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"Bombshell". Bombas sexuais
Cultura 2 min. 23.01.2020 Do nosso arquivo online

"Bombshell". Bombas sexuais

"Bombshell". Bombas sexuais

As três mosqueteiras do assédio sexual: Charlize, Nicole e Margot.
Cultura 2 min. 23.01.2020 Do nosso arquivo online

"Bombshell". Bombas sexuais

António Raúl VAZ PINTO DA CUNHA REIS
António Raúl VAZ PINTO DA CUNHA REIS
"Bombshell" consegue contar com humor e drama a bomba que foi a revelação de uma cultura de assédio sexual por um grupo de mulheres que trabalhavam na Fox News.

A história real que inspirou "Bombshell" está bem presente no imaginário norte-americano mas para nós, europeus, é um evento distante ou já esquecido, até porque outro acontecimento similar o tirou rapidamente da ribalta das notícias. O filme de Jay Roach inspira-se na história de jornalistas da Fox News que denunciaram casos de assédio sexual por parte do presidente do canal televisivo, Roger Ailes.

"Bombshell" consegue contar com humor e drama a bomba que foi a revelação de uma cultura de assédio sexual por um grupo de mulheres que trabalhavam na Fox News. Isto aconteceu antes das acusações contra Harvey Weinstein e do movimento #MeToo que se tornou global.

O filme de Roach relata o que se passou no verão de 2016, na sequência de um processo judicial lançado por Gretchen Carlson, e à qual se seguiram revelações de Megyn Kelly. O assunto do filme é obviamente pesado, com grande implicações emocionais, morais, financeiras e até políticas, mas o argumento de Charles Randolph, combinado com a capacidade do realizador para aligeirar o assunto, permitem obter um filme aparentemente superficial mas que acaba por deixar os espectadores com a impressão de terem levado um soco no estômago.

Os homens que mandam em "Bombshell" têm experiência cinematográfica em assuntos destes. O realizador dirigiu "Game Change", um filme vencedor de um Emmy sobre Sarah Palin. Por seu lado, o argumentista ganhou um Óscar pelo trabalho que fez em "The Big Short", a longa metragem que contava os bastidores da crise financeira de 2008 de forma simples para que qualquer um pudesse perceber os complicados elementos que provocaram a recessão mundial.

Não é por isso surpreendente que "Bombshell" revele várias dimensões do caso de assédio da Fox News: o filme consegue abordar o assunto tanto do ponto de vista político como humano, mostrando um mundo no qual nenhum de nós gostaria de viver.

Charlize Theron é quem nos abre a porta deste universo, encarnando com precisão a jornalista que desempenha um papel central no escândalo. Kelly vai mostrar a casa Fox News, num tom de quase teoria da conspiração, explicando quem são os seus colegas, como funcionam as relações de poder e o que é necessário para sobreviver nesta selva.

A forma como a atriz decide ser Megyn Marie Kelly, entre sorrisos e piscares de olhos, torna a jornalista talvez mais simpática aos nossos olhos do que ela alguma vez o foi na vida real... Além disso, o enorme trabalho de maquilhagem transformou tão bem Charlize Theron que rapidamente esquecemos que estamos perante uma obra de ficção e, de repente, estamos a ver Kelly e negligenciamos o facto de que "Bombshell" não é um documentário.

O filme beneficia – além das excelentes atrizes – de um trabalho de edição surpreendente que, combinado com um produção de maquilhagem e costumes perfeitas resulta num enorme prazer para o público. Mas "Bombshell", nunca é demais repeti-lo, é um "show" para Charlize Theron, muito bem apoiada por uma Nicole Kidman inspiradíssima e a fazer pensar nas suas melhores prestações, e Margot Robbie que, além de belíssima, consegue dar corpo a uma personagem difícil e muitas vezes antipática.