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Cannes 2018. Afinal, não foi tão mau
Portugal conseguiu uma representação decente na reta final.

Cannes 2018. Afinal, não foi tão mau

Portugal conseguiu uma representação decente na reta final.
Cultura 2 min. 03.05.2018

Cannes 2018. Afinal, não foi tão mau

António Raúl VAZ PINTO DA CUNHA REIS
António Raúl VAZ PINTO DA CUNHA REIS
A seleção do festival de cinema de Cannes nos últimos anos passou a ser feita às pinguinhas. Pelos vistos os responsáveis do maior festival de cinema do mundo acham que é melhor esperar pela reação do público e dos críticos antes de fecharem a lista de filmes a concurso.

A derradeira e melhor notícia foi a presença do filme “Chuva é cantoria na aldeia dos mortos”, de João Salaviza e Renée Nader Messora, no Un Certain Regard. É um documentário rodado junto de uma comunidade indígena no Brasil, realizado pelo único português com uma Palma de Ouro: foi em 2009 que Salaviza nos encheu de orgulho com “Arena” e recebeu o prémio máximo para uma curta-metragem.

Um filme polémico leva um pouco de Portugal à projeção de encerramento do festival, trata-se de “O homem que matou D. Quixote”. O projeto de vários anos de Terry Gilliam foi rodado em Portugal e Espanha. Este filme foi notícia pelo azar que o persegue (em Tomar a produção foi acusada de destruir património nacional) e estão em curso processos em tribunal que opõem o realizador ao produtor Paulo Branco.

“Diamantino”, de Gabriel Abrantes e Daniel Schmidt, e “Amor, Avenidas Novas”, de Duarte Coimbra, foram selecionados para a 57.ª Semana da Crítica de Cannes, um dos programas paralelos do festival. Gabriel Abrantes e o realizador norte-americano Daniel Schmidt competirão com a longa-metragem de ficção “Diamantino”, centrada num jogador de futebol, protagonizada pelo ator português Carloto Cotta. Do elenco desta coprodução entre Portugal, Brasil e França fazem parte Cleo Tavares e as irmãs Anabela e Margarida Moreira. “Amor, Avenidas Novas” é uma ficção de Duarte Coimbra em contexto escolar e produzida pela Escola Superior de Teatro e Cinema.

A primeira presença portuguesa tinha sido confirmada na ACID. A francesa Association du Cinéma Indépendant pour sa Diffusion, que organiza a mostra, anunciou em março que tem Portugal como convidado no do programa ACIDTRIP2# que consistirá na projeção de três longas-metragens portuguesas, a organização de uma mesa redonda sobre cinema português e participação na festa da ACID. Os filmes portugueses selecionados foram “Colo”, de Teresa Villaverde, “Terra Franca”, de Leonor Teles, e “Verão Danado”, de Pedro Cabeleira e serão todos projetados no primeiro fim de semana do festival, de 11 a 13 de maio.

Ainda em português, a Croisette vai ver um clássico. “A Ilha dos Amores” regressa ao Festival de Cannes 36 anos depois de o filme de Paulo Rocha ter sido apresentado em estreia mundial e a concurso no festival. Esta película integra a secção Cannes Classics.

A 71ª edição do Festival de Cannes decorre de 8 a 19 de maio.


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