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"Capitani". Do Luxemburgo para o mundo
Opinião Cultura 4 min. 19.02.2021

"Capitani". Do Luxemburgo para o mundo

"Capitani". Do Luxemburgo para o mundo

Foto: DR
Opinião Cultura 4 min. 19.02.2021

"Capitani". Do Luxemburgo para o mundo

António Raúl VAZ PINTO DA CUNHA REIS
António Raúl VAZ PINTO DA CUNHA REIS
A chegada de "Capitani" à Netflix foi estrondosa: em dois dias passou a ser a série mais vista pelos utilizadores da plataforma de 'streaming' no Luxemburgo.

A Netflix lançou em 11 de fevereiro a primeira série policial feita no Luxemburgo, "Capitani". Esta produção, em doze episódios, é um 'thriller' policial complexo e bem ritmado, levando o estereótipo do detetive mal-humorado ao extremo.

Produzida pela Samsa Film, em parceria com a RTL Télé Lëtzebuerg, Artemis Productions, e com o apoio do Film Fund Luxembourg, "Capitani" foi depois adquirida pela Netflix.

A série foi um sucesso no Luxemburgo quando foi para o ar pela primeira vez na RTL, em outubro de 2019, atraindo um público recorde de mais de um milhão e meio de visualizações. A chegada de "Capitani" à Netflix foi estrondosa: em dois dias passou a ser a série mais vista pelos utilizadores da plataforma de 'streaming' no Luxemburgo.

Criada por Thierry Faber, e com realização do experiente Christophe Wagner, "Capitani" passa-se na localidade fictícia de Manscheid, no norte de Luxemburgo, onde o corpo de uma adolescente foi encontrado na floresta.

O inspetor Luc Capitani (Luc Schiltz) é designado para o caso. No entanto, o agente não é da aldeia e, portanto, precisa da ajuda da polícia local e, em particular, da brigadeira Elsa Ley (Sophie Mousel), que conhece pessoalmente todos os envolvidos na investigação, pois, como nos recordam permanentemente, "a aldeia é pequena e todos se conhecem".

Na cena em que o cadáver da adolescente é encontrado, o inspetor Capitani rapidamente conclui que deve ser suicídio depois de encontrar drogas. "A explicação mais simples geralmente é a correta", responde à incrédula Elsa Ley.

Este é o primeiro de muitos equívocos que cometerá o detetive, que demonstra claro excesso de confiança e uma grande má disposição. É claro que não há nada de simples neste caso. Luc Capitani descobre uma comunidade unida, cautelosa com forasteiros, onde cada um guarda os seus segredos.

A série funciona como tantas outras obras policiais deste género. Um cadáver é encontrado numa pequena aldeia onde o "diz que disse" prospera. Um detetive de fora chega para chefiar a investigação, porque nenhum polícia local tem a capacidade para o fazer.

À medida que o inspetor Capitani e a sua equipa procuram pistas vão, de descoberta em descoberta, desvendar segredos guardados pelos moradores. Todas as pessoas que o detetive interroga acabam por revelar novas teorias sobre o crime.

A premissa de "Capitani" pode, assim, fazer recordar séries como "Broadchurch" ou mesmo "Twin Peaks", especialmente a história da cabana no bosque.

"Capitani", contudo, difere dessas séries em muitos aspetos. A adolescente morta, identificada como Jenny Engel, tem uma irmã gêmea, Tanya (ambas interpretadas por Jil Devresse), que está desaparecida, o que complica ainda mais a investigação. Quando Tanya reaparece, a jovem demonstra que não está disposta a cooperar com a polícia, mentindo sobre onde estava e o que fazia na noite em que a sua irmã morreu.

A história de fundo relativa ao inspetor Capitani torna a sua personagem complexa e introduz um segundo enredo que decorre em paralelo com a investigação do crime principal, sem o uso de quaisquer flashbacks. A série, na verdade, começa com essa história secundária, mostrando Luc Capitani com um par de binóculos para observar polícias a desenterrar um corpo. O detetive está em Manscheid numa missão que tem muito de pessoal.

Mas mesmo com a sua história de fundo, Luc Capitani é um personagem difícil de simpatizar. Retratado como um detetive com um problema de atitude, Capitani é condescendente com os seus colegas da polícia local, e também parece estar constantemente irritado com tudo e com todos, chegando a atacar as testemunhas para forçá-las a dizer a verdade.

À medida que a série avança, Luc Capitani não é uma personagem que cresce em simpatia, ao contrário da sua parceira, a polícia da aldeia Elsa Ley, que acaba por se revelar uma personagem muito mais interessante e empática.

Quer simpatize ou não com a personagem principal, "Capitani" é uma série com muito bom ritmo e enredos complexos, lentamente deixando todas as mentiras e os segredos da pequena localidade serem revelados.

No topo das virtudes da série está sobretudo um argumento inteligente que propõe uma lista de suspeitos que vai aumentando à medida que a série se desenrola. O pior de "Capitani" é a personagem do inspetor que dá o nome à série e a interpretação aborrecida de Luc Schiltz.

Com cada episódio terminando em pleno suspense, ver "Capitani" tem tudo para levar os espetadores de Netflix uma sequência imparável de 12 episódios de pouco mais de 20 minutos, aquilo a que em inglês se chama binge watching.

Uma segunda temporada já está em preparação devendo começar a ser filmada na primavera se a pandemia não complicar a produção. Em português, a série tem como título "Os Segredos de Manscheid" e algumas personagens de origem lusa, sendo a mais importante a de Carla Pereira, interpretada pela atriz luxemburguesa Brigitte Urhausen.

"Capitani" de Christophe Wagner, com Luc Schiltz, Sophie Mousel, Claude De Demo, Jules Werner, Luc Feit, Désirée Nosbusch, Brigitte Urhausen e Claude De Demo.

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