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As pandemias que o cinema já resolveu
Cultura 3 min. 26.04.2020

As pandemias que o cinema já resolveu

Esta imagem não é de Londres durante a quarentena, é do filme “28 Days Later” de Danny Boyle

As pandemias que o cinema já resolveu

Esta imagem não é de Londres durante a quarentena, é do filme “28 Days Later” de Danny Boyle
Foto: DR
Cultura 3 min. 26.04.2020

As pandemias que o cinema já resolveu

António Raúl VAZ PINTO DA CUNHA REIS
António Raúl VAZ PINTO DA CUNHA REIS
Desde que fecharam os cinemas todos nós nos transformámos em ávidos consumidores de cinema em linha ou de DVDs que já estavam arrumados em estantes cheias de poeira.

Nas plataformas de 'streaming' – Netflix, AmazonPrime, etc. – há uma vasta oferta de filmes e séries mas, por causa dos algoritmos implementados pelos seus operadores, muitas delas parecem repetir incessantemente o mesmo tipo de filmes.

É necessário perceber que essas plataformas propõem filmes “semelhantes” aqueles que viu recentemente, o que pode dar a impressão que “só há séries espanholas” desde que viu a última tirada de “La Casa de Papel”, ou que só aparecem filmes e documentários sobre carros desde que viu o documentário sobre Ayrton Senna.

Hoje, e porque vivemos uma pandemia inédita, mas que o cinema já antecipou de formas variadas, vamos propor aqui alguns filmes-catástrofe com vírus e outros perigos à mistura, que pode ver em 'streaming'.

Comecemos por um êxito recente, disponível na Netflix e na Amazon (obviamente dependendo da região/país em que nos lê), chamado “Contagion”. Esta obra de 2011, de Steven Soderbergh voltou aos 'tops' por causa do novo coronavírus. O argumento desta obra tem semelhanças com a atual pandemia pois conta a história de um vírus que se transmite rapidamente pelo mundo enquanto os cientistas, numa corrida contra o tempo, tentam encontrar uma vacina.

Apesar de “Contagion” ser um 'thriller' à maneira de Hollywood, aparece como um película extremamente realista, e que foi, na sua estreia, elogiado pela própria Organização Mundial de Saúde. O elenco é de destacar, com Gwyneth Paltrow, Jude Law, Marion Cotillard e Matt Damon nos principais papéis.

Mais antigo, rodado em 1995, “Outbreak” culpa os macacos pela patologia que começa a matar a espécie humana. O filme começa no Zaire mas a doença rapidamente chega aos Estados Unidos por causa de um macaco importado ilegalmente para a Califórnia. A pandemia é uma espécie de gripe gravíssima que vai começar por afetar uma cidade, Cedar Creeks, onde é decretada a lei marcial.

Baseado no livro de Richard Preston, “The Hot Zone”, “Outbreak” é, em todos os aspetos, um filme-catástrofe à moda americana abrilhantada por Dustin Hoffman, Cuba Gooding Jr. E Rene Russo.

Com um muito jovem Brad Pitt num dos papéis principais e Bruce Willis como protagonista, “Twelve Monkeys” é um filme-culto no domínio das doenças que afetam a Humanidade. Filmado em 1995 mas com a ação a decorrer na cidade de Filadélfia em 2035, a obra de Terry Gilliam conta a história de um vírus que, no final dos anos 90, matou a maior parte dos humanos. Os sobreviventes são obrigados a viver debaixo de terra.

O realizador Terry Gilliam consegue – como sempre – acrescentar uma boa dose de insanidade na história, sobretudo visível na interpretação tresloucada de Brad Pitt que mereceu uma nomeação para os Óscares.

A versatilidade do Danny Boyle é algo de notório. Em 2007 assinou "28 Days Later", um filme de suspense a caminho do terror onde apresenta uma cidade de Londres pós-apocalíptica destroçada por um vírus que contagia grande parte da população. A capital inglesa surge deserta, anárquica, sem governo, leis ou autoridades. Resta aos poucos humanos não contaminados lutar pelas suas vidas no interior desta cidade infetada por um vírus que transforma as pessoas em “zombies”.

Danny Boyle não perde grande tempo na apresentação do vírus nem na forma como este se propagou, mas posso afirmar que a culpa é de macacos de laboratório (nesse tempo ninguém se lembrava dos pobres pangolins). Quando Cillian Murphy, que entrega encomendas de bicicleta, acorda, vinte e oito dias depois de ter sido internado, depara-se com uma cidade deserta e devastada, muitos zombies, e um pequeno grupo de sobreviventes que não foram afectados pelo vírus.

O filme de Danny Boyle tem uma sequela intitulada “28 Weeks Later”, assinada por Juan Carlos Fresnadillo, que não acrescenta grande coisa de novo ao projeto inicial.

Para terminar esta lista de filmes sobre pandemias, talvez sucumba à tentação de propor uma obre sul-coreana. O realizador vencedor de Óscares e Palmas de Ouro com “Parasite”, filme que nada tem a ver com vírus, Bong Joon-ho, realizou em 2006, “The Host”. Trata-se de uma obra de culto para muitos dos amantes de filmes sobre pandemias e catástrofes humanitárias.

Um cientista americano e um coreano deitam no rio Han um produto que vai começar por provocar a morte de peixes, mas sobretudo o aparecimento de uma terrível criatura anfíbia que ataca a população. Pior. O animal é mutante e transporta consigo um vírus letal.


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