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Arcade Fire e festivais urbanos aquecem verão no Luxemburgo
 Arcade Fire é um dos concertos mais esperados da época.

Arcade Fire e festivais urbanos aquecem verão no Luxemburgo

Foto: Anton Corbijn
Arcade Fire é um dos concertos mais esperados da época.
Cultura 5 min. 06.07.2017

Arcade Fire e festivais urbanos aquecem verão no Luxemburgo

Os canadianos Arcade Fire e Peaches e os festivais MeYouZik e Rock um Knuedler são alguns dos pontos altos das noites de verão no Luxemburgo. O Contacto preparou uma seleção de concertos e festivais que acontecem nas próximas semanas no país.

Os canadianos Arcade Fire e Peaches e os festivais MeYouZik e Rock um Knuedler são alguns dos pontos altos das noites de verão no Luxemburgo. O Contacto preparou uma seleção de concertos e festivais que acontecem nas próximas semanas no país.

Os Arcade Fire tocam no próximo sábado, dia 8 de julho, na Rockhal. Com a sua digressão 360°, a banda mais ’indie’ do mundo, que muitos defendem ser das melhores apresentações ao vivo, traz já os singles que lançou no mês de julho, como “Everything now”, que aguça a curiosidade para o sucessor do álbum “Reflektor”. Em 2004 lançaram “Funeral”, um trabalho que os atirou diretamente para festivais e rádios mainstream, com as suas explosões de euforia camufladas com cargas dramáticas e íntimas. Depois de “Neon Bible”, chega o terceiro álbum de originais, “The Suburbs”, um trabalho conceptual em que além dos instrumentos acústicos recorrem a sintetizadores, a lembrar os anos 80. “Reflektor” confirmou a capacidade e originalidade da banda.

A vinda dos Arcade Fire prova que o Luxemburgo chegou a um ponto em que é possível ter concertos semanais de primeira linha, mostrando que há público e condições. É um concerto indicado para os fãs de ’indie’ e pop-rock, ao estilo “on the road”, ou não tivessem os irmãos Blutler crescido no Texas.

Mas a noite de 8 de julho tem mais para oferecer. No calendário está a festa de despedida da temporada da Philharmonie (“End of season party”), com a instituição a abrir as portas para uma noite de música de dança. Com música eletrónica, muito diferente da programação habitual, a Philharmonie promete uma celebração da música com música.

A vinda dos Arcade Fire prova que o Luxemburgo chegou a um ponto em que é possível ter concertos semanais de primeira linha

Também no mesmo dia, a cidade de Differdange recebe o festival Blues Express. São 40 concertos em 11 palcos. Destaca-se a vinda do português Vítor Bacalhau, um músico e compositor do norte, que funde o poder do rock com o espírito dos blues, numa música estruturada e forte, pautada com alma.

O festival OMNI abre hoje, dia 5 de julho, com Peaches como cabeça de cartaz. A canadiana do electro-punk atua a 12 de julho, no palco situado na Abadia de Neumünster. Espera-se uma performance extravagante e transgressiva da artista que habitualmente canta temas feministas. Mais que música, este concerto mostra outras visões de vida.

Sob o tema “Strong Women” (“Mulheres fortes”, em português), o Omni inclui este ano 15 concertos, só com artistas do sexo feminino, num local emblemático da capital, na Abadia de Neumünster, com as Casemates como pano de fundo. Punk, jazz, nouvelle chanson, eletro e blues são alguns dos estilos que marcam presença no palco open-air da abadia, até dia 29 de julho.

A organista de jazz Rhoda Scott atua hoje com um quarteto exclusivamente feminino. Conhecida como a organista dos pés descalços, Rhoda Scott é uma das senhoras do jazz, tendo tocado com nomes como Ray Charles ou Ella Fitzgerald. Um concerto a não perder.

No dia seguinte, a songwritter Camille apresenta o novo trabalho de estúdio “Ouï”, num concerto co-produzido entre a organização e o Den Atelier. Com letras pouco convencionais, cantadas em francês e inglês e com sonoridades new wave, a música é uma junção do bossa nova dos anos 60 com a época punk e pós-punk.

A 13 de julho, Alt-J, que atuaram no país há dois anos no Rock-a-Field, regressam para um palco mais citadino. Também no Grund, o trio britânico traz os dois trabalhos de estúdio que os consagrou como uma das bandas mais bem sucedidas de rock alternativo dos últimos anos. Um concerto a não perder que prova que o indie ganhou um espaço de honra no país.

Summer in the city

A capital do Luxemburgo transforma-se num palco no fim de-semana de 15 e 16 de julho, com dois festivais inseridos no programa “Summer in the city”, organizado pelo LCTO, o gabinete de turismo da cidade.

Dia 15, o MeYouZik, o festival de músicas do mundo, decorre em quatro espaços distintos – Neumünster, Place d’Armes, Gëlle Fra e Rue du St-Esprit. O festival é uma celebração da música miscigenada, nascida da criatividade e de um mundo sonoro sem fronteiras. Além dos 16 concertos, o MeYouZik organiza workshops para crianças, ao início da tarde, no palco situado na Gëlle Fra.

Dia 16 de julho, regressa o Rock Um Knuedler, o festival urbano que traz rock, indie, jazz contemporâneo, funk Jazz, afrobeat e hip-hop à capital. Ao contrário das edições anteriores, o cartaz de 2017 não apresenta nenhum nome consagrado da pop-rock internacional. O projeto “Drops & Points” do músico e compositor Pascal Schumacher é um dos concertos sugeridos. O coletivo de músicos alia a música clássica à eletrónica minimal, não esquecendo uma produção visual que confere dinamismo e ritmo ao concerto.

O Blues n’Jazz Rallye continua a ser um dos destaques de verão da cena luxemburguesa, com mais de cinco dezenas de palcos espalhados entre o Grund, Pfaffenthal e Clausen, ao ar livre e em estabelecimentos noturnos. Nesta edição destacam-se as apresentações da saxofonista alemã Stephanie Lottermoser, numa mistura de jazz, funk e pop, e da cantora japonesa Shiho, acompanhada pela Orquestra Nacional de Jazz. Criado em 1995, durante a capital europeia da cultura, o Blues’n Jazz Rallye é um dos mais importantes festivais luxemburgueses.

Durante o mês de agosto, o festival Congés Annulés, que se realiza nas Rotondes, em Bonnevoie, tem um programa musical diário. Com projetos mais ou menos experimentais, este festival é indicado para quem gosta de conhecer novos estilos, novas misturas ou sem limites estéticos.

O Luxemburgo mostra assim que se assumiu como um ponto de passagem para bandas e projetos internacionais, mas que também é como que um laboratório musical, em que cada vez mais jovens artistas luxemburgueses não têm medo de arriscar e mostrar que não devem nada a ninguém.

Vanessa Castanheira

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