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Como a arte ajudou a diminuir o crime num bairro problemático
Cultura 12 2 min. 30.01.2020

Como a arte ajudou a diminuir o crime num bairro problemático

Como a arte ajudou a diminuir o crime num bairro problemático

AFP
Cultura 12 2 min. 30.01.2020

Como a arte ajudou a diminuir o crime num bairro problemático

A 'Quinta do Mocho', em Loures, transformou-se num "museu de arte urbana ao ar livre" e aumentou a auto-estima dos habitantes, a maioria oriundo das antigas colónias africanas. Veja as imagens.

Monumental, a imagem de uma mulher negra a retirar a máscara de mulher branca é um dos cerca de cem frescos que cobrem os edifícios de um bairro desfavorecido dos subúrbios do norte de Lisboa, transfigurado pela arte de rua. 

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A obra de Nomen, uma artista de origem angolana, é sem dúvida "a mais importante" para os habitantes da 'Quinta do Mocho' porque "resume a nossa história", disse Emanuela Kalemba à AFP durante uma visita guiada à colorida arte que adorna o seu bairro.

A 'máscara social' dos moradores

"Ela simboliza a máscara social que os moradores do bairro devem usar no exterior. Para concorrer a um emprego, para entrar em uma escola, muitas vezes temos que dar endereços falsos para não dizer que viemos daqui", continua o guia de 30 anos para um grupo de cerca de 50 visitantes, incluindo muitos aposentados. 

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Situado entre o aeroporto de Lisboa, uma moderna zona habitacional e uma zona industrial, o complexo imobiliário de três andares foi construído na viragem dos anos 2000 pelo município de Loures para albergar cerca de 3.000 habitantes, a maioria dos quais provenientes das antigas colónias portuguesas em África.

Bairro estigmatizado

Com os seus muitos desempregados e problemas de delinquência, o bairro foi estigmatizado como uma "zona interdita". Não foi servido por transportes públicos e os taxistas recusaram-se a lá entrar. Em 2014, como primeiro passo para a mudança, o município convidou vários artistas portugueses e estrangeiros para trabalhar no bairro, que é hoje "a maior galeria de arte pública ao ar livre da Europa".

Uma pomba de paz nas cores do arco-íris, um retrato de uma mulher africana com um turbante multicolorido, um enorme retrato monocromático do cantor Bob Marley... estes frescos, criados por artistas portugueses mas também vindos do Uruguai, Peru ou Israel, atraem hoje centenas de visitantes. 

"Resultado espetacular"

"Os artistas conseguiram transformar este bairro degradado e bastante triste em um verdadeiro museu de arte urbana ao ar livre. O resultado é espetacular", diz Celso Rodrigues, um reformado que descobriu a cidade num dia de chuva, durante uma visita guiada. 

"Não basta pintar as paredes para resolver todos os problemas", admite Emanuela Kalemba. Mas este projeto tem o mérito de "ajudar a mudar mentalidades", dando "um pouco de auto-estima aos habitantes" e "mostrar ao mundo exterior que o bairro mudou", diz o guia.

De acordo com as autoridades locais, essa transformação resultou na abertura de uma linha de autocarro, na multiplicação de eventos culturais e até na redução da taxa de criminalidade.



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