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Cinema português "tem reconhecimento notório além-fronteiras"
Cultura 6 min. 07.11.2019

Cinema português "tem reconhecimento notório além-fronteiras"

Cinema português "tem reconhecimento notório além-fronteiras"

"Snu" , um dos destaques do Festival de Cinema Português, conta a história de coragem e amor entre o primeiro-ministro Sá Carneiro e Snu Abecassis.
Cultura 6 min. 07.11.2019

Cinema português "tem reconhecimento notório além-fronteiras"

Vanessa CASTANHEIRA
Vanessa CASTANHEIRA
"Snu" é o destaque do Festival de Cinema Português que decorre entre 8 e 16 de novembro em várias salas do Luxemburgo. Mas a mostra reúne outros filmes e traz os realizadores Luís e Gonçalo Galvão Teles ao Grão-Ducado. E passa ainda em revista a história do cinema em Portugal.

A 10ª edição do Festival de Cinema Português inovou na programação e além de filmes como "Snu", "São Jorge" ou "Gelo", sai das salas de cinema e tem direito a uma exposição e a uma conferência. O evento decorre entre 8 e 16 de novembro em várias salas de cinema do Luxemburgo.

No âmbito da pré-abertura do certame, o cineasta e professor na Universidade Lusófona Gonçalo Galvão Teles preside à conferência "Le Cinéma Portugais – un cas d’étude". Com 100 anos de história "o cinema português é feito de particularidades e tem um reconhecimento notório além-fronteiras", explica ao Contacto Adília de Carvalho, diretora do Centro Cultural Português – Instituto Camões, organizador do festival em parceria com a Embaixada de Portugal no Luxemburgo. Nesta conferência, o realizador, argumentista, produtor e professor vai passar em revista os 100 anos de cinema em Portugal, que começou com Aurélio Paz dos Reis no século XIX até à atualidade com o cinema de autor. O evento "vai também abordar o seu caso específico enquanto realizador", continua Adília de Carvalho.

"O primeiro filme português data de 1896 com 'A Saída do Pessoal Operário da Fábrica Confiança' de Paz dos Reis ainda na era do cinema mudo, mas há outros géneros que se seguiram como o cinema sonoro, que foi estreado por Severa, as comédias portuguesas, o cinema propaganda, o cinema novo, o cinema Gulbenkian, o de Abril, a Escola Portuguesa e, finalmente, o cinema de autor. "Há muita história para mostrar", refere a Leitora de Português na Universidade do Luxemburgo. A exposição paralela que vai poder também ser vista na Universidade do Luxemburgo, em Belval, é composta por 23 painéis e conta a história dos 100 anos do cinema português. A conferência acontece no dia 8 de novembro às 9h15 no terceiro andar da Maison du Savoir, na Universidade do Luxemburgo em Belval e a inauguração da exposição é às 11h30.

Com o reconhecimento internacional que tem tido, Adília de Carvalho garante que "o festival é para todos, tanto portugueses como estrangeiros". "Este ano há projeções na cinemateca do Luxemburgo, não só na abertura, como aconteceu no ano passado, e isto faz com que o festival ganhe mesmo um ambiente de festival porque é um local de cinéfilos", continua. Além da cinemateca, os filmes vão ser projetados no Centro Cultural Português e no Utopia, um espaço também dedicado às produções independentes.

Se "Snu" é tido como o filme do ano e que tem despertado um maior interesse do público em geral "por ser um filme recente e baseado na história de personalidades da cultura e política portuguesa contemporânea", o festival tem sempre uma vertente mais didática e de apoio à cultura portuguesa. E porque se assinalam os 100 anos sobre o nascimento do poeta Jorge de Sena, o outro destaque vai para "Correspondências", a película baseada nas cartas trocadas durante o exílio de Jorge de Sena e Sophia de Mello Breyner Andresen. Adília de Carvalho garante que "os filmes mais literários e ligados à cultura portuguesa devem ser promovidos pelo Instituto Camões".

Questionada se o cinema português está a passar por uma fase mais madura e meritória de mais interesse pelo público lusófono, Adília Martins defende que "há vários tipos de cinema, há maior diversidade e isso pode tocar diferentes públicos, no entanto continuamos a ter uma ótima qualidade no cinema de autor".

Programação

Dia 8, às 9h45, Maison du Savoir: Conferência com Gonçalo Galvão Teles

O argumentista e realizador, vencedor do Cartoon D’Or (Prémio de Melhor Filme de Animação Europeu) com a curta-metragem "A Suspeita", dá uma conferência na Universidade do Luxemburgo em Belval. No mesmo dia, no âmbito do festival inaugura-se também uma exposição sobre o cinema português no mesmo local.

Dia 8, às 19, no Utopia: Exibição de "Gelo"

"Quantas vidas há numa vida?" é a pergunta feita na sinopse de "Gelo", escrito e realizado por Luís e Gonçalo Galvão Teles. A história de Catarina e Joana anda de mão dada com a ética e a ciência. A projeção do filme, marca o arranque do festival, e conta com a presença dos dois realizadores portugueses.

Dia 9, às 17h, no Instituto Camões: Exibição de "Refrigerantes e canções de amor"

Jorge Palma é imaginário, Sérgio Godinho é um assassino e uma dinossaura cor-de-rosa é a paixão de uma vida. Confuso? A comédia romântica de Luís Galvão Teles promete arrancar muitas gargalhadas com a sua história inusitada. O realizador vai marcar presença na projeção.

Dia 10, às 17h, no Instituto Camões: Exibição de "Cruzeiro Seixas – as cartas do Rei Artur"

"Não vivi, mas certamente deixarei documentos desse não viver", disse o poeta-pintor Cruzeiro Seixas. Este documentário biográfico, de Cláudia Rita Oliveira, relata a paixão e admiração de Cruzeiro Seixas por Mário Cesariny, o maior dos surrealistas portugueses. Esta paixão e fascínio permitiu ao poeta-pintor deixar 95 anos de pintura e poesia.

Dia 11, às 18h30, na Cinémathèque: Exibição de "Correspondências"

Inspirado nas cartas trocadas por Sophia de Mello Breyner Andresen e Jorge Sena, "Correspondências" é como que um longo diálogo escrito entre os dois amigos obrigados à separação por causa de exílio de Jorge Sena.

Dia 12, às 18h30, na Cinémathèque: Exibição de "Pedro e Inês"

Baseado no romance "A trança de Inês" de Rosa Lobato Faria, o filme cruza o passado, presente e futuro da lenda de Pedro e Inês de Castro.

Dia 13, às 18h30, na Cinémathèque: Exibição de "São Jorge"

Até onde vai o homem pelo bem dos próprios filhos? A produção luso-francesa, assinada por Marco Martins e Ricardo Adolfo, conta a história de um ex-pugilista contratado para intimidar pessoas que não conseguem pagar as suas divídas.

Dia 14, às 18h30, na Cinémathèque: Exibição de "Tabu"

"Tabu" conta a história de três mulheres, uma viagem no tempo e no espaço entre o Portugal atual e África há 50 anos. A longa-metragem a preto e branco de Miguel Gomes entrou em competição na Berlinale de 2012 e foi agraciada pela crítica.

Dia 15, às 20h30, na Cinémathèque: Exibição de "Faz-me companhia"

A primeira longa-metragem de Gonçalo Almeida não é um filme de terror clássico, mas antes a história de uma relação entre duas mulheres e os acontecimentos estranhos de um fim de semana entre as duas à beira de uma piscina no Alentejo. O realizador Gonçalo Almeida e a produtora Margarida Correia vai estar presentes na exibição.

Dia 16, às 19h, na Cinémathèque: Exibição de "Snu"

"Snu" conta a história de coragem e amor entre o primeiro-ministro Sá Carneiro e Snu Abecassis. Realizado e co-escrito por Patrícia Sequeira, o filme é baseado em factos políticos e históricos de uma sociedade que tinha saída há pouco do regime salazarista e que vivia ainda uma ditadura moral.


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