Cannes 2018. Afinal, não foi tão mau
A derradeira e melhor notícia foi a presença do filme “Chuva é cantoria na aldeia dos mortos”, de João Salaviza e Renée Nader Messora, no Un Certain Regard. É um documentário rodado junto de uma comunidade indígena no Brasil, realizado pelo único português com uma Palma de Ouro: foi em 2009 que Salaviza nos encheu de orgulho com “Arena” e recebeu o prémio máximo para uma curta-metragem.
Um filme polémico leva um pouco de Portugal à projeção de encerramento do festival, trata-se de “O homem que matou D. Quixote”. O projeto de vários anos de Terry Gilliam foi rodado em Portugal e Espanha. Este filme foi notícia pelo azar que o persegue (em Tomar a produção foi acusada de destruir património nacional) e estão em curso processos em tribunal que opõem o realizador ao produtor Paulo Branco.
“Diamantino”, de Gabriel Abrantes e Daniel Schmidt, e “Amor, Avenidas Novas”, de Duarte Coimbra, foram selecionados para a 57.ª Semana da Crítica de Cannes, um dos programas paralelos do festival. Gabriel Abrantes e o realizador norte-americano Daniel Schmidt competirão com a longa-metragem de ficção “Diamantino”, centrada num jogador de futebol, protagonizada pelo ator português Carloto Cotta. Do elenco desta coprodução entre Portugal, Brasil e França fazem parte Cleo Tavares e as irmãs Anabela e Margarida Moreira. “Amor, Avenidas Novas” é uma ficção de Duarte Coimbra em contexto escolar e produzida pela Escola Superior de Teatro e Cinema.
A primeira presença portuguesa tinha sido confirmada na ACID. A francesa Association du Cinéma Indépendant pour sa Diffusion, que organiza a mostra, anunciou em março que tem Portugal como convidado no do programa ACIDTRIP2# que consistirá na projeção de três longas-metragens portuguesas, a organização de uma mesa redonda sobre cinema português e participação na festa da ACID. Os filmes portugueses selecionados foram “Colo”, de Teresa Villaverde, “Terra Franca”, de Leonor Teles, e “Verão Danado”, de Pedro Cabeleira e serão todos projetados no primeiro fim de semana do festival, de 11 a 13 de maio.
Ainda em português, a Croisette vai ver um clássico. “A Ilha dos Amores” regressa ao Festival de Cannes 36 anos depois de o filme de Paulo Rocha ter sido apresentado em estreia mundial e a concurso no festival. Esta película integra a secção Cannes Classics.
A 71ª edição do Festival de Cannes decorre de 8 a 19 de maio.
