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Blade Runner 2049: Um filme bonito com manequins
Que saudades que nós temos do bom velho Harrison Ford.

Blade Runner 2049: Um filme bonito com manequins

Que saudades que nós temos do bom velho Harrison Ford.
Cultura 02.11.2017

Blade Runner 2049: Um filme bonito com manequins

Quando nos idos anos 80 vi “Blade Runner” tive a certeza de que se tratava de uma obra-prima. Nessa altura a única possibilidade de rever um filme era voltar ao cinema ou esperar uns meses largos até que ele passasse para as prateleiras dos clubes de vídeo.

Quando nos idos anos 80 vi “Blade Runner” tive a certeza de que se tratava de uma obra-prima. Nessa altura a única possibilidade de rever um filme era voltar ao cinema ou esperar uns meses largos até que ele passasse para as prateleiras dos clubes de vídeo.

Equanto esperava comprei a banda sonora. Ouvi-a sem parar. Passei-a em todas as emissões noturnas de rádio que realizei e, só de falar nisso, ouço imediatamente um saxofone e caio no ambiente noturno e futurista que Vangelis criou para o filme.

“Blade Runner” é uma obra tão extraordinária que não precisava de uma sequela, muito menos 35 anos depois!

O mundo que o filme de Ridley Scott criou é fabuloso, por isso qualquer tentativa de o enriquecer ou reconstruir só podia falhar. Assim foi.

O velho realizador voltou para produzir a sequela e deixou a cargo de muita e boa gente as tarefas principais: fotografia de Roger Deakins, cenografia de Dennis Gassner e o argumento foi co-escrito por Hampton Fancher, um dos guionistas originais.

Mas se o filme original deixava sonhar, propunha reflexões sobre a relação entre o ser humano e a máquina, “Blade Runner 2049” opta por um tom mais sisudo, se calhar demasiado pesado e meditativo.

O realizador Denis Villeneuve escolheu passar em revista todas as grandes temáticas da ficção científica: da existência humana às recordações, passando pela alma e pela reprodução.

O cineasta consegue deixar a fronteira entre realidade e ficção bastante ténue, o que é uma virtude.

E depois há as imagens. Cenários magníficos e efeitos de luz que são aproveitados ao máximo, dando a impressão de que os atores foram instruídos para andaram muito devagar para que o investimento em belas escadarias compense (talvez por isso o filme tenha quase três horas de duração).

Por outro lado, ninguém quis dar muitos diálogos aos atores; talvez assim o público tente penetrar na alma das personagens, mas o resultado final é a impressão de que todos eles são robôs ou simplesmente manequins.

“Blade Runner 2049”, de Denis Villeneuve, com Harrison Ford, Ryan Gosling, Ana de Armas, Jared Leto e Mackenzie Davis.

Raús Reis

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