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Cartas da Guerra: A guerra colonial foi a preto e branco
Os soldados portugueses durante a guerra colonial eram a preto e branco

Cartas da Guerra: A guerra colonial foi a preto e branco

Os soldados portugueses durante a guerra colonial eram a preto e branco
Cultura 2 min. 03.05.2017

Cartas da Guerra: A guerra colonial foi a preto e branco

Um filme português que consegue distribuição nas salas luxemburgueses é uma raridade. Fora dos festivais e projeções especiais é um verdadeiro acontecimento quando uma obra feita em Portugal encontra ecrãs no Luxemburgo.

Um filme português que consegue distribuição nas salas luxemburgueses é uma raridade. Fora dos festivais e projeções especiais é um verdadeiro acontecimento quando uma obra feita em Portugal encontra ecrãs no Luxemburgo.

“Cartas da Guerra” foi ajudado pelo galardão que obteve em Berlim e, uns meses depois de abrir a Quinzena de cinema português, conseguiu o direito de figurar no cartaz do cinema Utopia.

Inspirado na obra de António Lobo Antunes, o filme do emigrado Ivo M. Ferreira (o realizador vive em Macau) conta a história da guerra colonial através das cartas trocadas entre António (Miguel Nunes) e Maria José (Margarida Vila-Nova).

As imagens mostram António e os dias difíceis que vive em Angola, mas a voz que lê as cartas é a de Maria. As cartas, e a forma como são lidas, ajudam o espetador a entender o que se passa, mas contribuem também para um certo endormecimento que a música potencia. A crítica internacional não conseguiu deixar de comparar esta obra com “Tabu” de Miguel Gomes. Os dois filmes tratam a colonização portuguesa e a guerra que a concluiu, e ambos escolheram filmar a preto e branco. “Cartas de Guerra” distingue-se pela nostalgia, pelo sentimento omnipresente e pela beleza dos textos que assinou Lobo Antunes.

As cartas manifestam sem cessar a vontade que tem António de regressar e de estar com Maria, que simboliza, também e obviamente, a pátria longínqua. As cartas de António revelam o lado absurdo da guerra e o soldado desespera porque o conflito o mantém longe da sua Penélope, que é também a sua “Torre de Belém, Nilo, Ganges, templo hindu”.

O tempo passa e as cartas de António mudam de tom, representando o inevitável fim da guerra mas, sobretudo, a vitória impossível e os últimos estertores do império.

As imagens a preto e branco são visualmente muito belas; o realizador apostou em grandes contrastes e numa perfeita organização dos elementos de cada plano. Contudo, Ivo Ferreira baralha-se nas cenas de ação que dirige com menos habilidade.

“Cartas da Guerra” é um filme imperfeito, mas é provavelmente a melhor abordagem da guerra colonial portuguesa jamais produzida até hoje.

“Cartas da Guerra”, de Ivo M. Ferreira, com Miguel Nunes, Margarida Vila-Nova, Ricardo Pereira e João pedro Vaz.

Raúl Reis

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