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Estátuas polémicas. A culpa não é só do sexo
Cultura 16 min. 09.07.2022
Portugal

Estátuas polémicas. A culpa não é só do sexo

O autor da escultura "Foda dos Nus" é Custódio Almeida, um autodidacta, natural de São Cristóvão de Lafões.
Portugal

Estátuas polémicas. A culpa não é só do sexo

O autor da escultura "Foda dos Nus" é Custódio Almeida, um autodidacta, natural de São Cristóvão de Lafões.
Cultura 16 min. 09.07.2022
Portugal

Estátuas polémicas. A culpa não é só do sexo

Luís Pedro Cabral
Luís Pedro Cabral
De vez em quando, lá se ergue do chão uma daquelas variantes filosóficas do ovo e da galinha, para agitar a subjectividade colectiva com a perspectiva pessoal. É assim na arte, assim é na vida. Há coisas que ao princípio se estranham e depois se entranham na paisagem do olhar. Outras, nem que a vaca tussa. A mais recente polémica estalou numa vila de São Pedro do Sul. De norte a sul, com artistas desconhecidos ou consagrados, Portugal é fértil nestas questões. Às vezes, as obras passam a 'ex libris'. Noutras, ficam polémicas de estimação.

Estavam tão sossegados os habitantes da freguesia de Santa Cruz da Trapa, concelho de São Pedro do Sul, distrito de Viseu. É raro não encontrar alusão a um santo ou motivação religiosa na toponímia circundante a Santa Cruz da Trapa. Trapa, aliás, nasceu como uma pequena comunidade cristã a pregar num sítio deserto. A sua história está associada ao mosteiro de Trapa (a escassos quilómetros da vila), destruído pelos muçulmanos no ano de 920, e reconstruído nos alvores do século XII. Talvez isso explique, a nascente ou a poente, o choque civilizacional que causaram os nove metros de altura e as 60 toneladas de um acto sexual, como priapismo antropomórfico na linha perpétua do horizonte. Neste caso específico, nem vale a pena esgrimir ocultos significados à obra, que é de explicitude impactante, elucidativa desde a ponte fálica que une a parelha escultórica da obra, até ao seu título: "Foda dos Nus". Nada que a Humanidade não tenha feito, até vestida, quanto mais não fosse para assegurar a sobrevivência da espécie.

É um pouco a minha pessoa, é a minha metamorfose, onde retrato a minha personagem nu.

Custódio Almeida, autor da "Foda dos Nus"

 A obra não é discreta. E também não era esse o objectivo de Custódio Almeida, o autor, autodidacta, natural de São Cristóvão de Lafões, não muito distante do local onde a obra se encontra exposta, a servir de anfitriã ao espaço Arte Dança Nua, seis hectares de território expositivo, em tudo apropriado ao estilo e à dimensão das peças deste artista autóctone, cujo objecto de trabalho se move num verdadeiro poço sem fundo: o universo feminino. Foi, no entanto, o universo trapense que engoliu em seco quando a escultura foi inaugurada, em Maio passado. Desde aí, não se fala noutra coisa.

A população de Santa Cruz da Trapa, e a população global em que as populações como as de Santa Cruz da Trapa se tornam nas redes sociais, hiperbolizou o que já estava hiperbolizado à nascença. A discussão instalou-se e lá veio o abaixo-assinado da praxe para que se proceda à imediata remoção da polémica escultura do espaço público, o que nem sequer está em equação. O choque não chocou o artista, assim como não o surpreendeu. O facto da polémica ter passado de local a regional e desta a nacional enche-o de satisfação, pois o objectivo era precisamente este: "romper preconceitos e quebrar tabus em relação à nudez e à sexualidade". Nesta temática, afirma o artista, "a sociedade portuguesa ainda está um bocadinho fechada". O consenso retira da arte a sua função primeira. Não será o artista a questionar as opiniões que lhe têm chegado em catadupa. A crítica está para arte como os cães para as caravanas. O seu desiderato, enquanto artista, é só um: "criar obras que choquem a sociedade". Esta obra consumiu dois anos de trabalho, mas cumpriu amplamente esse objectivo. Pensando bem, até o extravazou.

Aos microfones da RTP, Custódio Almeida ainda tentou sossegar o regimento de detratores locais e todos aqueles que a estes se juntaram à causa nas colunas facebookianas, dizendo que a obra tem um 'je ne sais quoi' autobiográfico. "É um pouco a minha pessoa, é a minha metamorfose, onde retrato a minha personagem nu". Generalizando: "É um pouco o mundo, o quebrar pedra, para que as pessoas sejam mais libertas". Os de Santa Cruz da Trapa, que têm de aprender a viver com esta escultura, não se dão por satisfeitos com as explanações filosóficas do autor, sugerindo-lhe que operasse as suas metamorfoses em casa e não as colocasse à vista de todos. Em Santa Cruz da Trapa, as opiniões dividem-se, mas em grande desproporcionalidade para os que querem retirar a escultura do seu lugar. O tempo cura tudo, relembra o artista. O que muitos consideram uma ferida na paisagem, um dia destes torna-se 'ex libris' e não se fala mais nisso.

"Pirilau" de estimação

Monumento de João Cutileiro comemorativo dos 25 anos da Revolução de Abril situado no cimo do Parque Eduardo VII, em Lisboa. Foi batizado de "pirilau" da cidade.
Monumento de João Cutileiro comemorativo dos 25 anos da Revolução de Abril situado no cimo do Parque Eduardo VII, em Lisboa. Foi batizado de "pirilau" da cidade.
Foto: Lusa

Se havia artista polémico, a quem ninguém ficava indiferente, era João Cutileiro, que faleceu no dia 5 de Janeiro de 2021, aos 83 anos, em Lisboa, cidade onde nasceu, mas onde pouco viveu. A morte de Cutileiro, à que se juntou no passado dia 8 de Junho a de Paula Rego, deixou na cultura portuguesa um incurável vazio. João Cutileiro assinou duas das obras que mais polémica suscitaram em Portugal nas últimas décadas. É como se fizessem já parte do seu memorial. Nem sempre João Cutileiro vivia bem com a crítica, embora tenha abordado sempre o tema com humor, às vezes subtil, noutras corrosivo, noutras ainda, implacável.

É sinal de que há uma grande carência de pirilaus neste país.

Joâo Cutileiro, autor da escultura intitulada "Pirilau"

A primeira dessas obras, a famosa estátua de "D. Sebastião", na cidade de Lagos (Algarve), ainda hoje não é consensual. É preciso, no entanto, recolocar os factos no tempo e no espaço próprios, sendo que o espaço é exactamente o que era: a praça Gil Eanes, na cidade algarvia onde o artista viveu 15 anos. Já o tempo era o da outra senhora. O "D. Sebastião" de Cutileiro foi inaugurado em 1973, três anos após o seu regresso de Inglaterra e após a morte de Oliveira Salazar, que não da ditadura do Estado Novo, já numa espécie de 'inverno' marcelista. Cutileiro vinha de uma família antifascista. A sua obra cortava a direito com as convenções, a estética e até com a "moral" artística vigente. 

Na obra em questão, inaugurada por ocasião do IV Centenário do Alvará da elevação de Lagos a cidade (precisamente por D. Sebastião), talvez o corte tenha sido demasiado radical. A verdade é que a polémica do seu “D. Sebastião” se arrastou pelo estertor da ditadura, atravessou a revolução e ficou incólume na democracia. Esta obra pública, tornou-se emblemática, mas nunca gerou consenso. E, apesar da Câmara Municipal de Lagos, que formalmente encomendou a obra ao artista, hoje a destacar entre os 'ex libris' da cidade, subsiste na memória colectiva, muito ciosa dos seus mitos, uma dúvida metódica sobre a forma como Cutileiro decantou o de D. Sebastião, numa versão escultórica de um "anti-herói", com formas efeminadas e uma farta cabeleira em mármore travertino, tendo aos pés um capacete de argonauta.

A famosa estátua de “D. Sebastião”, na cidade de Lagos (Algarve), da autoria de João Cutileiro,ainda hoje não é consensual
A famosa estátua de “D. Sebastião”, na cidade de Lagos (Algarve), da autoria de João Cutileiro,ainda hoje não é consensual
Foto: Shutterstock

No caso de João Pires Cutileiro, que em 1985 trocou o Algarve pelo Alentejo, mudando-se para Évora, uma polémica só podia ser ultrapassada por outra. Se em 1973 brincou com o academicismo de naftalina do Estado Novo, 24 anos depois, correspondendo a uma encomenda da CM de Lisboa, desterrou a mais controversa das suas obras públicas no coração da democracia, pois tratava-se de um monumento comemorativo da revolução de Abril, inaugurado no feriado de 25 de Abril de 1997. 

Dadas as suas formas específicas, rapidamente este monumento seria baptizado de "pirilau" da cidade. Cutileiro foi questionado sobre esta obra, feita a partir de um pedestal destinado a uma estátua do Santo Contestável, até ao fim dos seus dias. O artista, ao contrário de muitos, nunca foi de perurar infinitamente sobre esta ou qualquer outra das suas obras. Só numa rara entrevista o próprio artista reconheceu a forma fálica da dita. 

Ainda por cima, não ajudavam os jactos de água do fontanário. Sobre tudo isto, disse Cutileiro um dia, quando estava de bom-humor, dizendo que até achava muita piada ao epíteto alternativo que a 'vox pop' arranjou para esta escultura. "É sinal de que há uma grande carência de pirilaus neste país", disse então, assinalando ainda que "o jacto de água do lago de Genebra (lago Léman) tem uma ejaculação muito maior". Em abono da verdade, é mais para o géiser.

O veado surfista


Esta polémica, veio à boleia num daqueles vagalhões que tornou a Nazaré na nova meca do surf. O chamado "canhão" da Nazaré já é mais famoso que a tradição das sete-saias. Sensivelmente a meio caminho entre a vila da Nazaré e o forte de São Miguel, ergueu-se em 2016 uma enorme estátua, com seis metros de altura e dez toneladas de peso. Defronte para o imenso mar, como um cristo-rei do Oeste, encontra-se o "Veado Surfista", corpo de homem, cabeça de veado, amparando uma prancha de surf, como uma arma de um guarda de honra. Para quem não está familiarizado com a lenda de D. Fuas Roupinho esta visão pode perturbar o mais calmo.

Reza a lenda que este lugar, no século XII tinha muitos veados e que num dia de nevoeiro, no ano da graça de 1182, Fernão Gonçalves Churrichão, nobre guerreiro português, um dos mais fiéis cavaleiros de D. Afonso I, que ficou para a História como D. Fuas Roupinho, dava caça a um exemplar por aquelas cercanias, a galope no seu cavalo. O nevoeiro quase lhe tirava a vida. Quando deu por si, D. Fuas estava na vertigem da falésia, à beira de um enorme precipício. 

Contam os relatos que, ante a tragédia, o cavaleiro rogou misericórdia a Nossa Senhora e que nesse momento o seu cavalo estancou a inevitável marcha, salvando o cavaleiro de morte certa. Em razão deste "milagre", nem outra coisa podia ser, D. Fuas Roupinho fez ali construir a "Ermida da Memória", para que nunca se esquecesse a intercessão de Nossa Senhora da Nazaré.

O "Veado Surfista", da autoria de Adália Alberto, artista de Leiria, é em simultâneo uma evocação do milagre da Nazaré e uma homenagem às ondas gigantes que se formam na praia do Norte, das quais Garret McNamara se tornou crónico embaixador. Ao contrário do que normalmente acontece, esta estátua – que rapidamente saltou para as bocas do povo, chocando os nazarenos e até a multinacional do surf – não foi uma encomenda municipal, mas um acto de generosidade da autora, que gastou perto de 100 mil euros em pedra e gentilmente a ofereceu à Nazaré. 

Não tardou para que surgisse um movimento espontâneo de pessoas que consideravam tal obra uma verdadeira "aberração", que não homenageava o surf e muito menos D. Fuas Roupinho. Faziam-se romarias ao local, só para adensar a vergonha que os da Nazaré sentiam por causa do malfadado "Veado Surfista".

A Associação de Defesa da Nazaré tomou a liderança do protesto. Na voz de Nélson Quico, o seu presidente, diziam isto: "Os nazarenos não se revêem nesta obra, que tem sido mais motivo de chacota do que de orgulho. Causa espanto, susto e comédia. Gasto desnecessário de dinheiros públicos". 

Sobre as questões estéticas, a CM da Nazaré não se pronunciava, dando aval à obra. Sobre o erário público, tinha a dizer que "apenas tinha gasto cinco mil euros mais IVA" para assegurar a logística de transporte e instalação do monumento. A autora, por outro lado, dizia-se "orgulhosa" da obra, avisando a navegação que era "necessário saber conviver com as divergências" e aprofundar os conhecimentos sobre a história da Nazaré, deixando apenas um desejo: "que a peça passasse a ser das imagens mais fotografadas da vila". Quanto a isso, estava garantido.

O protesto teve momentos de alguma violência, uma manif aqui e outra ali, mas acabou por ter o comportamento de uma onda, que a polémica surfou. Ao princípio, parecia impossível que o "Veado Surfista" permanecesse 'in situ' a perturbar as romarias e até os surfistas. Mas o mar de protesto sossegou. E o "veado" lá está. À espera do 'swell'.

O padre errado

A estátua do padre António Veira, no largo Trindade Coelho, foi a primeira erigida em Lisboa em homenagem ao filósofo jesuíta, escritor, orador, missionário, clérigo e uma das mais relevantes personalidades portuguesas do século XVII, considerado por Fernando Pessoa como justo "imperador da língua portuguesa". 

Com pompa e circunstância se inaugurou o monumento em 2017, com a presença de Fernando Medina, então presidente da edilidade lisboeta, que se congratulava pela sua própria iniciativa, fazendo orelhas moucas ou coro que desde logo de levantou contra a representação "paternalista do colonialismo português", com "indiozinhos" em redor da sua batina "imperial". Uma injustiça histórica, já que o padre António Vieira foi um acérrimo defensor dos direitos dos povos indígenas e uma voz activa contra a escravatura. 

Os críticos da estátua e da estética sugeriam que o que estava ali representado era uma ode anacrónica à "exploração dos povos nativos do Brasil", totalmente evitável e despropositada nos tempos que corriam. Os tempos, aliás, correram até ao ano de 2020, altura de grande convulsão nos EUA por causa da morte de George Floyd, que morreu aos pés da polícia, transformando as ruas de Minneapolis num palco de guerra, num fenómeno que rapidamente se tornou planetário, gerando em muitos países do mundo uma vaga de protestos e a destruição de monumentos que representavam a opressão e o esclavagismo. Portugal não esteve imune a este protesto global.

Em Lisboa, a estátua do padre António Vieira tornou-se de novo num alvo das mais ferozes críticas ao nacional-colonialismo e ao racismo. Em Junho de 2020 a estátua, da autoria de Marco Fidalgo, escultor do Porto, foi vandalizada, sendo grafitados corações em cada menino indígena e no padre António Vieira um enorme rasto vermelho, da cor do sangue. Na base da estátua, escreveu-se com a mesma cor: "Descoloniza", o que deixou o autor sem palavras. Quando as recuperou, apenas confessou a sua incredulidade com o acontecido a um monumento que cuja "mensagem é a defesa dos povos ameríndios". A escritora Alice Vieira, que por acaso estava na altura a terminar uma biografia do Padre António Vieira para as crianças, veio a terreiro em defesa do biografado: "É pura ignorância. Não sabem quem foi o padre António Vieira".

Fernando Medina veio igualmente repudiar este acto "criminoso", pois "todos os actos de vandalismo contra o património colectivo são inadmissíveis", apresentado queixa no Ministério Público contra os desconhecidos que as autoridades policiais procuravam. E, que se saiba, nunca foram encontrados. Segundo o ex-edil, a "melhor resposta contra os vândalos é a limpeza". Nisso, ninguém discordou.

Linha de mar revolto

A 16 de Dezembro de 2019, os tempos eram de pré-pandemia. Já não era a melhor altura para ajuntamentos e cerimónias de inauguração de monumentos. Com a devida parcimónia e um institucional distanciamento social, lá se inaugurou a "Linha do Mar", escultura de Pedro Cabrita Reis, junto ao farol da Boa Nova, em Leça da Palmeira, Matosinhos. A obra impôs-se no espaço, ocupando o horizonte com cinco grupos de vigas de ferro, num esquema de linhas verticais, de dimensões variáveis, por sua vez dispostas sobre uma base horizontal, que se prolonga por 40 metros da marginal projectada por Siza Vieira. Era suposto a visão neo-minimalista de Cabrita Reis criar uma multidimensional relação com a linha do horizonte e do mar e, através das diferentes formas e geometrias, diferentes sobreposições com o oceano. Aparentemente, não foi o que entenderam os habitantes de Matosinhos, do Porto, do Grande Porto, e ainda uma boa fatia de turistas instados a apreciar a estética do monumento.

O autor nada dizia, o que só aumentava a intensidade da "revolta", apontando baterias para quem tinha encomendado tal coisa: a CM de Matosinhos, na pessoa de Luísa Salgueiro, a sua presidente, que se declarava incapaz de discutir o génio de um artista enquanto esculpe. Compreendia que nenhuma obra de arte agrada a gregos e a troianos, mas que era indiscutível o valor artístico que a obra acrescentava à marginal. A questão, acabaria por subir de tom, sempre que vinham à baila os 300 mil euros que o município tinha desperdiçado com esta obra, que fazia a abertura dos telejornais pelas piores razões. 

Até que um dia, alguém resolveu intervir na obra, não deixando uma das 70 vigas de ferro por grafitar. Tudo indicava que se tratava de um grupo organizado de vândalos, que inscreveu nas ditas frases de revolta, como "Vergonha"; "300 mil euros!"; "Isto é Leça!" ou "Os nossos impostos". Entre as inscrições estava também um tridente, que Pedro Cabrita Reis, que finalmente se pronunciou sobre a polémica, atribuindo a autoria deste acto de vandalismo a um grupo de extrema-direita que tem de símbolo um tridente.

A exemplo do acontecido em Lisboa, embora por motivos distintos, com a estátua do padre António Vieira, a CM de Matosinhos apresentou queixa no Ministério Público, contra desconhecidos. Se alguma certeza havia é que era mais do que um, pois a caligrafia não tinha correspondência. Sobre a investigação policial, o mesmo nada se sabe.

O que não aconteceu em Fevereiro de 2020, já depois de recuperada a obra. Pedro Almeida, um emigrante em Inglaterra, que estava em Matosinhos a passar uns dias, e que tinha acompanhado a polémica à distância, não se conteve depois de ver 'in loco' o monumento. E resolveu ele próprio tornar-se numa instalação de revolta. Chamou-lhe "instalação artística e política", tomando posse da obra de Cabrita Reis para apresentar a sua versão de arte de protesto, fazendo um estendal com a sua roupa interior pendurada na "Linha do Mar", que rapidamente colheu tempo de antena e apoio popular. 

É bastante mais fácil lidar com os vândalos quando são desconhecidos. Um vândalo ao vivo e a cores, como se fosse de um movimento 'okupa' já se torna mais complicado. Lá foi a PSP apanhar a roupa e o activista de circunstância, que lá foi gritando a suas frases de ordem a caminho da parte de trás do carro de patrulha. Não era a primeira vez, muito pelo contrário, que uma obra de Cabrita Reis é perseguida pelo vandalismo. A novidade era o vândalo estacionado na obra, que não afectou tanto a estética como o faria o tempo, precisamente por causa da linha do mar: a ferrugem.

(Autor escreve de acordo com a antiga ortografia.)

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