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Colette: Amor eterno e incondicional
Cultura 2 min. 23.01.2019

Colette: Amor eterno e incondicional

A última vez que me armei em paparazzo tirei esta foto do meu amor...

Colette: Amor eterno e incondicional

A última vez que me armei em paparazzo tirei esta foto do meu amor...
Cultura 2 min. 23.01.2019

Colette: Amor eterno e incondicional

António Raúl VAZ PINTO DA CUNHA REIS
António Raúl VAZ PINTO DA CUNHA REIS
Keira Knightley é o amor da minha vida. Encantou-me pela primeira vez quando ainda era menor. Se eu soubesse que a jovem jogadora de futebol de “Bend it Like Beckham” apenas contava 17 anos ter-me-ia autoflagelado o que poderia evitar a evolução da paixão nascente.

Mas o destino estava a preparar-me pior prova. Em 2003, a minha musa aparecia em dois filmes: “Pirates of the Caribbean” e “Love Actually”. Este último foi, para mim, prova impossível. Além de Keira se ter transformado numa verdadeira mulher, tinha um sorriso cheio de ternura destinado ao admirador secreto que, na noite de Natal, vem declarar a paixão à moda de Bob Dylan. Um sorriso que podia ser para mim; que era para mim. Ela sorria como que a dizer: “eu gostaria, mas não posso”. “Eu também, meu amor”, respondi...

A partir de “Love Actually”, foi sempre a dobrar: “Pride and Prejudice”, “Atonement”, “Domino” e outros filmes constituíram imensas achas (achas? que digo? gasolina!) na fogueira da minha paixão. Não sei se os filmes eram bons ou maus. Não os vi. Vi apenas Keira, esguia, sorridente, feita de olhos e boca, de ombros perfeitos, de gestos de noiva no altar.

Uns tempos depois, vi Keira ao longe num grande hotel de Cannes e quase desfaleci. Senti o mesmo que as jovens fãs dos Beatles que desmaiavam em pleno concerto. Senti as dores de Julieta, de Romeu, de Inês e de Pedro, de Bonnie e Clyde, de Carrie e Mr Big. As dores de todos e de todas.

Quando, há meia dúzia de anos, me sentei para ver “A Dangerous Method” percebi que estava a testar os meus limites, a minha capacidade de resistir. E falhei. Falhei redondamente. Desejei-a de todo o meu ser e jurei-lhe de novo eterna dedicação. Votos que renovei várias vezes, por exemplo, em “Anna Karenina”: ai que aliança de sensualidade com altivez russa. E depois, Keira subia aos cumes do planeta em “Everest”. E eu cá em baixo, abaixo do nível do mar da minha paixão...

O ano de 2019 começou com uma flecha de titânio no meu pobre coração. Agora Keira chama-se Colette; uma jovem talentosa e romântica traída por um imbecil que dEla se aproveita.

Do filme sobre a famosa escritora não me peçam para contar grande coisa. A personagem que Ela interpreta é Gabrielle Colette, uma rapariga humilde na França do início do século XX. Bela, mas sem condições para chegar a subir na escala social. Sai-lhe a lotaria quando Willy decide casar com Ela apesar da condição financeira, disposto a continuar uma vida de constantes batalhas para chegar ao fim do mês escrevendo livros mais ou menos manhosos. A situação do casal acaba por se tornar muito difícil e Willy decide deixar Colette escrever um livro e publicá-lo como se fosse dele. Quando o livro faz muito mais sucesso do que era esperado, Colette começa a ter vontade de ser reconhecida pelo trabalho.

E Colette é linda. Linda porque Colette é Keira. Por isso o filme é bonito de se ver, repleto de atores e atrizes que têm a sorte de falar com Ela e inclusivamente de lhe tocar. Keira/Colette é, para aquelas pessoas, uma obsessão, uma exceção, uma Mulher, uma lua vermelha que guia destinos. Um eletrão livre que perturba o equilíbrio molecular de um mundo arranjadinho onde não há lugar para amores a sério como aquele que eu continuo a ter por Ela.

“Colette”, de Wash Westmoreland, com Keira Knightley, Eleanor Tomlinson, Dominic West, Fiona Shaw, Robert Pugh e Rebecca Root.