Escolha as suas informações

Anísio Franco: "Os museus não são armazéns, existem para serem visitados"
Cultura 2 min. 01.04.2015

Anísio Franco: "Os museus não são armazéns, existem para serem visitados"

Anísio Franco, curador do Museu de Arte Antiga em Lisboa (à dta), com o director do Museu de História e Arte do Luxemburgo (ao centro) e o embaixador de Portugal

Anísio Franco: "Os museus não são armazéns, existem para serem visitados"

Anísio Franco, curador do Museu de Arte Antiga em Lisboa (à dta), com o director do Museu de História e Arte do Luxemburgo (ao centro) e o embaixador de Portugal
Foto: Manuel Dias
Cultura 2 min. 01.04.2015

Anísio Franco: "Os museus não são armazéns, existem para serem visitados"

O curador do Museu Nacional de Arte Antiga em Lisboa esteve no Luxemburgo e deixou um apelo para que as pessoas visitem os museus, que “não são só para entendidos”, defendeu.

Anísio Franco, curador do Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA) em Lisboa, tem um conhecimento profundo da história de arte e do património português. Foi nessa qualidade que surgiu o convite para dar uma conferência no Museu Nacional de História e Arte (MNHA) do Luxemburgo, no âmbito do projecto “Obra Convidada”, que trouxe até ao museu luxemburguês um quadro do museu lisboeta.

Durante a palestra, na quinta-feira, o curador, que é também um divulgador entusiástico do património artístico português, falou sobre as grandes colecções de arte antiga em Portugal, como nasceram e o destino que tiveram.

À margem da conferência, o curador do museu lisboeta disse ao CONTACTO que é essencial que os museus sejam visitados.

“A conservação, a preservação e o estudo das obras de arte nos museus têm como consequência natural dar a conhecer essas obras ao público”, afirma Anísio Franco. “Se assim não fosse, bastava guardar tudo. Mas os museus não são armazéns e existem para serem visitados por qualquer pessoa. Não pertencem aos estudiosos”, continua.

Alguns museus têm vindo a fazer um importante esforço para atrair público estrangeiro e nacional. No caso do MNAA, foram criados vários pólos de atracção para que o museu passe a ser uma paragem incontornável, mesmo se pouco demorada, para quem visita Lisboa.

“Nós estamos ali em Santos, mesmo por cima da Rocha Conde de Óbidos, e vemos pela janela todos aqueles turistas que não sabem que têm ali o museu com obras que são representativas da nossa história”, lamenta.

OBRAS DE ARTE NÃO SÃO SÓ PARA ENTENDIDOS

Quando lhe falamos de pessoas que não vão ao museu por se sentirem pouco à vontade ou por pensarem que ali não encontram aquilo que os interessa e apaixona, responde com entusiasmo.

“É preciso desempoeirar! As obras de arte não são só para os entendidos. Pertencem a nós todos! Não são distantes. São simples e acessíveis. Falam a toda a gente”, garante. Admitindo que por vezes ajuda ter uma chave ou uma pista para tirar mais e melhor partido delas, acrescenta: “Costumo dizer que basta passar três ideias, e que o resto acontece, pois as obras de arte são parte da vida e parte de nós todos”.

Anísio Franco vai mais longe e gostaria de ver mais visitantes regulares nos museus. Além dos turistas, os museus têm o público escolar e a terceira idade, “que são as pessoas disponíveis”, explica. Mesmo essas tendem a olhar para os museus como um espaço a visitar apenas uma vez. “Queremos que voltem, que nos visitem regularmente”, pois “há sempre algo de novo para descobrir nos museus”, apela.

A palestra de Anísio Franco abriu um ciclo de três conferências organizado pelo Museu Nacional de História e de Arte do Luxemburgo sobre as colecções artísticas portuguesas. Segue-se o comissário independente Delfim Sardo, a 16 de Abril, numa apresentação sobre arte moderna e contemporânea portuguesa. O ciclo encerra a 7 de Maio, com António Filipe Pimentel, director do Museu de Arte Antiga em Lisboa.

A tela emprestada pelo museu lisboeta ao museu luxemburguês, o “Casamento místico de Santa Catarina”, de Murillo, pode ser vista até 17 de Maio. n Vera Herold


Notícias relacionadas

Exposição: Luxemburgo e Portugal "trocam" obras de arte
O Museu Nacional de História e Arte do Luxemburgo vai ter patente a partir de 29 de Janeiro uma pintura do Museu de Arte Antiga em Lisboa, no âmbito da iniciativa “Obra Convidada”, que vai levar uma tela do museu luxemburguês também a Portugal.
O Museu Nacional de História e Arte do Luxemburgo, na capital, vai acolher uma obra do Museu de Arte antiga, em Lisboa