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Bela Silva inaugura exposição no Centro Cultural Português

Bela Silva inaugura exposição no Centro Cultural Português

Cultura 3 min. 06.12.2018

Bela Silva inaugura exposição no Centro Cultural Português

Desenhos e trabalhos em cerâmica ficam expostos até 22 de fevereiro do próximo ano.

A exposição do trabalho da artista Bela Silva é inaugurada hoje, no Centro Cultural Português - Camões, sob o título "Uma Casa Portuguesa com Vista", englobando "um conjunto de desenhos e peças em cerâmica criadas especificamente para "este certame", que irá prolongar-se até 22 de fevereiro do próximo ano. "Espero que as pessoas gostem", afirma ao Contacto. "A exposição partiu de um convite feito há dois anos. Peguei no tema 'Uma Casa Portuguesa com vista', pela tradição das chitas e das cerâmicas, mas também porque vivem muitos portugueses no Luxemburgo", resume, entoando com boa disposição um pouco do fado de Amália Rodrigues.

A artista reconhece uma paixão muito especial. "Gosto muito do azulejo pela parte do motivo, do ornamento. Fui convidada pela Hermès e pela Codimat e acabo por fazer este tipo de projetos que já tinha na ideia há muitos anos e é sempre um prazer (aliás, o próprio lenço da Hermès tem muito da azulejaria). Sou portuguesa, cresci em Lisboa e isto é natural", defende.

Nascida em Lisboa, Bela Silva teve um percurso de formação que a conduziu entre a Escola de Belas Artes de Lisboa e o mestrado em Chicago. E não esquece a vivência em território norte-americano, depois de uma fase diferente. "O pai do meu filho é americano, vive entre os 25/26 e os 38 anos nos Estados Unidos. Fizemos uma primeira tentativa de viver em Lisboa, mas, na altura, embora ele adorasse, era como um extraterrestre, a adaptação e arranjar trabalho era muito difícil", recorda. Viver nos Estados Unidos foi marcante para a artista. "A América abriu-me a outro mundo, não esqueço a arquitetura de Chicago ou a energia de Nova Iorque. Mas cheguei dois anos antes da queda das Torres [Gémeas] e depois foi um período terrível. Eu tinha saído uma semana antes da queda das Torres com o meu filho para um workshop em Portugal e, depois da queda das Torres, vários projetos ficaram sem efeito". A memória do atentado que ceifou mais de três mil vidas não desaparece. "Um mês depois ainda cheirava a queimado", admite.

Por outro lado, "hoje em dia muitas das grandes cidades quase correm com os artistas, porque as rendas se tornaram demasiado pesadas", diz. E acrescenta: "Muitos dos meus amigos em Nova Iorque dizem-me que no sítio onde eu vivia, mesmo no centro, em East Village, hoje em dia é impossível viver. Além disso, as pessoas ficam cansadas com o ritmo de Nova Iorque. Tem também a ver com a idade e agora já me apetece mais o Alentejo, cada coisa tem o seu tempo", refere.

Há sete anos está a viver em Bruxelas, mas Portugal nunca fica para trás. "Geograficamente, Bruxelas é muito interessante, mas, sendo de Lisboa, não nos habituamos ao clima. Vou a Lisboa de vez em quando, como costumo dizer, fazer o meu tratamento de vitamina D [risos] e, claro, pela parte emocional", conta.

Bela Silva teve ainda três peças de cerâmica na exposição "De Mains de Maîtres", entre os dias 29 de novembro e 2 de dezembro, no Grão-Ducado.

Ao longo do tempo teve oportunidade de marcar presença em diversas mostras como as da Galeria Ann Nathan de Chicago ou da Galeria Rhona Hoffman; no Museu do Azulejo de Lisboa, no Museu Anastácio Gonçalves (Lisboa), no Palácio da Ajuda e na Fundação Ricardo Espírito Santo e ainda na China e no Japão. Teve participação em exposições coletivas de azulejaria no Brasil, Espanha, França; realizou oficinas de cerâmica no Japão e em Marrocos, residências artísticas em Kohler, Wisconsin, EUA e na Fábrica Bordalo Pinheiro, nas Caldas da Rainha. É ainda criadora de "várias peças de arte pública", como os "painéis de azulejos para a estação de metro de Alvalade, em Lisboa; painéis para os jardins do Centro Cultural Sakai no Japão; e painéis para a Escola João de Deus nas Ilhas dos Açores".

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