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Acabou a silly season e chegou o ritmo do outono
Cultura 6 min. 11.09.2019

Acabou a silly season e chegou o ritmo do outono

Acabou a silly season e chegou o ritmo do outono

Foto: Julie Gatto
Cultura 6 min. 11.09.2019

Acabou a silly season e chegou o ritmo do outono

Vanessa CASTANHEIRA
Vanessa CASTANHEIRA
Os últimos quatro meses do ano não são necessariamente meses para ficar em casa. Há programas para todos e oferta não só made in Portugal, mas também de vários países lusófonos. O Contacto selecionou uma série de eventos que vale a pena ver.

Setembro podia ser chamado de “rentrée”. A maioria retorna das férias, há o regresso à escola e arranca uma nova temporada cultural. Com o fim da Schueberfouer (que termina hoje com o tradicional fogo-de-artifício às 22h) estão lançadas as cartas para o outono.

A agenda não pára e este sábado a cidade de Esch-sur-Alzette recebe a Nuit de la Culture. De recordar que a Nuit de la Culture, inicialmente marcada para 4 de maio, foi adiada para setembro por causa da morte do Grão-Duque Jean. Durante esta noite, a cidade desdobra-se com inúmeros espetáculos. Com 30 palcos diferentes e muitos deles improvisados, vão decorrer todo o tipo de performances.

O ponto alto é o desfile que arranca às 20h na Place de la Résistance e que este ano tem como tema o mundo submarino. Criaturas aquáticas, barcos afundados e de tesouros escondidos com as companhias de teatro e artes circenses, comediantes e dançarinos. Nuit de la Culture é afinal a noite em que a cultura sai à rua. Esch é uma cidade particular e está cada vez mais virada para a arte de rua. Por isso é de esperar uma mão cheia de apresentações ecléticas (para não lhe chamarmos alternativas).

Sétima edição da Nuit de la culture em Esch-sur-Alzette, 2018
Sétima edição da Nuit de la culture em Esch-sur-Alzette, 2018
Foto: Christophe Olinger

Ainda em setembro, a música lusófona é celebrada na Philharmonie. Bonga, Sérgio Godinho e Ana Moura são os nomes mais esperados. Nesta quarta edição há um convidado especial: Rui Vieira Nery. O musicólogo e historiador, que foi distinguido com o Prémio Universidade de Coimbra 2018, é uma das vozes mais respeitadas em Portugal, musicalmente falando.

Ao Luxemburgo vem para uma conferência sobre a história do fado, no dia 28. De 21 a 28 de setembro cumpre-se a tradição de uma semana dedicada à lusofonia que ainda conta com os músicos Selma Uamusse, o baixista Carlos Bica e o seu Trio, o multi-instrumentalista Noiserv e o projeto educativo “La Princesse Mystérieuse”. A pré-abertura é no Centro Cultural Português – Instituto Camões com a dupla de guitarristas de jazz Mano a Mano, a 19.

Grupo de Rua no Grand-Thêatre

Acaba setembro e o festival Atlântico, mas a lusofonia continua a fazer-se ouvir a 5 de outubro com o musical Cantar Amália, no Casino 2000. Morreu a mulher, ficou a fadista. Este projeto é apenas mais uma das inúmeras homenagens que têm sido feitas à maior diva do fado.

O Grupo de Rua vem ao Luxemburgo. A companhia, fundada por Bruno Beltrão em 1996, apresenta Inoah, o novo espetáculo a 12 e 13 de outubro no Grand-Theâtre. Com origens no street dance, “Inoah” funde subtileza com intensidade, une a autenticidade das ruas à teatralidade do palco e, acima de tudo, juntas os 10 dançarinos em palco que se desdobram entre o hip-hop e a dança contemporânea. Com Grupo de Rua, Bruno Beltrão conseguiu trazer a street art aos palcos. Podemos dizer que é uma despenalização da arte de rua, um hino à liberdade criativa e uma valorização dos artistas. As digressões além-fronteiras habituais provam que o coreógrafo e a sua companhia têm sido bem aceites no panorama internacional.

Pixies, Rock a Field 2016
Pixies, Rock a Field 2016
Foto: Julie Gatto

Também a 12 de outubro, um dos quartetos mais românticos do mundo: Il Divo. Não são o Tony Carreira, mas fartam-se de arrancar suspiros.

Mas, se o assunto é partir a loiça, os Pixies regressam a 17 de outubro com o fresquíssimo “Beneath the Eyrie”, disco que sai na próxima sexta-feira, dia 13. Depois de uma longa separação, Pixies uniram-se, voltaram ao estúdio e aos palcos nos últimos anos. Em sonoridade, Pixies continuam iguais a eles mesmo com um punk-rock psicadélico. Há as novidades, sim, mas ninguém vai querer perder músicas como “Where is my mind?” (banda sonora do filme “Fight Club” de David Fincher, com a soberba interpretação de Edward Norton), “Debaser”, Hey”, “Gigantic”, “Wave of Mutilation” “Here comes your man” – verdadeiros hinos da década de 1990.

Herbie Hancock, a lenda e o mestre

Os Mão Morta estreiam-se no Luxemburgo a 9 de novembro na Kulturfabrik. Com um rock avant garde, teatral e intenso, transbordou a fronteira do mundo alternativo e, mesmo não podendo ser consideranda uma banda mainstream, é conhecida por todos, muito por causa do seu líder, Adolfo Luxúria Canibal ou pela músicas “Novelos da Paixão” e “Noites de Budapeste”, banda sonora habitual nas rádios portuguesas.

16 e 17 de novembro será sem dúvida um fim de semana ao agrado dos music lovers com três nomes muito peculiares – e que, mais que conhecidos, são icónicos. Falamos do norte-americano Herbie Hancock, da islandesa Björk e dos britânicos The Libertines. Herbie Hancock atua na Philharmonie. O pianista de quase 80 anos é, mais do que um mestre do jazz, um verdadeira lenda. Dedicou seis das oito décadas de vida à música, ao piano, à composição e também à representação. Pode ser lenda e pode ser mestre, mas Hancock não vive na nostalgia e saudosismo da era dourada do jazz. Hancock é ousado e mutável, continua por isso a abrir caminhos.

Björk construiu uma carreira com um universo musical tão próprio que devia ter direito a tornar-se estilo. Björk vagueia-se pela eletrónica com a delicadeza dos singer-songwritters, num universo musical tão próprio que deveria ser elevado a estilo. Björk é uma utopia, tal como o álbum homónimo. O concerto é na Rockhal. Também insurreto é Pete Doherty, tido como o homem-proa dos The Libertines, a banda que se separou três vezes. Mesmo com apenas dois álbuns lançados – já que passam a maior parte do tempo na máxima “boys in a band” -, The Libertines são uma banda de culto, nos quais recaiem esperanças de se tornarem uma referência no indie rock britânico. A verdade é que os compositores Pete Doherty e Carl Barât não conseguem trabalhar muito tempo juntos, por isso esta é uma oportunidade – possivelmente única -, de ver a banda de “Can’t stand me now”.

Mais um nome português e um programa diferente do habitual. Vamos falar, ouvir, tocar e gravar os blues com o trio Buddha Power Blues, trio português familiarizado com o espaço Stadhaus e que regressa ao Luxemburgo depois de no último ano ter partilhado o palco e o estúdio com a musa do jazz Maria João Pires. Deste escontro nasceu “The blues experience”, um disco de blues que reflete o entendimento e influências de todos os músicos envolvidos. O concerto realiza-se a 29 de novembro e no dia seguinte há três workshops separados com os músicos do Buddha Power Blues, onde se pode aprender a tocar os “blues”. Os workshops são abertos a todos os amantes da música e que tenham já algum conhecimento musical.

Mercado de Natal na Place de la Constitution
Mercado de Natal na Place de la Constitution
Getty Images/iStockphoto

Um cheirinho a Natal

Para dezembro mais uma banda britânica mas com um percurso consistente. Com sete álbuns lançados, os Hot Chip chegam ao Luxemburgo com o trabalho “Bath Full of Ecstasy”. Tal como nos habituaram, Hot Chip apresentam um novo trabalho que é uma explosão de felicidade, cor e ritmo.

Para o último mês do ano porque não fazer uma visita aos tradicionais “Chrëschtmaart” da Grande-Região? O mercado de Natal da cidade 23 de novembro a 24 de dezembro, mas há outros para ver, como o de Metz, Colmar ou Estrasburgo em França, Aachen, Trier ou Colónia na Alemanha e o de Bruxelas na Bélgica. Quem sabe até se fazer um périplo pelos mercados e que seria um grande programa para terminar o ano.

Uma coisa é certa: ao outono luxemburguês pode faltar sol, mas não falta vida.