Biblioteca Nacional

Manuel Alegre Prémio Camões 2017

Manuel Alegre
LUSA

O escritor português Manuel Alegre é o vencedor do Prémio Camões 2017, foi anunciado hoje na Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro, após reunião do júri.

Um prémio instituído pelos governos do Brasil e de Portugal em 1988 e que é atribuído aos autores que tenham contribuído para o enriquecimento do património literário e cultural da língua portuguesa.

Em comunicado, o ministro da Cultura anunciou que o "Prémio Camões 2017 foi atribuído ao escritor Manuel Alegre" no "seguimento da reunião do júri da 29ª edição do Prémio Camões, que decorreu no Rio de Janeiro no dia 8 de junho".

O prémio reconhece a "vasta obra literária, traduzida e publicada em diversos países". “O Prémio Camões, instituído por Portugal e pelo Brasil em 1989, é o maior prémio de prestígio da língua portuguesa. Com a sua atribuição, é prestada anualmente uma homenagem à literatura em português, recaindo a escolha num escritor cuja obra contribua para a projeção e reconhecimento da língua portuguesa”, lê-se no comunicado.

“Como poeta, começou a destacar-se nas coletâneas ‘Poemas Livres’ (1963-1965). Mas o grande reconhecimento nasce com os seus dois volumes de poemas, ‘Praça da Canção’ (1965) e ‘O Canto e as Armas’ (1967), apreendidos pelas autoridades antes do 25 de Abril, mas com grande circulação nos meios intelectuais”, lê-se no comunicado hoje divulgado, pelo Governo português.

Em declarações à agência Lusa, o escritor disse que lhe dá "particuçlar satisfação", a atribuição do prémio, até porque Luís de Camões é um dos poetas que aprecia, e referiu ter reeditado recentemente o seu livro "Vinte Poemas para Camões".

"O meu reconhecimento maior é o que vem dos meus leitores através dos tempos, vencendo várias formas de censura. Naturalmente, uma distinção desta natureza tem o significado que tem", disse á Lusa Manuel Alegre, de 81 anos.

O escritor lembrou igualmente ter recebido o Prémio Pessoa, o que lhe deu "grande satisfação", por ter também "um grande significado cultural".

Manuel Alegre nasceu em Águeda em 1936. Foi o primeiro português a receber o diploma de membro honorário do Conselho da Europa.

Entre outras condecorações, recebeu a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade (Portugal), a Comenda da Ordem de Isabel a Católica (Espanha) e a Medalha de Mérito do Conselho da Europa.

Presidente da República considera "homenagem justíssima" atribuição do Prémio Camões a Manuel Alegre

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, classificou hoje a atribuição do Prémio Camões ao escritor e poeta Manuel Alegre como "uma homenagem justíssima a uma grande figura da literatura portuguesa".

"Nos termos do próprio prémio, (Manuel Alegre) contribuiu e contribui para o enriquecimento literário e cultural, não apenas português, mas do mundo da lusofonia", acentuou.

Marcelo Rebelo de Sousa falava antes de um jantar de gala dos 60 anos da Associação dos Industriais Metalúrgicos, Metalomecânicos e afins de Portugal no porto de Leixões, em Matosinhos, no âmbito do programa das comemorações do 10 de Junho, Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas.

O júri da 29ª edição do Prémio Camões foi constituído por Paula Morão, professora catedrática da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (Portugal); Maria João Reynaud, professora associada jubilada da Faculdade de Letras da Universidade do Porto (Portugal); Leyla Perrone-Moisés, professora emérita da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (Brasil); José Luís Jobim, professor aposentado da Universidade Federal Fluminense e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Brasil); pelos PALOP, Lourenço do Rosário, Doutor em Literaturas Africanas pela Universidade de Coimbra e Reitor da Universidade Politécnica de Maputo (Moçambique); José Luís Tavares, poeta (Cabo Verde).

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