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"Babylon". O Brad Pitt é mais velho do que tu!
Opinião Cultura 1 3 min. 22.01.2023
Crítica de cinema

"Babylon". O Brad Pitt é mais velho do que tu!

Crítica de cinema

"Babylon". O Brad Pitt é mais velho do que tu!

Opinião Cultura 1 3 min. 22.01.2023
Crítica de cinema

"Babylon". O Brad Pitt é mais velho do que tu!

Raúl REIS
Raúl REIS
O realizador Damien Chazelle conta com essas três personagens para dizer muito. Mas, no fim das contas, talvez tente dizer demasiado.

É difícil ir com a Maria Rita ao cinema e não falar dos atores. Aquele não é o que entrou naquela série? Ah, esta é a que esteve casada com o não-sei-quantos...

Felizmente, a Maria Rita não é daquelas pessoas que falam durante o filme. Ela guarda para o fim. E vai ao Google e começa a procurar tudo e mais alguma coisa. Bem me parecia que a atriz loira era aquela que andou com o gajo do filme que vimos anteontem. E o gajo, o mau, entrava naquela série dos anos 90 sobre um 'geek'.

Até podia acolher a frase como um elogio, mas achei que não era.

No meio destas descobertas todas, a Maria Rita de repente – e já a meio da pizza – pergunta: que idade tem o Brad Pitt? Respondi que não sabia, mas que devia ser para aí da idade do Tom Cruise. Mas que, sim, que eu também tinha reparado que o homem não envelhece...

Claro que a Maria Rita tinha de pegar no telemóvel e googlar. Dezoito de dezembro de 1963! E voltou a repetir. Dezoito de dezembro de 1963... Tem quase 60 anos. É mais velho do que tu!

Decidi não comentar. Até podia acolher a frase como um elogio, mas achei que não era. Decidi dizer que afinal é mais novo que o Cruise, que esse já fez 60 anos. Ela ficou a repetir a idade de Pitt e a perguntar-se que cremes é que ele usará e que pactos com que diabos fez.

A conversa aconteceu à saída do filme "Babylon", no qual Brad Pitt é protagonista. Um filme de Damien Chazelle, o franco-americano que nos deu o brilhante "La La Land", o filme que reconciliou uma geração (ou mais) com os filmes musicais.

"Babylon" começa com um aviso e uma introdução: um elefante literalmente defeca diante da câmara, pouco antes de ser levado para uma festa luxuosa, decadente e orgíaca; algo entre uma noite à Great Gatsby com a cocaína que consumiam os homens de Leonardo Di Caprio em Wall Street.

Os trinta minutos de duração da introdução mostram o calibre do filme e do seu universo. "Babylon" passa-se no fim do mundo, ou melhor, no fim de um mundo. O cinema monumental está no seu último estertor, o som vai acabar com os atores do cinema mudo.

A história do fim de uma época de Hollywood chega com dois atores que Tarantino já filmou numa outra fase de transição da vida da cidade do cinema: Margot Robbie e Brad Pitt.

Ela interpreta Nellie LaRoy, uma jovem atriz que conhece uma glória fugaz nos últimos anos do cinema mudo. Ele é Jack Conrad, um ícone masculino histórico dessa Hollywood, a caminho de se tornar antiquado porque o cinema começa a falar.

Os vídeos 360 não têm suporte aqui. Ver o vídeo na aplicação Youtube.

Destaque também para a prestação de Diego Calva, que se torna a personagem mais central de "Babylon": o terceiro ato do filme concentra-se intensamente na sua queda, após uma ascensão nos bastidores, antes de mostrar o seu futuro. O ator (este é novinho, com 29 anos apenas) consegue colocar a sua personagem à luz dos seus dois parceiros, acabando mesmo por os ofuscar.

O realizador Damien Chazelle conta com essas três personagens para dizer muito. Mas, no fim das contas, talvez tente dizer demasiado. Pela sua extensão, e devido à abundância de elementos, o filme infelizmente não evita algum mau gosto e algumas passagens cacofónicas, desnecessárias. Mas não de pode considerar que Damien Chazelle tenha perdido o sentido do ritmo, apesar de o filme acumular lugares comuns desinteressantes que parasitam a atmosfera e a mecânica fascinante que o cineasta engenhou no início.


Crítica de cinema
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Quando Brad Pitt, estrela silenciosa, descobre que as pessoas o consideram um 'as been, ele não faz rigorosamente nada para além de lamentar a sua situação. O filme também não pensa por nós. Chazelle não toma posição sobre o fim do cinema mudo, apesar de a palavra falada ser repetidamente apontada como a culpada de ter destruído um paraíso do cinema.

Por fim, a banda sonora é fabulosa e mesmo que não vá ver o tal rapaz que quase tem 60 anos pode sempre ficar em casa a ouvir a excelente música do filme.

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