Com o olhar no futuro, o homem forte da Casa da Imprensa estima que o futuro "dependerá um pouco de como os leitores se comportam. Haverá dois modelos de negócio que serão oferecidos. Um deles é o modelo livre, com as suas limitações, ou seja, notícias muito rápidas com uma profundidade muito limitada. Por outro lado, haverá ofertas pagas que terão de oferecer valor acrescentado, o que pode começar com a ausência de publicidade excessivamente intrusiva a conteúdos muito mais aprofundados. O que estamos a ver agora nos EUA é que os vencedores são os títulos tradicionais que conseguiram adaptar-se".

 

 


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